Seleção Brasileira quer título para não cair no "resultadismo"

Para o time comandado pelo técnico Tite, ganhar a Copa América é bem mais do que levantar a taça de campeão no domingo. Equipe não quer ser vista como algo similar à Argentina de Messi

Legenda: Brasil busca título para evitar síndrome do "resultadismo" da Argentina de Messi
Foto: Luis Acosta/AFP

Você já deve ter ouvido falar em "resultadismo". Essa palavra aparece com mais ênfase no Campeonato Brasileiro. É a cultura dos três pontos, de valorizar a vitória, não importa como ela acontece: se jogando bem ou mal. O "resultadismo" não é a vontade de vencer, mas o medo do que a derrota pode ocasionar. Os técnicos do futebol brasileiro entendem - e sofrem - bastante com isso. É até contraditório com a essência do esporte.

Aprendemos desde cedo que o importante é participar. No entanto, o futebol nos ensina que o objetivo é vencer. Por isso, a Seleção Brasileira e o técnico Tite sabem da importância do título no domingo (7), às 17 horas, no Maracanã, na final da Copa América.

A conquista é bem mais além de erguer a taça. É a certeza de entrar para a história num esporte em que se despreza quem não chega no topo. A Argentina é o grande exemplo do "resultadismo" das seleções. Nos últimos cinco anos, foram cinco técnicos diferentes. Praticamente todos atingidos pelos "insucessos" das campanhas que disputaram.

Nos últimos 10 anos, foram três finais consecutivas: a Copa do Mundo de 2014 e as Copas América de 2015 e 2016. Nas três decisões, a Argentina foi derrotada. Na Copa do Brasil, perdeu na prorrogação para a Alemanha. E nas outras duas, caiu nos pênaltis para o Chile.

Mas basta uma busca rápida sobre a história recente da albiceleste para descobrir que o destaque é a ausência de títulos há 26 anos. Messi foi eleito o melhor do mundo por cinco vezes, porém, nunca ter conquistado um título* com a seleção nacional, parece ser um asterisco que mancha a carreira do atacante do Barcelona.

Não é só Messi

E ele não é unanimidade: Falcão, Júnior, Sócrates, Eusébio, Ibrahimovic, Puskas, são alguns exemplos de jogadores brilhantes, mas (sempre aparece o mas) que não comemoraram um título sequer por suas seleções.

Apesar de não fazer uma Copa América brilhante, a Seleção Brasileira chega com justiça, e favoritismo, à final da competição. O título pode premiar o trabalho do técnico Tite, que começou nas eliminatórias para a Copa da Rússia, em 2018. Seria o primeiro dele como treinador do Brasil. Uma chance de seguir a carreira sem nenhum asterisco do "resultadismo" no futebol.

A final da Copa América será no domingo (7), às 17 horas, com transmissão da Rádio Verdes Mares, que terá repórter no estádio, acompanhando todos os detalhes da partida.

* Messi foi campeão olímpico em 2008, nos Jogos de Pequim. O título foi conquistado com a equipe sub-23 e não é considerado profissional.