Tom Barros: Sem compromisso com a história do futebol

A onda devastadora da derrubada dos estádios antigos segue implacável. Em nome de uma modernidade questionável, enterram o passado na vala comum dos indigentes. E assim, já saiu do cenário o Estádio Råsunda, em Estocolmo na Suécia, demolido em 2012. Foi palco da 1ª grande glória do futebol brasileiro. Em 2003, foi demolido o famoso e belo Estádio Wembley, em Londres, palco da decisão da Copa de 1966 quando a Inglaterra ganhou seu único título mundial. Em 2013, o Maracanã, maior templo do futebol mundial durante décadas, não foi demolido, mas o aleijaram, sob a alegação de modernizá-lo para a Copa do Mundo de 2014. Este ano, na Itália, será demolido o sagrado Estádio San Siro em Milão. Logo na Itália, berço histórico de um Coliseu ainda hoje de pé, contemplado por milhares de turistas todos os anos. Até a Itália conservadora se curva ante o feitiço dos que querem Arenas por toda parte. Pouco importa se serei chamado de ultrapassado, saudosista empedernido ou velho caquético, dominado por lembranças de um tempo que não volta mais. Não me incomodo. Na defesa da memória e das tradições, bradarei enquanto forças tiver.

Exemplo positivo

Em 2009, quando autorizou a reforma do PV, a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne de Oliveira Lins, recomendou que fosse preservada a memória do estádio. A entrada permaneceu original. E lá está como símbolo de respeito à história. Assim, o estádio foi reaberto em 2011. No caso, Luizianne merece menção elogiosa especial.

Detalhes

Na época da reforma do PV, o então secretário de Esportes de Fortaleza, Evaldo Lima, fez todo o esforço para modernizar o estádio, sem perder de vista o que do original pudesse ser preservado. Assim foi feito. Muito ficou. Entrar no PV ainda é um passeio pela memória de seus primeiros tempos.

Carta

Lamento não ter mais encontrado na internet o texto escrito pelo famoso uruguaio Eduardo Galeano, gênio da literatura esportiva mundial, no qual ele manda um recado do Estádio Centenário de Montevidéu, palco da final da Copa de 1930, ao Estádio do Maracanã. O "Centenário" pede que jamais façam com ele o que fizeram com o ex-templo sagrado do futebol brasileiro.

Agora, vão demolir o Romeirão, Estádio Mauro Sampaio, em Juazeiro do Norte. Estive lá na inauguração em 1970. São 49 anos de história. No lugar, será construída uma Arena moderna. Passará a ser multiúso. Só espero que preservem, pelo menos, um marco, que lembre o quase meio século de cenário que foi. Não custa nada modernizar e preservar como foi feito no PV.

Números interessantes me manda o médico Russen Conrado. Ao fim da 12ª rodada da Série A, 77 jogos (64,7%) foram vencidos pelo time que fez o primeiro gol. E mais: 31 jogos (26%) terminaram empatados. Apenas 11 jogos (9,3%) foram vencidos pelo time que sofreu o primeiro gol, mas deu a volta por cima. Vejam, pois, a importância de largar na frente. Valeu, Russen.


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