Alagamento da avenida Heráclito Graça: problema histórico é explicado por especialista

Entre os motivos citados pelo engenheiro da Universidade Federal do Ceará, estão poluição urbana e a localização da via acima de um antigo riacho

Legenda: "Primeiramente, nós 'estamos' no Riacho Pajeú, onde começa a cidade de Fortaleza
Foto: Foto: José Leomar

Na última quarta-feira (6), um carro ficou quase completamente submerso na Avenida Heráclito Graça, após forte chuva que atingiu Fortaleza. Francisco de Assis de Sousa Filho, engenheiro do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC), exemplifica várias situações que causam a inundação da via, problema histórico da Capital.

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"Primeiramente, nós 'estamos' no Riacho Pajeú, onde começa a cidade de Fortaleza. Esse rio corria nessa região aqui. O que acontece é que hoje ele passa tubulado por baixo dessa via", rememora o engenheiro. Ainda de acordo com o especialista, pessoas trafegavam até de barco na região.

A mudança no cenário, de rio para rua, ocasiona problemas típicos de cidades urbanizadas. "Com o crescimento da cidade, faz com que aconteça o processo de urbanização, e a redução da infiltração porque impermeabiliza o solo com o asfalto. Isso faz com que aumente a quantidade de água que chega ao rio, e aí de vez em quando, o rio reivindica sua casa natural e volta à superfície", completa Francisco de Assis.

“A ligação daquele problema de alagamento na Heráclito Graça tem muito a ver com o sistema de drenagem que passa pelo Centro até sair no mar novamente. Todo o sistema está praticamente obstruído, por construções e ocupação irregulares da faixa dessa drenagem”, complementa a titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), Manuela Nogueira.

Junto à urbanização, outro processo agrava a aglomeração de água na avenida. "Não obstante o trabalho que é feito de limpeza pública, muitas vezes a população deixa sacos de lixos que são lavados, ou chegam às 'bocas de lobo', e impedem a ampliação da drenagem urbana", destaca o engenheiro, que comenta a importância da colaboração da sociedade civil, em conjunto ao trabalho de responsabilidade do governo municipal.

Soluções e/ou alternativas

Francisco também comenta, com pouco otimismo, que o problema dificilmente será resolvido por completo. "Nunca mais alagar não tem como porque a obra seria muito cara. Porque a gente sempre tem que discutir quanto custa para reduzir os riscos de inundação. Teríamos que encontrar algumas possibilidades, como por exemplo, utilizar essa praça (Bárbara de Alencar, na esquina da Avenida Heráclito Graça com Rua Barão de Aracati) como reservatório que estoque parte da água drenada".

Manuela comenta sobre os planos da Prefeitura de Fortaleza para solucionar o problema. “A gente vem estudando dois caminhos justamente para tentar minimizar o impacto, seja de desapropriação ou outros transtornos, visto que o Centro é uma área muito sensível da Capital. Temos uma estimativa de custo no valor de R$ 40 a R$ 50 milhões para essa obra, mas ainda não temos um encaminhamento definitivo”, comenta a secretária que estima uma decisão para o segundo semestre, período com menor quantidade de chuvas.

O engenheiro Francisco de Assis ainda destaca a necessidade da criação de reservatórios de contenção para as águas da chuva; conscientização da população para que não jogue lixo na rua, com o objetivo de evitar o entupimento da rede de drenagem; além de alterar o pavimento em alguns locais para que o solo se torne mais permeável.



Redação 02 de Agosto de 2020