Enderson Moreira completa 150 dias no comando do Ceará

O treinador já tem, após cinco meses, a equipe com melhor assimilação de suas principais ideias. Até aqui, trabalho é bem avaliado pela diretoria alvinegra, que garante respaldo ao técnico apesar de jejum de vitórias

Em 22 de abril, às vésperas do início da Série A do Brasileiro, o técnico Enderson Moreira era anunciado no Ceará como substituto de Lisca, que deixou o clube um dia após perder a final do Estadual para o rival Fortaleza. Na última quinta-feira, 19 de setembro, o treinador completou exatos 150 dias no comando do clube, marca considerável e que já possibilita avaliação mais concreta.

Nos 19 jogos que comandou o Ceará, Enderson venceu seis, empatou quatro e perdeu nove. O aproveitamento de 38,6% é razoável e fruto de um modelo de jogo consolidado. Desde que chegou, o mineiro de 47 anos adotou o esquema 4-2-3-1, que foi o utilizado em todas as partidas realizadas até aqui.

Enderson montou um time que adota o jogo de posição como conceito elementar, em modelo que dá importância aos posicionamentos do jogador, com o intuito de gerar desvantagens no adversário. Para isso, valoriza a posse de bola e busca construções coletivas de jogadas através de intensa troca de passes.

Prova disso é que o Ceará é o 3º time que mais troca passes no Brasileirão, com média de 391 por jogo. Além disso, é o 5º que tem maior índice de posse de bola nas partidas, com média de 54% de posse em cada duelo.

Isso é o suficiente para que o trabalho de Enderson seja avaliado positivamente pela diretoria alvinegra. Afinal de contas, até aqui, o Vovô tem cumprido bem seu papel.

Ocupando a 13ª colocação na tabela, o Ceará terminou o primeiro turno sem ter entrado nenhuma rodada sequer na zona de rebaixamento, mas a segunda metade da competição promete ainda mais percalços. Daqui pra frente, a missão do treinador é seguir com o desempenho atual para atingir o objetivo de permanência ao fim do Campeonato Brasileiro.

"É um bom trabalho. Treinador realmente qualificado, que tem equilíbrio pra conduzir as coisas, mas que na hora que precisa cobrar bastante, ser bem enfático, ele é. Tem um jeito assim de calmo, mas ele exerce a liderança e o comando dele muito bem. A gente tá muito feliz com o trabalho dele", destacou o presidente Robinson de Castro, que afastou qualquer possibilidade de troca de comando, apesar da série de cinco jogos sem vitórias.

"Agora a gente teve uma sequência ruim, e já começa a especulação de que o treinador vai sair, ou coisa que o valha. Mas não é assim. Nunca houve essa possibilidade nem conversa. Nunca falamos sobre isso. Os resultados foram normais. Não teve nenhum fora da curva. No futebol, todos somos cobrados pelo resultado. Isso é natural, analisar muito em cima do resultado. E o futebol é isso. Importante é como termina, é o final. Vai todo mundo achar que o ano é maravilhoso se tudo terminar bem", concluiu o dirigente.

O trabalho, entretanto, não é perfeito, e há pontos a se evoluir. A eficácia ofensiva é o principal deles.

Nos últimos cinco jogos, o Vovô marcou somente dois gols, no empate contra o Corinthians, e passou quatro partidas sem balançar as redes adversárias. Na última rodada, contra o Botafogo, no Castelão, foram 23 finalizações e nenhum gol marcado. Se conseguir ajustar a pontaria do ataque, Enderson tem tudo para passar ainda mais tempo em Porangabuçu.

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