Com vaga na Olimpíada, Silvana Lima volta a Paracuru na pandemia

Surfista multicampeã aguarda uma posição da WSL sobre o retorno das provas do circuito internacional. Durante a estada em solo cearense, ela ficou mais tempo ao lado da família e se dedicou a ações beneficentes

Legenda: Silvana Lima está em Paracuru durante a pandemia do novo coronavírus
Foto: Foto: divulgação

Família foi o caminho escolhido pela surfista Silvana Lima para enfrentar a pandemia de Covid-19. Multi-campeã e um dos símbolos do desporto feminino, a atleta regressou às origens e voltou para a cidade de Paracuru, no litoral do Ceará, a fim de replanejar a temporada de 2020.

O processo ainda é incerto quanto ao calendário mundial da WSL, organizadora do circuito de provas internacional, mas ganha estabilidade junto do mar e da praia que a forjaram ao esporte profissional. A saída da terra foi em busca de estrutura para treinos: fluxo com data marcada para encerrar. "Quando a gente não está viajando fora do Brasil, temos que ficar no País treinando e aqui não tem essa estrutura que necessito. Por isso fui ao Rio de Janeiro, porque é mais próximo para viagem internacional. Não venho (morar em Paracuru) porque, realmente, não tem onda o dia inteiro".

Aos 35 anos, o currículo da cearense estava prestes a ganhar mais um capítulo inédito quando tudo parou. Em dezembro de 2019, na última etapa do Mundial, a surfista carimbou vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio como representante do Brasil ao lado de Tatiana Weston-Webb. Por conta da evolução do novo coronavírus em escala global, a edição foi adiada para 2021. Assim, o foco de Silvana deixou o cenário esportivo e se voltou para o âmbito de promover solidariedade.

"A ajuda é bem-vinda em qualquer lugar do Brasil e do mundo. A pandemia é um momento que faz todo mundo se unir mais porque muita gente que não tem condição vai ficar (em situação) ainda pior. Comecei a ver isso, esse movimento, e foi aí que eu pensei em fazer minha parte", diz.

Ajuda na pausa

A ação beneficente definida por Silvana foi a rifa de uma prancha e uma roupa para prática esportiva na água. Mais que distribuir acessórios aos fãs, o objetivo da surfista foi ajudar residentes de Paracuru em situação de vulnerabilidade social na pandemia. E o montante arrecadado foi R$ 10 mil. Desses, 70% foram empregados na aquisição de cestas básicas, com o restante destinado para abrigos de animais. No fim, a lição veio junto do "fazer o bem".

"É mais um estímulo para fazer acontecer. No meu caso, foi o de pegar uma prancha e uma laica e movimentar a rifa. Então, isso é muito fácil para quem tem condição, um atleta que pode assinar uma bola ou camisa. A gente que tem nome é muito importante nesse momento porque não precisa colocar dinheiro, mas conseguimos ajudar o próximo".

Dentro da rotina de treinos e aconchego familiar, o gesto trouxe à cearense uma nova missão: desbravar ainda mais o município natal. Das aventuras de bicicleta pelas ruas de Paracuru, a atleta resolveu entregar os alimentos junto de amigos e falar com os beneficiados. "A sensação é maravilhosa, muita gente viu eu crescendo, me conhece da beira da praia. Os meninos me conheciam quando fui no lixo, porque sabem da minha história", afirma.

Paracuru será lar até uma diretriz do retorno dos torneios, comunicado previsto para julho. Por ora. Silvana é apenas residente.

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