“A sensação é de alívio”: Projeto Terapia na Cidade acolhe relatos na Praça do Ferreira

Ação aconteceu na manhã deste sábado (6), colocando em evidência a necessidade de cuidar e acolher por meio de escuta terapêutica

Legenda: Durante o tempo que for necessário, psicólogos dialogam com pessoas que procuram o Terapia na Cidade
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

“A conversa foi ótima, me senti muito bem acolhida, e entenderam o meu problema, souberam dialogar comigo. Agora, estou mais leve. A sensação é de alívio”. Mesmo preferindo não se identificar, uma transeunte na Praça do Ferreira faz questão de conceder o relato a fim de demarcar sereno semblante, no rosto e na fala, de quem tirou peso da alma ao trocar momentos de prosa com psicólogos do projeto Terapia na Cidade, na manhã deste sábado (6).

A ação aconteceu de 8h às 11h no Centro de Fortaleza e seguiu os mesmos procedimentos observados em outros momentos do projeto: ouvidos atentos e acolhimento irrestrito a quem chega com o intuito único de preservar o bem-estar mental e a vida.

A psicóloga Sarah Montezuma, do Instituto Bia Dote – entidade à frente da iniciativa – reflete que estamos vivenciando momentos muito difíceis na esfera social e, por isso, a necessidade de promover ambientes de receptividade.

“É muita violência e intolerância. As pessoas precisam de acesso a um momento em que elas possam se sentir à vontade para falar sobre tudo que estão passando”, afirma.

Ela conta que não há casos específicos de procura pela escuta terapêutica, mas fatos envolvendo desrespeito, assédio e ataques morais e/ou sexuais, sobretudo por parte de mulheres, são os mais recorrentes. 

“Enquanto psicólogos, sentimos que realizar algo assim é muito gratificante. Quando nos formamos, entendemos que não devemos estar restritos a ambientes fechados. É preciso ir até às pessoas, compreender que muitas delas não têm condições de pagar uma sessão de terapia, e precisam de um acompanhamento, uma conversa”.

Efeitos

A cada diálogo, uma impressão fica ainda mais nítida: para muitos e muitas, ainda é bastante difícil falar sobre si. O tabu é concreto e pode minar possibilidades de avanço pessoal. “Além disso, vejo ainda que não temos muito espaço para isso e há o preconceito quanto aos transtornos mentais”, explica Sarah. “Mas, na maioria das vezes, elas conseguem se entender nessa conversa e continuar com um tratamento terapêutico, se for o caso”.

Legenda: De forma bastante simples, convidativa ao diálogo, ação reverbera aspectos do cuidado
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

Uma das fundadoras do Instituto Bia Dote, Alice Dote, reitera que ampliar e facilitar o acesso ao acolhimento terapêutico é necessário, especialmente ocupando espaços públicos de grande movimentação na cidade. “Fazer isso é mostrar que a gente pode fazer circular nossos desejos, afetos e cuidados, mesmo na turbulência dos dias”, diz.

“Percebemos que, toda vez que a gente divulga uma nova edição do Terapia na Cidade, existe uma grande repercussão e as pessoas notam como é necessário. A gente pretende continuar com o projeto não apenas na Praça do Ferreira, mas também em outros espaços. E torcemos para que outras iniciativas surjam nesse sentido”, conclui.

No fluxo desse movimento, neste domingo (7), acontecerá, de 9h às 12h, o Acolhimento Terapêutico, no Passeio Público - Praça dos Mártires, reunindo 20 psicólogos voluntários.

Serviço
Terapia na Cidade
Acolhimento terapêutico ofertado em locais públicos por profissionais do Instituto Bia Dote. A ação ocorrerá todos os sábados de julho, das 8h às 12h, na Praça do Ferreira, em Fortaleza.


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Redação 12 de Julho de 2020