Adoções de animais caem pela metade e abandono de pets aumenta em meio à pandemia de covid-19

Cuidadores e ONGs acreditam que o medo do novo coronavírus pode ter influenciado tanto na diminuição da procura de animais quanto da doação de alimentos

Legenda: Athena foi adotada já no período de isolamento social - uma sorte que raros animais têm
Foto: Foto: Arquivo pessoal

Doente, alegre, triste ou saudável – seja qual for o estado do dono, os bichinhos de quatro patas são fiéis companheiros. O desejo de uma companhia no período de quarentena foi um dos motivos para Sami Abreu, 19 anos, procurar a ONG Anjos da Proteção Animal para adotar um cachorrinho. Athena ganhou um novo lar na última sexta-feira (24), aos 4 meses de idade. A sorte dela, porém, não tem sido comum, já que a procura por adoções está cada vez mais rara nos abrigos de Fortaleza, em meio à pandemia do novo coronavírus.

Conforme a presidente da ONG Anjos da Proteção Animal em Fortaleza, Stefani Rodrigues, o abrigo costumava ter entre 10 e 15 adoções mensais, mas, após o isolamento social, o número reduziu para quatro. Durante as feiras de adoção, era possível encontrar novos lares para os animais com maior facilidade. “A gente sente quando a pessoa realmente vai amar e cuidar dos bichinhos, então, esse contato é muito importante. Hoje, nós estamos realizando feira de adoção online, mas não tivemos uma resposta tão positiva quanto presencial”, afirma. 

Os projetos Causa Pet e Amigos da Casa Verde também têm sido afetados pelas mudanças causadas pela pandemia. “Não tivemos nenhuma adoção e o abandono aumentou. Muitas pessoas nos procuram pedindo que a gente pegue seus animais, alegando que ficaram desempregadas e que não têm mais condição financeira de mantê-los”, compartilha Lindoneide Rocha, coordenadora dos dois projetos.

A falta de doações de ração também é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos abrigos. “(A demanda é de) aproximadamente 1.000 kg de ração por mês, e com o período de chuva nossa necessidade por medicamentos para cuidados com a pele dos animais aumenta”, explica Lindoneide. No caso de Stefani, a ONG tem tido poucas doações sociais, e a maior parte dos gastos é paga com recursos próprios.

Se fosse depender somente de doação, os animais estariam passando muita fome”, aponta a presidente da ONG.

A coordenadora municipal de Políticas de Proteção e Bem-Estar Animal, Toinha Rocha, afirmou que ações de auxílio dos animais têm sido realizadas durante a quarentena, como a distribuição de ração nos pontos de abandono. Além disso, declara que a Prefeitura Fortaleza deve comprar 24 toneladas de ração para serem distribuídas em Lares Temporários, em abrigos e, também, em pontos de abandono. 

Companheirismo
Apaixonada desde criança por animais, a estudante de medicina veterinária, Sami Abreu, sempre procurou contribuir com doações de dinheiro e comida para os abrigos de animais de Fortaleza. Após a morte de seu pitbull, a estudante e, principalmente, sua outra cachorrinha começaram a sentir falta de uma companhia. “Ela ficou uns dias sem comer. Não queria brincar, só passava o dia deitada. Foi aí que eu e minha família resolvemos adotar um cachorrinho”, diz. A procura foi cuidadosa, mas quando conseguiu entrar em contato com a ONG Anjos da Proteção Animal, logo escolheu a pequena Athena.

“Pode até parecer besteira para algumas pessoas, mas eu realizei um sonho, em ter adotado ela”. Foi a primeira vez que Sami adotou um cachorro em abrigo, e, apesar de completar apenas três dias nesta segunda-feira, já percebe mudanças dentro de casa trazidas por Athena.

Serviço

APA - Anjos da proteção animal: @apa_fortaleza

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Redação 29 de Setembro de 2020