Pai e filho encontram "salvadora" na sede do Ceará: "Foi um anjo que apareceu"

Torcedores do Vovô, Cleylton Coelho e seu filho Rhyan da Silva, de 15 anos, tiveram suas vidas salvas por Tágilla Bié, escrivã da Polícia Civil, no Clássico-Rei do último sábado (3)

Legenda: Tágilla recebeu uma placa de honra do Ceará como homenagem por ter salvo a vida de pai e filho espancados no clássico.
Foto: Foto: Kid Junior / SVM

Às vésperas do Dia dos Pais, os torcedores do Ceará, Cleylton Coelho e seu filho Rhyan da Silva, de 15 anos, que foram espancados por integrantres da torcida organizada do Fortaleza, no último sábado (3), antes do Clássico-Rei, além de Tágilla Bié, escrivã da Polícia Civil que salvou a vida dos dois dando tiros para cima e dispersando os agressores, foram convidados para conhecer as dependências do clube. Na última quinta-feira (8), os três foram até Carlos de Alencar Pinto, sede do clube localizada em Porangabuçu, e receberam presentes e o carinho de jogadores como o ídolo Ricardinho, o zagueiro Luiz Otávio e o goleito Diogo Silva, atleta pelo qual o jovem Rhyan tem grande admiração.

O dia que poderia ter terminado da maneira muito triste, acabou sendo uma data que ficará marcada por um ato heróico. Enquanto pai e filho eram espancados, Tágilla, que está grávida, se colocou em risco e usou de sua habilidade para salvar a vida dos dois dando tiros para o alto e dispersando o grupo de agressores que os derrubaram da moto, rasgaram a camisa do garoto e agrediam os dois covardemente, que estavam caídos no chão e indefesos.

"É um momento de aflição ver seu filho apanhando, o pessoal tentando lhe roubar. Não desejo isso para ninguém", lembrou Cleylton. "Ela (Tágilla) foi anjo que apareceu no momento exato. É muito difícil arranjar uma pessoa que ajude o próximo hoje em dia. Uma pessoa que nunca lhe viu, está no seu dia de folga e fazer o que ela fez".

Grávida de uma menina, a escrivã da Polícia Civil disse que não pensou duas vezes antes de tomar a decisão que salvou a vida dos dois.

"Entendi que minha missão era aquilo", afirmou. "Deus permitiu que eu estivesse naquele momento para ajudar aquelas pessoas. Se fosse alguém da minha família, eu iria querer estar para ajudar. Passei minha infância indo aos jogos de moto. Então pensei que se eu não fizesse nada, a mãe dele poderia receber uma notícia ruim que o filho foi ao jogo se divertir, mas acabou sendo agredido, sofreu lesões e que poderia vir a ficar em coma ou ter ficado mal no hospital e falecido".

O último sábado (3), que acabou de uma forma dolorosa, estava sendo planejado pelo jovem e seu pai para que fosse um dia de pura felicidade, pois foi o jovem estava completando 15 anos de idade. Após as agressões sofridas, Rhyan e Cleyton desistiram de assistir à partida, que terminou com a vitória do Ceará por 2 a 1 sobre o Fortaleza, e decidiram voltar para casa. Com o trauma já superado, o garoto lembra o momento de despero. "Passaram coisas horríveis na minha cabeça".

Legenda: Fã de Diogo Silva, Rhyan se emociou ao ser presentado pelo goleiro.
Foto: Foto: Kid Junior / SVM

Torcedor apaixonado do Ceará, Cleylton afirmou que ele e o filho continuarão indo aos jogos mesmo após o infeliz episódio que foram obrigados a passar. "Não vamos parar de ir (ao estádio). Não é por causa de alguns baderneiros que a gente vai parar de fazer o que a gente gosta", garantiu.

Cleylton, Rhyan e Tágilla foram presentados pelo Vovô. A escrivã ainda recebeu uma placa de honra do clube em homenagem ao seu ato heróico que salvou a vida de pai e filho e evitou o sofrimento de uma família inteira.