Fortaleza deixa escapar marca de mais de um ano e preocupa Ceni

Sem marcar contra Sport e Ceará, Tricolor do Pici perdeu sequência positiva de mais de 12 meses sempre fazendo gols. Técnico leonino já cobrou à diretoria reforços de velocidade e de criação para o restante da temporada

Legenda: Rogério Ceni declarou que a equipe que tem em mãos precisa ser reforçada e disse que já entregou lista com opções para a diretoria tricolor
Foto: KID JUNIOR

A eliminação do Fortaleza para o Ceará na semifinal da Copa do Nordeste foi golpe duro. O Leão vinha numa sequência de oito jogos invicto. A última derrota havia sido em 4 de março, pelo Campeonato Cearense (1 a 0 para o Ferroviário). Sem balançar as redes pelo 2º jogo seguido, o desempenho ofensivo tricolor abaixo do esperado ligou o sinal de alerta de Rogério Ceni.

"Rodamos bem a bola, conseguimos ter saída de jogo. Mas não conseguimos jogo por dentro. A melhor coisa que aproveitamos foram as inversões, mas não conseguimos infiltrar. A gente vem nos últimos dois jogos encontrando dificuldades em jogar por dentro, em vencer os duelos, principalmente com os quatro jogadores nossos que têm essa característica: Osvaldo, Yuri, Romarinho e David", avaliou o treinador.

A preocupação de Ceni quanto aos problemas no terço final destacam uma estatística negativa da equipe tricolor: a última vez que passou dois jogos sem anotar gol foi entre 1º e 12 de junho de 2019, quando perdeu três duelos seguidos (Flamengo, Athletico/PR e Grêmio). Desde então, o Fortaleza nunca passou mais de duas partidas sem marcar.

A estratégia defensiva do Ceará fez o Leão experimentar de sua própria proposta: ter a posse no campo ofensivo, pressionar e abrir espaços na marcação, além da bola parada. No Clássico passado, a vitória tricolor veio justamente do aproveitamento aéreo. Dessa vez, o Vovô usufruiu melhor desse tipo de jogada.

A intensidade de marcação do oponente ao não permitir espaços entre as linhas dificultou as tradicionais infiltrações de Osvaldo e de David pelo centro. Mariano Vázquez flutuava em busca de zonas menos populosas, mas o sistema do Ceará permanecia sólido. Felipe e Juninho sozinhos não conseguiam quebrar esse bloco, muito menos Marlon. Faltou capacidade criativa ao Leão na faixa central.

As entradas de Yuri César, Romarinho e Wellington Paulista apenas no 2º tempo foram contestadas. Ceni justificou a opção por imaginar "que o jogo seria decidido pro final" e que "não teria as trocas para fazer" se os três começassem como titulares. Tiago Orobó, atacante que pode atuar em qualquer posição no ataque, não foi opção por já ter jogado na Copa do Nordeste pelo América/RN, reduzindo as "cartas" do Leão.

Peças de reposição

Sem Nenê Bonilha, recuperando-se de lesão, Ceni contava somente com Éderson no banco como alternativa mais criativa para o meio. Porém, como o treinador apontou ao fim do jogo, o grupo necessita de peças mais intensas e incisivas para o último terço do campo.

"Já conversamos com o presidente. Precisamos de mais um jogador nessa posição de velocidade, que tenha a mesma função de Osvaldo, Romário, pra poder trocar mais, começar mais forte e ter mais volume de jogo no 2º tempo. Precisamos achar também alguma peça de criação. A situação é complicada, é difícil. Nós já passamos 20 nomes, mas são jogadores caros ou inviáveis que não fazem parte da nossa realidade", disse.

A Série A do Brasileiro inicia em pouco mais de uma semana para o Fortaleza, que duela contra o Athletico/PR, no sábado (8). A intensa maratona de jogos demanda um elenco variado para todas as equipes da elite nacional. Para o Fortaleza, é momento de analisar o mercado com olhos atentos.

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