Elas no Esporte: Olimpíada de Tóquio trouxe à tona a saúde mental dos atletas

A psicóloga esportiva Jassy Ribeiro explica os cuidados com a mente em eventos que exigem equilíbrio emocional, concentração e motivação

Simone Biles com semblante de preocupação
Legenda: A ginasta norte-americana Simone Biles era considerada a principal atleta dos Jogos de Tóquio e não participou de algumas finais da modalidade
Foto: Loic Venance / AFP

O fim das Olimpíadas de Tóquio é um misto de sentimentos. Sensações de alegria, frustração e uma discussão que precisa estar em destaque: a saúde mental. Simone Balis foi esse “grito” do desespero. A ginasta norte-americana trouxe à tona um problema vivido por vários atletas, principalmente em períodos de pressão.

Podcast Elas no Esporte com Jassy Ribeiro

Da necessidade de mostrar resultado, corresponder ao público e encarar as redes sociais. Essas podem ser algumas das situações que interferem nas ações e comportamentos dos atletas. Questões que entram em pauta na psicologia do esporte. O “desistir” da Biles abriu discussão de como os nomes do alto rendimento encaram psicologicamente o estresse e as expectativas. 

“Além da Simone Biles, muitos outros atletas também passam por esse dilema. Aqui no Brasil tem uma Associação, a ABRAPESP (Associação Brasileira de Psicologia do Esporte), com profissionais sérios, capacitados para a pesquisa científica, não é um achismo. Em Tóquio, nós temos três psicólogos trabalhando com os atletas brasileiros”, afirmou a psicóloga do esporte Jassy Ribeiro.

Cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio
Legenda: Os Jogos Olímpicos são considerados o maior evento esportivo do mundo
Foto: AFP

Jassy Ribeiro é pós-graduada em psicologia do esporte, atua na área esportiva há dois anos, e o trabalho da profissional é reforçar estratégias pautadas no treinamento de habilidades psicológicas. “Essa edição foi muito difícil, principalmente pela questão da pandemia, os atletas tiveram que adiar treinamentos, improvisar locais de treino, essas situações mexeram com os atletas”, concluiu.

Importância no esporte

A saúde mental é essencial na vida de qualquer pessoa. No esporte, a interferência é considerada maior, pois reflete na performance de um atleta, em pontos como equilíbrio emocional, concentração, motivação e a autoconfiança na preparação para uma competição como Olimpíada, por exemplo.

Os aspectos não podem ser considerados adversários. Quando a “cabeça não reage”, o corpo pede para parar, como ocorreu com Simone Balis, que tinha uma pressão na Ginástica Artística após conquistar quatro medalhas de ouro na Rio-2016, na época com 18 anos.

Simone Biles ginasta norte-americana
Legenda: "Precisamos proteger nossa cabeça e nosso corpo, em vez de ir lá e fazer o que o mundo espera de nós”, disse a norte-americana negra Simone Biles
Foto: Lionel Bonaventure / AFP

"Às vezes os atletas não conseguem superar todas as exigências e o nosso trabalho como profissional é explicar que a frustração não pode dominar a mente. Se essa força for maior, a tendência é que além de transtornos psicológicos, a depressão também é constante”, explicou Jassy.

Falta de apoio 

A falta de apoio e incentivo também podem ser consideradas algumas questões que influenciam no comportamento dos atletas. Um estudo divulgado pelo ge revelou que dos 309 atletas brasileiros nas Olimpíadas, 231 dependem do Bolsa Atleta.

O auxílio existe desde 2004 e não teve edital lançado no ano passado.  Do total, 131 não contam com patrocínios e 41 fizeram ‘vaquinha’ para estar no Japão. Por fim, 33 não conseguem viver só do esporte e têm outras profissões - motorista de aplicativo é a mais comum da lista. 

“Como sociedade, só nos preocupamos com o esporte quando chega esse momento das Olimpíadas, que cobramos os atletas por medalhas e resultados. Nós não nos preocupamos com o processo. Está sendo um trabalho árduo para a psicologia do esporte, principalmente para perceber que algumas atitudes nossas, como sociedade, interferem no comportamento dos atletas”, explicou.

Ceará e Fortaleza

Representantes cearenses na Série A do Brasileiro, Ceará e Fortaleza também investem no trabalho psicossocial. No Vovô, os profissionais trabalham na base, no futsal e no futebol profissional. Já o Leão tem acompanhamento na base e no profissional. 

Serviço:

  • Jassy Ribeiro – Psicóloga do Esporte.
  • Endereço: General Tertuliano Potiguara, N° 1861.
  • Contato: (85) 9 9620-7887.
  • E-mail: jassyararibeiro@gmail.com.
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