26% dos pacientes do atendimento virtual contra Covid-19 no Ceará moram com mais 4 pessoas

Ferramenta elaborada por governo estadual tem maior adesão de mulheres 

Legenda: As medidas de isolamento social são fiscalizadas em Fortaleza, mas descumprimento ainda é comum
Foto: Foto: José Leomar

Criado para ajudar a detectar casos suspeitos de Covid-19 e oferecer orientação especializada com profissionais de saúde, o Plantão Coronavírus, serviço de atendimento online do Governo do Ceará, já classificou a condição clínica de 33.438 pacientes, até a tarde desta segunda-feira (18). Um destaque é quanto ao número de pessoas que vivem na mesma residência. Do total, 8,2 mil usuários da plataforma (26%) informaram que dividem a mesma casa com outros quatro moradores. 

O atendimento virtual acontece por meio da tecnologia de chatbot, projetado pela Sesa e executado pelo Laboratório de Inovação e Dados (Íris), do Governo do Ceará. A plataforma funciona 24h com uma equipe de profissionais de saúde, depois que o usuário passa por triagem em conversa com um sistema de inteligência artificial. O perfil de idade de maior atendimento da plataforma é de pessoas entre 30 e 39 anos (31,88%). Em seguida estão os grupos de faixa etária entre 18 e 29 anos (30,28%) e 40 e 49 anos (17,45%). Os idosos, considerados grupo de risco, têm participação pequena nessas estatísticas. As mulheres foram as que mais utilizaram a ferramenta até agora, contabilizando 58,82% da utilização do serviço. Já os homens, o número de 40,27%. 

A plataforma registra ainda que 21% dos pacientes classificados vivem com três pessoas no mesmo lar; 20% informaram que dividem a mesma casa com cinco pessoas; 15% responderem que vivem com seis pessoas; 6% com sete; 3% com oito e 1% com nove moradores dentro da mesma casa.

Fatores de risco

Como em uma unidade hospitalar real, o sistema online faz a triagem dos pacientes. Os casos foram separados em verde (47,88%), vermelho (40,90%) e amarelo (11,22%). Os sintomas mais informados pelos usuários da plataforma, até a manhã desta segunda-feira, foram mal estar intenso (27,7%), falta de ar (20,5%), dor de cabeça (18,4%) e febre alta (17,9%). Os maiores fatores de riscos registrados englobam pressão alta (8,1%), problemas respiratórios (6,2%), diabetes (3,7%) e imunodeficiência (2%). 

Magda Almeida, secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, ressalta que os resultados mostram que as pessoas estão buscando a ferramenta e que ela está sendo útil, inclusive para a triagem de casos graves, que não podem esperar. “Isso é uma mudança de cultura importante para as pessoas a partir de hoje entenderem que podemos fazer o atendimento com a telemedicina com a mesma qualidade. Obviamente que nos casos que precisam de exame físico a precisamos do paciente na unidade de saúde, mas muita pode ser resolvido através da teleconsulta”.

 

Casos da doença

O Ceará soma 26.361 casos confirmados e 1.748 mortes provocadas por complicações da infecção causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), conforme dados divulgados no boletim da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), às 17h20 desta segunda-feira (18).

Ao todo, foram 107 novas mortes e 2.108 casos a mais ante o último informe, às 17h11 deste domingo (17), que apontava 1.641 óbitos e 24.255 diagnósticos positivos para a doença.

Os números apresentados pela Secretaria da Saúde fazem referência à disponibilidade dos resultados dos testes para detectar a presença dos vírus, o que não corresponde necessariamente à data da morte ou do início da apresentação dos sintomas pelo paciente.

Mortes por Covid-19 em Fortaleza

MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO INTEGRAM GRUPOS DE RISCO NO CEARÁ

Utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde feita em 2013, pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) apontam que 53,7% dos maiores de 18 anos no Ceará podem ser parte de um grupo de risco para o coronavírus.

Foram levados em conta idade avançada, doenças como diabetes e hipertensão, além de cânceres, problemas respiratórios, obesidade ou tabagismo. A porcentagem corresponde a mais de 3,6 milhões de pessoas.



Redação 07 de Junho de 2020