82 bairros de Fortaleza têm infestação média ou alta de Aedes aegypti

Primeiro levantamento de índices de proliferação do mosquito de 2020, divulgado ontem (28), mostra que 77 bairros estão com alerta médio e outros cinco têm alta incidência do transmissor; comitê realiza ações de combate

Legenda: A prevenção é, com certeza, a melhor maneira de combater o mosquito Aedes aegypti e precisa ser observada por toda a população
Foto: FOTO: FABIANE DE PAULA

As medidas preventivas contra a multiplicação do Aedes aegypti já são tão conhecidas quanto três das doenças letais que ele transmite: dengue, chikungunya e zika. Não deixar água limpa parada, vedar a caixa- d'água, limpar gavetas de geladeiras e outras tantas recomendações, porém não parecem ser suficientes para evitar o avanço do mosquito: de acordo com o primeiro Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa) deste ano, cinco bairros de Fortaleza estão com alto risco de proliferação, e outros 77 têm nível de alerta.

Os dados foram divulgados, ontem (28), na 46ª reunião do Comitê Intersetorial Permanente de Enfrentamento às Arboviroses, a segunda deste ano. O LIRAa é aferido quatro vezes por ano, calculado a partir de um recorte de imóveis e quarteirões visitados pelas equipes de endemias. Conforme o coordenador de Vigilância em Saúde de Fortaleza, Nélio Morais, "é um retrato muito fiel" da atual conjuntura da cidade. Entre os dias 27 e 31 de janeiro, foram vistoriados 48.162 imóveis na Capital cearense: em 800 deles (1,66%) foi confirmada a infestação por Aedes aegypti. No mesmo período de 2019, conforme a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o índice de infestação predial era de 1,52%.

Atualmente, a taxa tida como "satisfatória", quando menos de 1% da amostra confirma a presença do mosquito, só foi registrada em 39 bairros da cidade, distribuídos em todas as regionais. O nível de "alerta", com infestação entre 1% e 3,99%, foi verificado em 77 locais. Já os registros de risco alto, quando mais de 4% dos imóveis visitados têm infestação do Aedes, foi detectado nos bairros Vila Ellery e Olavo Oliveira, na Regional III; José de Alencar, Regional VI; e Parque São José e Manoel Sátiro, Regional V.

É justamente a Regional V, aliás, a que tem maior infestação pelo transmissor das arboviroses, com índice que ultrapassa os 2%; seguida pelas Regionais V, com 2,04%; VI, com 1,98%; IV, com 1,65%; III, com 1,53%; I, com 1,19%; e, por fim, II, com menor índice de infestação: 0,96%. A titular da SMS, Joana Maciel, salienta que "o mosquito é muito adaptado ao nosso clima", e por isso há proliferação "mesmo com baixos níveis de infestação".

Doenças

A chegada do período de chuvas amplia a preocupação com medidas preventivas ao surgimento de larvas do Aedes, como reforça Nélio. "Nós entramos, agora, no período mais crítico de todo o processo de transmissibilidade das arboviroses, no Brasil, sobretudo no Nordeste brasileiro, que é o período que vai de março até o fim de maio e que às vezes se estende até o mês de junho".

De todas as arboviroses, a que mais preocupa o Estado, segundo analisa o coordenador, é a dengue 2: três casos deste sorotipo já foram confirmados só em Fortaleza, até o início de fevereiro. O Ceará já é, neste ano, o segundo estado do Nordeste com mais casos suspeitos de dengue: são 830 notificações, atrás apenas da Bahia, com 1.815. Em relação à chikungunya, o Estado já contabiliza 92 casos suspeitos, atrás de Bahia, com 441; Rio Grande do Norte, com 149; e Pernambuco, com 101 suspeitas. Já o zika vírus não teve casos prováveis registrados em território cearense.

"Todas as forças devem estar concentradas nas ações de campo, os agentes de endemias visitando os imóveis, identificando os criadouros e eliminando focos. O serviço público tem sua obrigação, inclusive a população deve reivindicar de nós, mas ela tem que fazer o seu papel, porque 80% dos focos de proliferação do Aedes aegypti estão ainda dentro de domicílios", pontua o coordenador.

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