Esportes olímpicos no Ceará enfrentam desafios na retomada durante pandemia

Federações estaduais de Atletismo, Ciclismo, Triatlo e Boxe ainda têm incertezas acerca da volta das atividades normais de seus atletas. Entidades seguem na expectativa e tem investido nas lives

Legenda: Ceará é referência na prática do triatlo, com atletas de alto nível e competições internacionais
Foto: Natinho Rodrigues

Os últimos três meses foram sinônimo de luta para todos os setores do esporte. Um confronto que, infelizmente, não deixa brecha até agora para um respiro, um breve retorno à normalidade. Para as modalidades olímpicas do Ceará, o período de quarentena devido à pandemia do novo coronavírus foi de paciência e de reinvenção.

A volta das atividades esportivas no Estado do Ceará só devem ocorrer no fim de julho, durante a Fase 4 do plano de retomada do Governo. Para tanto, é preciso que o panorama da Covid-19 siga a tendência de estabilidade e depois comece a cair, não tendo um novo aumento de casos e óbitos que impacte na gradual reabertura, atrasando os planos. Mas é fato que os eventos não devem ter torcedores.

As corridas de rua, por exemplo, são incógnita para os próximos meses. O presidente da Federação Cearense de Atletismo (FCAt), Jerry Welton, explica que os eventos planejados estão suspensos.

"Os eventos de corrida de rua precisam de autorização do Governo, pois são de grande porte. Os espaços para as provas estão fechados. Todos os eventos da Federação estão suspensos, sem previsão de retorno. Temos nos reunido com a Confederação e outras federações para fazer protocolos. Cada Estado vai ter uma realidade, mas teremos uma diretriz", conta Jerry.

A FCAt possui mais de mil atletas cadastrados e 16 equipes filiadas, em estrutura semelhante ao futebol. Os treinamentos daqueles atletas de alto nível continuam em casa, para que eles não percam ainda mais ritmo.

A Federação de Triathlon do Estado do Ceará (Fetriece) vive situação semelhante, com os exercícios aquáticos sendo os mais prejudicados durante o isolamento social. A presidente da entidade, Fátima Figueiredo, conta como os atletas da modalidade tentam driblar os empecilhos estando em casa.

"A maior dificuldade dos atletas de triatlo é com a piscina, pois ainda não podem nadar. Mas no ciclismo, estão fazendo até competições com alguns tipos de rolos que simulam pedaladas. É motivante", relatou Fátima à reportagem.

Também com competições marcadas para os próximos meses, o triatlo cearense aguarda a liberação do Governo já com protocolos de saúde que podem ser adaptados de acordo com a realidade do Estado, conforme garante Fátima Figueiredo.

"Mudamos nosso calendário e ainda pode ser modificado. Há uma cartilha da Confederação Brasileira de Triathlon e da Internacional de procedimentos sanitários explicando como podemos promover eventos, podendo ser adaptados ao nosso Estado. Quando retornarem, vamos tomar todas as medidas de proteção", explica a presidente da Fetriece.

Legenda: Ciclismo e Triatlo, no Estado, buscam reorganizar seus retornos e protocolos para os atletas
Foto: FABIANE DE PAULA

Conscientização

Enquanto a maioria dos atletas segue as recomendações de isolamento social, alguns insistem em quebrar as medidas de segurança de saúde para praticar suas modalidades no Ceará. Segundo Eduardo Lopes, presidente da Federação Cearense de Ciclismo (FCC), tem sido difícil segurar as bikes de algumas pessoas em casa neste período.

"Temos orientado aos atletas a ficarem em casa, mas muitos grupos de ciclistas circularam durante a pandemia. Tudo o que era do Comitê Olímpico, disseminávamos as boas práticas, para conscientizar. No Interior, parece que agora colocaram o pé no freio. Aqui na Capital, muita gente continua fazendo suas pedaladas normais", revela Eduardo Lopes.

Como todas as categorias, o calendário da temporada de ciclismo foi virado de cabeça para baixo e ainda não há previsão de remontar sua estrutura completamente neste ano.

"De 20 a 30% das provas foram canceladas e o restante foi remarcado. A próxima prova seria dia 6 de setembro, de Mountain Bike. Ainda não sabemos as medidas sanitárias que devem ser tomadas nos eventos ciclísticos. Estamos esperando orientação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)", disse o presidente da Federação Cearense de Ciclismo, que conta atualmente com mais de 300 filiados.

Foco nas lives

Os planos do boxe cearense também foram muito afetados, mas encontraram uma solução para não deixar os praticantes parados através das redes sociais. As lives foram o recurso mais acessível para os treinos, como explica Emanoel Barroso, presidente do Conselho Cearense de Boxe Amador e Profissional e representante oficial do Conselho Nacional de Boxe (CNB).

"Todo o calendário de eventos físicos foi congelado. Criamos um calendário para atividades virtuais e temos uma projeção das atividades pós-pandemia. Toda terça e quinta-feira, às 15 horas, temos aulas gratuitas por vídeo-conferência. As aulas são voltadas ao público em geral. Aos sábados, no mesmo horário, aulas para os atletas de competição. É importante não deixar as pessoas paradas ou sem orientação. Nossa preocupação é em manter a chama acesa", conta Emanoel.

O presidente do Conselho reclama da falta de apoio neste período de paralisação esportiva. O sucesso das lives veio com a ajuda do CNB, do Conselho Mundial e da Associação Mundial de Boxe.

"Eles proporcionaram muitos cursos de atualização e de capacitação, além de reuniões para não deixar o boxe parado. Isto possibilitou ao boxe cearense grande destaque na produção de lives. Atletas, os treinadores e donos de academias nos procuram pedindo soluções e é nossa obrigação atender a todos e apresentar o melhor para o momento", afirma Emanoel.


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