Com janela de inscrições fechada, Ceará e Fortaleza seguem com elencos até fim da Série A

Vovô e Leão tiveram baixa atuação no mercado pela dificuldade de firmar acordos. A pandemia de Covid-19 trouxe déficit financeiro e o nível de reforços procurado exigia maior qualidade aos oferecidos no mercado. Agora é trabalhar os elencos atuais sob comando de Guto Ferreira e Marcelo Chamusca, respectivamente.

Legenda: O meia Vinícius é o grande destaque do Ceará na Série A com 6 gols marcados
Foto: Camila Lima

O período de inscrições na Série A do Brasileiro chegou ao fim. Os esforços de Ceará e Fortaleza no mercado foram encerrados ontem, no último dia para novas contratações. Assim, os elencos atuais seguem até o fim da competição, em fevereiro de 2021, apenas com possibilidade de novas perdas para as comissões técnicas: há atletas com vínculos encerrados em dezembro.

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O desafio é administrar os atletas e seguir com padrão técnico e tático mesmo em cenário adverso: crescimento de casos de Covid-19 no futebol nacional e maratona de jogos. As carências dos elencos até foram diagnosticadas, mas o cenário de contratações era repleto de dificuldades.

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Por isso, as novas peças foram poucas. Internamente, as cúpulas de Vovô e Leão acreditam no potencial dos remanescentes e também na capacidade de Guto Ferreira e Marcelo Chamusca, respectivamente. O fator financeiro, acentuado com a pandemia, também pesou. 

Aos torcedores, apenas dois nomes anunciados em novembro. Um dos pontos para definição dos alvos era a qualidade. Com o primeiro turno do Brasileirão finalizado, os pedidos eram por peças com chance de agregar valor nas posições.

O prazo de contratações foi ampliado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Cada clube enviou uma lista com no máximo 40 jogadores até o dia 30 de outubro e teve flexibilização para mudar oito jogadores no intervalo entre as datas.

Vale ressaltar ainda que, mesmo com foco maior para o mês final de contratações, os times se movimentaram durante a janela. O Ceará intensificou as buscas para o sistema ofensivo e anunciou os atacantes Saulo, então artilheiro da Série C, e Felipe Vizeu, em grande investida na Europa.

O escopo é completo por Pedro Naressi, volante com passagem de destaque no RB Bragantino. Já o Fortaleza buscou uma reposição imediata de centroavante e assinou com Bergson, preterido em Porangabuçu. Ronald também foi contratado para o meio-campo, e a dupla atua com regularidade.

Ceará pontual

Com menos de 24h para a janela ser concluída, o Vovô fez movimentações e buscou viabilizar um acordo no intervalo mínimo para inscrever atletas. O desfecho não foi positivo e até às 19h nenhuma contratação foi anunciada no clube.

Havia expectativa pela aquisição do meia-atacante Felipe Ferreira. O staff do jogador confirmou contato do Ceará, mas faltou tempo para finalizar todos os trâmites. O atleta pertencia a Ferroviária, de São Paulo, e estava emprestado ao Cuiabá. Logo, seriam duas rescisões necessárias no BID.

As definições sobre o elenco foram firmadas em dois encontros ao longo da semana com membros do departamento de futebol. A meta era acertar com mais um atacante, de preferência com características de lado de campo. E o time investiu em duas frentes iniciais, ambas sem sucesso.

A primeira foi Arthur Caíke, do Cruzeiro. O atacante se recuperava de lesão muscular e era bem avaliado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. Assim, mesmo com possível alívio na folha salarial da Raposa, que havia fechado com Rafael Sobis, a opção foi de manter o atleta.

A segunda era Jonathan Copete. A oferta era de empréstimo junto ao Santos, mas a transferência foi barrada pela Fifa. O acordo não foi firmado devido sanção ao time paulista, que está bloqueado para registro de atletas e negociações por acúmulo de dívidas.

Por isso, Felipe Ferreira entrou no radar. O atleta de 26 anos entrou em campo 27 vezes no ano, com cinco gols. O nome foi oferecido ao presidente Robinson de Castro em outubro e teve atributos avaliados pela cúpula alvinegra.

O crivo de exigência de Guto era para jogadores com potencial para brigar pela titularidade. “Eu continuo com o mesmo discurso, se a direção encontrar um jogador que possa agregar valor ao plantel, será bem-vindo. O que não pode é trazer um jogador para fazer número", declarou.

O elenco do Ceará, descrito no site oficial, possui 33 jogadores. São três goleiros, cinco zagueiros, quatro laterais, sete volantes, cinco meias e nove atacantes. O montante é maior visto que há jogadores utilizados no Sub-23.

Fortaleza ativo

A diretoria tricolor planejou a temporada com um elenco enxuto, atendendo logística de trabalho do então técnico Rogério Ceni. No período, com decréscimo de receitas, optou por desligar nomes pouco aproveitados no principal, com empréstimos ou rescisões.

Legenda: Wellington Paulista é artilheiro do Leão na Série A com 5 gols
Foto: Camila Lima

A chegada de Marcelo Chamusca foi fundamental no processo de diagnóstico do plantel e atuação rápida do departamento de futebol na última semana. O Centro de Inteligência (CIFEC) e a cúpula tinham listas de possíveis reforços - respeitando as condições financeiras do clube. 

Havia falta de entendimento sobre as opções, em crivo técnico resolvido por Chamusca. Como o prazo curto de inscrição de atletas na Série A, o novo treinador avaliou as alternativas e sinalizou de modo positivo antes de desembarcar na Capital.

Os escolhidos para completar o elenco foram o zagueiro Wanderson, ex-Bahia, e o meia João Paulo, ex-Ponte Preta. Ambos firmaram vínculo por empréstimo até dezembro de 2021. 

João Paulo, por exemplo, é um dos atletas de admiração de Chamusca. Com a experiência na Série B, o treinador teve mais chance de analisar o atleta, que tinha contato do Fortaleza faz tempo, mas o caminhar da contratação dependia do então treinador. No caso de Wanderson, as partes entendem que é uma boa alternativa pela necessidade do elenco.

Apesar da agilidade, a equipe não realizou 100% dos planos. Havia interesse em contar com um atacante de velocidade. Na última coletiva, o treinador admitiu que as chances eram remotas. “As opções que seriam interessantes ficaram difíceis por questões financeiras e por jogadores que os clubes não querem liberar”, explicou.

O elenco do Fortaleza, descrito no site oficial, possui 27 jogadores. São três goleiros, cinco zagueiros, quatro laterais, cinco volantes, três meias e sete atacantes. O intercâmbio com time Sub-23 também é presente na metodologia adotada pela comissão técnica, com jogadores subindo ao plantel de Chamusca.

Qualidade presente

As chegadas são importantes, mas o coletivo deve se sobressair. Com diferenças de investimento para os gigantes nacionais, Ceará e Fortaleza já mostraram força na Série A - superando até as campanhas de 2019.

Os dados de análise do SofaScore, especializado em estatísticas, mostram pontos positivos no ataque e na defesa. A peça principal do Alvinegro é o meia Vina, com seis gols e três assistências. Por outro lado, o Tricolor tem o zagueiro Paulão como protagonista: 72 cortes na competição.

No âmbito coletivo, as características dos trabalhos são ressaltadas. O Vovô, por exemplo, é um dos times com mais desarmes, enquanto o Leão está entre os com menos tentos sofridos.

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