Combate ao coronavírus ganha apoio e doações de atletas e entidades

Cada vez mais esportistas estão engajados na luta contra o coronavírus, lista hoje que conta com Cristiano Ronaldo, Messi, Bonucci, Pep Guardiola e Neymar

Legenda: Cristiano Ronaldo, da Juventus vai financiar a construção de UTIs para pessoas com covid-19 em Portugal

A pandemia do novo coronavírus levou atletas e entidades esportivas de diversas modalidades a se mobilizarem para ajudar no combate ao avanço da doença. Até agora, foram doados pelo menos R$ 200 milhões para hospitais, Organização Mundial da Saúde (OMS) e funcionários que estão sem trabalhar por causa da paralisação das competições. A quantia deve aumentar nos próximos dias, com mais esportistas engajados na luta contra o vírus. Há ainda valores de doações não divulgados ou que ainda não podem ser calculados.

No futebol, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, doou US$ 10 milhões (cerca de R$ 50 milhões) para a OMS. Além disso, abriu a possibilidade de criação de um Fundo Global de Assistência ao Futebol para ajudar membros da modalidade que estão sendo afetados pela crise causada pelo coronavírus.

O técnico do Manchester City, Pep Guardiola doou R$ 5,4 milhões para a compra e produção de materiais e equipamentos de saúde na Faculdade de Medicina de Barcelona

O zagueiro Leonardo Bonucci, da Juventus, doou 120 mil euros (R$ 660 mil) para o hospital Città della Salute, em Turim. Os médicos deste hospital foram os responsáveis por uma cirurgia no filho do jogador, Matteo, então com dois anos em 2016. De acordo com a unidade de saúde, "os recursos serão alocados na compra de duas máquinas de ultra-som portáteis e também para a compra de cerca de 50 máscaras de filtro de circuito de ar, reutilizáveis, com o material de reposição por cerca de dois meses de trabalho" O capitão do Napoli, Lorenzo Insigne, doou 120 mil de euros (R$ 550 milhões) para hospitais da região de Nápoles.

Outros jogadores se mobilizaram ao longo das semanas para manter viva a chama da solidariedade, doações de todos os tipos. Cristiano Ronaldo, da Juventus vai financiar a construção de UTIs para pessoas com covid-19 em Portugal, além de doar cinco respiradores para a Ilha da Madeira, onde nasceu, Lionel Messi, do Barça, fez uma doação no valor de 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,5 milhões) para um hospital de Barcelona, Sergio Ramos, do Real Madrid doou cerca de 264 mil máscaras, mil aparelhos de proteção e 15 mil testes para detectar o covid19, Toby Alderweireld, do Tottenham doou dezenas de tablets a hospitais para ajudar as pessoas em isolamento, a manter contato com familiares e amigos.

O atacante Robert Lewandowski, do Bayern de Munique, realizou uma doação no valor de 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,4 milhões) no combate ao novo coronavírus. O dinheiro, doado também por sua esposa, Anna, vai integrar um fundo criado pelos próprios jogadores do time alemão, chamado "We kick Corona" (Nós chutamos o coronavírus).

O primeiro jogador brasileiro a entrar na onda da solidariedade foi Neymar: o atacante do Paris Saint-Germain, vai doar cestas básicas e produtos de higiene para famílias que moram nas favelas de São Paulo, uma das áreas mais vulneráveis durante a pandemia de covid-19.

"A solidariedade deve ser mais contagiosa que o vírus",
disse Neymar em sua conta suas redes sociais. Além dele, o surfista Gabriel Medina e o jogador de vôlei Bruninho, outros esportistas, fazem parte da campanha.

Não são apenas atletas que se mobilizaram. Torcedores do Napoli doaram a um hospital da região o valor do reembolso dos ingressos que haviam sido comprados para a partida de volta contra o Barcelona, na Espanha, pela Liga dos Campeões. Antes, torcedores do Atalanta já tinham se mobilizado para doar o valor recebido pelas entradas da partida contra o Valencia, que foi realizada sem público na Espanha.

Ainda na Itália, país europeu mais afetado pelo coronavírus, o ex-presidente do Milan e ex-primeiro-ministro país, Silvio Berlusconi, doou 10 milhões de euros (R$ 55 milhões) para hospitais de Lombardia, na região norte. O dinheiro será usado para a realização de unidades com 400 leitos de terapia intensiva.


Basquete

Primeiro jogador da NBA a ser diagnosticado com coronavírus, o pivô francês Rudy Gobert doou US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões) para ajudar no combate à doença. "Eu sei que as pessoas foram afetadas de incontáveis maneiras. Essas doações são um pequeno gesto que refletem meu apreço e meu apoio a todas essas pessoas e são o primeiro de vários passos que pretendo dar para fazer a diferença de um modo positivo", disse.

Gobert distribuiu o valor de maneira a atender setores que ele considera importantes. Assim, US$ 200 mil (R$ R$ 1 milhão) foram destinados a trabalhadores do ginásio em que o Utah Jazz manda seus jogos e foram afetados pela suspensão das partidas; famílias afetadas pela pandemia em Utah e famílias de Oklahoma City repartirão US$ 100 mil (R$ 500 mil) em cada localidade; e outros US$ 100 mil vão ser enviados à França para socorrer vítimas da pandemia no seu país natal.

Karl-Anthony Towns, pivô do Minnesota Timberwolves, fez uma doação de US$ 100 mil (R$ 500 mil) a uma clínica que começou a implementar testes para detectar o coronavírus. Como a temporada da NBA está paralisada, os funcionários dos ginásios estão sem trabalhar e consequentemente sem receber. Por isso, jogadores se mobilizam para ajudar financeiramente os profissionais que trabalham nas arenas.

O primeiro foi o ala-pivô Kevin Love, do Cleveland Cavaliers, com doação de US$ 100 mil (R$ 500 mil). A atitude foi seguida por outros jogadores, como Giannis Antetokounmpo, do Milwaukee Bucks, que doou a mesma quantia. A lenda do basquete e hoje dono do Charlotte Hornets, Michael Jordan anunciou que vai fazer doações junto dos jogadores da equipe para os funcionários, mas não especificou os valores.

Franquias como o Milwaukee Bucks, Golden State Warriors e o Minnesota Timberwolves também se engajaram à campanha. O Milwaukee anunciou que vai igualar cada pagamento realizado por algum jogador aos funcionários dos ginásios e o Golden State e o Minnesota doaram US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) cada.

Outros esportes

As doações também estão vindo da Fórmula 1 - a família dona da Ferrari anunciou a doação de 10 milhões de euros (R$ 55 milhões) para o governo italiano investir em equipamentos médicos e no auxílio aos infectados pela pandemia -, de tenistas como a romena Simona Halep e o espanhol Rafael Nadal e de astros do futebol americano e do beisebol.

Russell Wilson, quarterback do Seattle Seahawks, vai doar 1 milhão de refeições para pessoas que foram afetadas de alguma maneira pela pandemia. A Major League Baseball e a MLB Players Association (associação dos atletas) também se juntaram na luta contra a fome e doaram US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) para instituições que lidam com a causa.

A Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) anunciou, nesta sexta-feira, que sua organização junto com o sindicato dos jogadores, atletas e donos das franquias já doou mais de US$ 35 milhões (cerca de 180 milhões) na ajuda às vítimas da pandemia do coronavírus.

As doações começaram a ser feitas desde o dia 16, quando foram interrompidas todas as competições esportivas nos Estados Unidos e a NFL contribuiu com US$ 3,5 milhões (R$ 18 milhões).

No tênis, duas lendas do esporte doaram valores importantes a instituições de seus países. O suíço Roger Federer um dos maiores tenistas de todos os tempos, resolveu dar uma ajuda no combate à pandemia do novo coronavírus. Na última quarta-feira, ele e sua esposa Mirka Vavrinec anunciaram pelas redes sociais que farão uma doação de 1 milhão de francos suíços (R$ 5,08 milhões) para cuidar das famílias mais necessitadas na Suíça.

"Esses são tempos desafiadores para todos e ninguém pode ficar para trás. Mirka e eu decidimos doar um milhão de francos suíços para as famílias mais vulneráveis na Suíça. Nossa contribuição é apenas um começo e espero que outros também se juntem a nós para ajudar mais famílias necessitadas. Juntos podemos superar essa crise! Fiquem com saúde!", escreveu o suíço em seu Instagram.

Outro a colaborar foi o sérvio Novak Djokovic. Ele anunciou na última sexta-feira uma doação milionária para o combate ao novo coronavírus em seu país. O melhor do mundo na atualidade doou 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,5 milhões) para a compra de respiradores e equipamentos médicos na Sérvia.

"A nossa doação é destinada à compra de ventiladores, que são indispensáveis para salvar vidas, e para a compra de outros equipamentos sanitários. Os respiradores são agora os equipamentos mais indispensáveis para salvar vidas humanas", disse Djokovic, nesta sexta-feira, em uma videoconferência organizada pelos seus assessores.
 


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