Joia do Fortaleza, Diguinho fala sobre Ceni, experiência no Palmeiras e sonho de Seleção

Zagueiro de 19 anos foi emprestado ao clube paulista e desperta interesse no mercado

Legenda: Diguinho tem contrato com o Fortaleza até 2022
Foto: reprodução

O Fortaleza aguarda uma posição do Palmeiras para definir o futuro do zagueiro Diguinho, de 19 anos. Formado na base tricolor, o atleta está emprestado ao clube paulista até 31 de junho, com opção de compra fixa de 50% dos direitos econômicos.

Com a crescente de casos de Covid-19 no Brasil, o atleta retornou de férias para Capital em janeiro e não conseguiu voltar para São Paulo. Em casa, no bairro Passaré, ajuda o pai em uma mercado e treina com amigos para manter a parte física.

O Diário do Nordeste conversou com o atleta sobre o futuro da carreira, a expectativa de atuar pelo principal e a relação com o técnico Rogério Ceni - um dos responsáveis pelo jogador ter vínculo com o Leão até 2022. A entrevista na íntegra, você confere abaixo:

DN: Diguinho, você é tratado como um dos atletas promissores da base do Fortaleza. Como foi o início da carreira?

"Eu jogava na escolinha de campo do Bangu, é um projeto social na frente da minha casa, no Passaré. Até que surgiu oportunidade para jogar o meu primeiro Campeonato Cearense, pelo Santa Cruz, em 2014. A estrutura não era boa, e eles não davam o dinheiro da passagem, eu ia de bicicleta aos treinos, nem almoçava. Foi difícil, acordava 4h da manhã no dia do jogo para conseguir chegar, mas era o meu sonho. Em 2015 fui para o Estação, mas tinha os estudos e, com a família humilde, minha mãe não tinha como pagar, sou o caçula de três irmãos também. Então consegui bolsa para jogar pelo colégio. Minha rotina era sair cedo, ir para escola, de tarde o time, e depois escola de novo. Até que cheguei no Fortaleza, eu sabia que podia ajudar minha família se conseguisse ficar”.

DN: E a história com o Fortaleza, como começou?

“Foi em 2016, fui fazer um teste no clube porque me viram na escolinha do Bangu. Na semana da prova, tive dengue, só consegui ir duas semanas depois, e eu atuava de volante. Fiz e passei para o sub-15. Depois tinha outro teste na categoria, tinham apenas três zagueiros, faltava um e eu me ofereci, gostei muito da função, treinei bem e acho que um volante consegue se adaptar bem porque tem a visão do jogo, sabe sair jogando já, então passei e no primeiro ano fui logo titular e capitão, sabendo fazer zaga, volante e lateral direita. Quando subi para o sub-17, tinha a Copa do Nordeste sub-20, o clube precisava de zagueiros e eu, com 16 anos, fui convocado. Então tive mais destaque porque acho que atuei bem na competição mesmo com atletas mais velhos”.

DN: Para atuar na defesa, se inspira em algum jogador?

“Eu gosto muito do jogo do Thiago Silva, um zagueiro bastante técnico, a liderança, modo que se comporta, eu me vejo nele, me inspiro nele, na postura dele dentro de campo, a saída de bola com muita técnica.

DN: Você chegou ao profissional após um empréstimo para o Vitória-BA, também com opção de compra. Como foi a experiência no time baiano?

“Após a Copa do Nordeste sub-20, o meu contrato era indefinido com o Fortaleza. O Vitória-BA gostou de mim, falou com o meu empresário e pediu o empréstimo. Foi muito difícil no começo porque eu nunca tinha viajado sozinho, ficado longe da família, tive vontade de desistir e voltar para casa porque ficava no alojamento, não conhecia ninguém. Mas ‘botei na cabeça’ o objetivo, me dediquei, e fui titular do sub-17, depois me chamaram para o sub-20 e sub-23. O Marcelo Chamusca era o treinador do profissional e pediu para eu treinar lá, fiquei completando treino, mas o time tinha sido rebaixado, a direção falou que não tinha como me comprar, e o Fortaleza me queria de volta”.

DN: Em 2019, você estreou pelo Fortaleza no profissional com 18 anos sob o comando do Rogério Ceni. O que tirou de lições trabalhando com o treinador?

“Depois do empréstimo, meu empresário disse que o Sérgio Papellin me pediu para ir treinar com o Ceni, e ele me recebeu bem demais, atletas, a diretoria, todo mundo do profissional, foi do presidente ao porteiro. Treinei bem e o Ceni pediu para eu voltar, falou comigo, disse para eu ficar no Fortaleza, e me chamaram para renovar o contrato (até 2022). Aprendi muito com ele e o elenco, é um clima de família. O Marcelo Boeck e o Osvaldo, os caras me ajudaram muito também. Não sei do meu futuro, mas seria um sonho mais uma vez fazer parte do time. Fui para o banco em alguns jogos e o Ceni me colocou em um jogo fora de casa, no Maranhão”.

DN: Com mais experiência, o Fortaleza te emprestou ao Palmeiras. Qual o seu vínculo com o clube paulista no momento?

"O Palmeiras me queria antes, tinha uns clubes interessados, mas eu escolhi renovar com o Fortaleza por causa da experiência com o profissional. Acho que o interesse do Palmeiras veio dos meus jogos pelo Vitória-BA, então pediram o empréstimo e foi uma experiência boa, é um time muito grande. Joguei pelo sub-20, treinei com o profissional, o clube é acolhedor, e o Palmeiras em si tem uma estrutura incrível. Na passagem, fui campeão paulista, um estadual de alto nível. Agora não sei do futuro porque voltei de São Paulo em janeiro, de férias, e teve a pandemia, não deixaram eu voltar lá. Meu contrato é até 31 de julho, mas estou em casa já, esperando os clubes falarem comigo. Eu sigo treinando aqui, com amigos, para assim que tivermos uma definição, eu estar pronto”.

DN: Ao longo dessa passagem, você também recebeu uma convocação para a seleção brasileira. Como foi esse episódio?

“Eu estava treinando bem e me chamaram para completar treino da seleção olímpica sub-23, fui duas vezes. Experiência muito boa porque estive com jogadores quase da minha idade, tipo o Paulinho, que jogou no Vasco, o Arthur que jogava aqui (no Ceará), o Arthurzinho também. Mesmo que tenha sido para completar o treino, só posso agradecer. É aquele sonho se realizando, de vestir aquela camisa, meus pais ficaram felizes e acompanhei o modo de trabalho da Seleção, vou guardar por toda a minha vida”.