Fortaleza e sua torcida fazem bonito dentro da casa dos "Rojos"

Em partida muito disputada, o Tricolor do Pici surpreendeu quem achava que o time cearense não se sairia bem contra o tradicional Independiente. No fim, dentro e fora de campo. O Leão mostrou que tem muita história a contar

Legenda: Torcida do Fortaleza chamou a atenção nas arquibancadas, assim como a equipe tricolor dentro das quatro linhas do Libertadores de América
Foto: FOTO: JUAN MABROMATA/AFP

O melhor da festa não foi esperar por ela. Porque simplesmente não houve espera. Houve festa antes mesmo de três milhares de torcedores pisarem na Argentina. Só faltava ver o time pisar no templo quase sagrado do Independiente. Quase porque a atmosfera trazida na mala por cinco mil quilômetros transformou parte do Estádio Libertadores de América em uma Arena Castelão improvisada.

Em campo, o terror das defesas alheias que atende por Silvio Romero insistiu em continuar a jogada já parada por impedimento e fazer gol que não valia. O torcedor que veste camisa de jogador quase fez pra valer. Osvaldo por muito pouco não transformou a festa tricolor no maior carnaval do mundo. Campaña escapou do gol de cobertura. E Felipe Alves poderia ser chamado de santo, pela defesa que também foi à toa porque já havia bandeira levantada na margem do gramado.

Hermanos vestidos de vermelho incendiavam as arquibancadas. Os que estavam em campo tentavam fazer o mesmo, sem sucesso. Havia um Leão frio e calculista na frente. Mas na frente do David, os cálculos se inverteram e Campaña se tornou gigante como a historia do Rei de Copas. Persistiu o 0 a 0.

Torcida que vibra

Na frente em números só a torcida argentina. Em números. A desvantagem brasileira por questões lógicas era compensada pelo volume que saía da garganta lá do andar mais alto do estádio, destinado aos cearenses. Juan Quintero também se multiplicou para mudar a trajetória da bola por duas vezes em um só lance. Quando o poder da multiplicação não funcionou, dois se tornavam um no sentido de eliminar qualquer risco.

Nem que, inicialmente, isso soasse como uma trapalhada fora de harmonia. Como foi o grito de gol da torcida local. A bola do Benítez alcançou a rede pelo lado de fora.

Para Quintero e Sánchez Miño faltou disciplina. "Colômbia x Argentina" acabou com um jogador a menos para cada lado. De repente, também surge um Felipe x Bruno Melo. Apenas para um pedir mais atenção ao outro. Poderia ser fatal.

Pressão e perigo

Por causa de Leandro Fernandez, o Fortaleza passou a precisar de mais do que atenção. O Camisa 29 colocou El Diablo Vermelho na vantagem do placar. Não foi por falta de tentativa que Osvaldo não desconstruiu a desvantagem tricolor. O caminho para o gol chegou a ficar livre, mas ele não alcançou a bola por centímetros. Eram motivos para preocupar o Maior das Américas. Nenhum surtiu efeito com sucesso. Sequer na arquibancada.

Romarinho teve nos pés a melhor chance do jogo. O goleiro já tinha passado da bola. Bastava olhar para a frente. O atacante "zagueirou".

A recompensa veio com Brian Martinez fazendo o mesmo de cabeça no lado oposto do campo. Que jogo. Longe de ser recomendado para portadores de qualquer problema no coração.

A pura impressão de personalidade leonina não olhava para o histórico do rival multi-campeão do futebol sul-americano. Felipe Alves ousou driblar dentro da pequena área. Ousadia não necessariamente altera o placar. Derrota não necessariamente significa fim de jogo. Objetivo parcialmente cumprido.

O maior dos nomes com a camisa tricolor queria se manter vivo para jogar em terras brasileiras. Rogério Ceni cumpriu a missão internacional. E não há razão para a festa cearense cessar. A defesa da tradição também passa por glórias que não vêm com vitórias.

E o torcedor que acompanhou o jogo, seja na arquibancada alta do Libertadores de América, seja nos bares e restaurantes de Fortaleza, sabe muito bem disso.

A expectativa agora é pela volta. Pela chance de aumentar o sonho tricolor.

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