Em maio, Vovô e Leão têm apenas cerca de 25% de receitas previstas

Juntos, os clubes cearenses deixaram de faturar, em média, R$ 12 milhões no mês. Apesar das dificuldades, Ceará e Fortaleza buscam equilíbrio e honram compromissos. Partidas estão suspensas no País há mais de 60 dias

Legenda: O presidente Marcelo Paz classificou o momento como o mais delicado de sua gestão
Foto: FOTO: Fabiane de Paula

Já são mais de 60 dias sem partidas de futebol no Brasil. A dificuldade, a cada semana, só aumenta. O real prejuízo de tudo ainda não pode ser dimensionado, mas é sentido, a cada mês, no momento de fechar as contas. Os clubes têm muita dificuldade para honrar seus compromissos. Para Ceará e Fortaleza, representantes do Estado na Série A do Campeonato Brasileiro, não é diferente. Mesmo assim, ambos têm conseguido manter a situação financeira sem o caos que já ataca outros clubes no País.

Até o mês de março, tudo foi devidamente quitado. Todos os salários e compromissos. Não há atrasos. Sobre abril, os clubes ainda estão fechando os detalhes. A situação não é de caos. Mesmo assim, é de preocupação.

Arrocho

No caso do Alvinegro de Porangabuçu, a folha salarial de funcionários de todos os setores, incluindo futebol feminino, categorias de base e comissões técnicas, até do futebol profissional, já foi quitada. O clube já iniciou também o pagamento da parte de CLT dos jogadores, o que deverá ser concluído nesta semana. Atualmente, o Ceará possui 267 colaboradores.

Legenda: O presidente do Ceará, Robinson de Castro, afirmou que honrar os compromissos no clube em março foi uma engenharia financeira
Foto: FOTO: Camila Lima

Mas engana-se que essa tem sido uma missão fácil. Mesmo com equilíbrio, fruto do trabalho financeiro realizado nas últimas temporadas, o Vovô passa por um momento de muita dificuldade, assim como todo o mundo.

"Estamos trabalhando com cerca de 20% a 25% das nossas receitas. É muito pouco. Temos que fazer uma engenharia financeira para adequar os pagamentos", revela o presidente Robinson de Castro. O valor total de receitas do clube por mês, que em condições normais seria de cerca de R$ 8 milhões, tem ficado entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões.

A dificuldade é a mesma do Fortaleza. O Leão do Pici também tem conseguido manter os compromissos através de muito trabalho. Os mais de 300 funcionários já foram todos pagos e boa parte da folha salarial dos jogadores, o que compõe no maior custo do clube, também já foi quitada. A parcela restante está dentro do prazo combinado entre as partes e será honrada antes do fim deste mês.

Mesmo assim, o prejuízo é enorme. "É o pior momento da gestão. Perdemos entre R$ 5 e R$ 6 milhões de receitas neste mês, que estavam inicialmente previstas para entrar no mês de maio e não entraram. Isso compromete quase 70% da receita mensal", revela Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

Busca por alívio

O que tem salvado os clubes são os sócios-torcedores. O programa segue sendo como a principal fonte de receita neste período de extrema escassez. Mesmo assim, é preciso criatividade na busca por alívio, o que não é fácil.

Caso a situação não volte a ser normalizada a partir do próximo mês, ambos deverão ficar com dificuldades ainda maiores, já que, além de bilheterias, deixaram de receber também parcelas de patrocinadores, cotas televisivas, vendas de produtos, etc.

Uma alternativa que poderia auxiliar neste momento seria o recebimento de patrocínios do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza, que já estavam previstos. Porém, os repasses acabaram sendo congelados neste momento e estão paralisados.

Na semana passada, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e o Ministério Público Federal (MPF) recomendaram a suspensão de patrocínio a Ceará e Fortaleza durante a pandemia do novo coronavírus. O argumento é de que todo o investimento do poder público deve ser para o combate à Covid-19. "Priorizar o futebol profissional em detrimento da saúde ´(...) é espancar o princípio constitucional republicano", consta na recomendação.