Governo de Nicarágua obriga atletas a jogar futebol durante pandemia do coronavírus

Estado usa o esporte para transmitir mensagem de que a vida segue normal no país

Legenda: Jogo entre Managua e Cacique não teve a presença de torcedores
Foto: Foto: Inti Ocon / AFP

No ranking da Fifa, a Nicarágua ocupa o 151º lugar entre 210 países. A nação da América Central jamais foi para uma Copa do Mundo e o futebol nem sequer é o esporte mais popular, posição ocupada pelo beisebol.

Neste ano, pela primeira vez a liga do país chama a atenção internacional. Não pelos resultados em campo ou pela qualidade dos jogos.

O Campeonato Nicaraguense é o único torneio profissional das Américas que não foi interrompido pela pandemia de coronavírus. No mundo, ele se junta a outros campeonatos que não foram interrompidos em mais três países: Belarus, Burundi e Tajiquistão.

A Federação que organiza o torneio divulgou comunicado há duas semanas para avisar que os jogos deveriam ser realizados com portões fechados por causa do vírus. Mas a determinação valia apenas para a 10ª rodada, que aconteceu entre 21 e 22 de março. Para as seguintes, os cartolas não disseram nada e cada time interpretou a recomendação como achou melhor.

Os nicaraguenses afirmam ter receio de punições porque seguir com o esporte e tentar fazer com que a vida no país pareça normal é política do governo da Nicarágua.

A Nicarágua é governada desde 2006 por Daniel Ortega, 74. O país vive crise política e social. Apesar das pressões da oposição, o governo se nega a antecipar eleições ou investigar supostos crimes cometidos. Nem os Estados Unidos conseguiram derrubar Ortega. Ele controla o Exército, toda a estrutura burocrática do país, o Judiciário e o Tribunal Eleitoral.

Segundo dirigentes e jornalistas ouvidos pela reportagem, o governo também tem representantes na Federação Nicaraguense de Futebol e em outras entidades esportivas. Manter o futebol no país representa a imagem de que a vida está normal.


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