Com dívida ativa de R$ 262 mi, Cruzeiro é excluído do Profut

Diretoria da Raposa prepara defesa para tentar retornar ao programa em meio à crise pela qual o clube passa. Enquanto isso, o clube precisa eleger um presidente "tampão", que fica até o dia 31 de dezembro

Legenda: Em meio à exclusão do Profut, o Cruzeiro passará por eleições
Foto: jogada@svm.Com.Br

O Cruzeiro confirmou ontem ter sido excluído do Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). O clube, em nota oficial, explicou ter sido avisado pela Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut) da decisão e avisou que irá recorrer.

"O clube foi notificado pela Apfut, de uma exclusão em primeira instância, que não é uma exclusão definitiva, e agora o Cruzeiro terá que se defender administrativamente na plenária da Apfut, em 10 dias. Nós faremos este recurso e mostraremos de forma técnica o que nós entendemos", explicou o superintendente jurídico do Cruzeiro e integrante do Núcleo Dirigente Transitório, Kris Brettas.

A exclusão se deu pela falta de pagamento de parcelas ao governo para refinanciamento das dívidas fiscais. Além disso, o balanço de 2018 do Cruzeiro, aprovado com ressalvas pelos conselheiros, apontou prejuízo de 21,5%, superior, portanto, ao limite de 10% da receita bruta, estipulado pela Apfut para o período de 2017 e 2018 - ele foi reduzido para 5% a partir do ano passado.

Dívida atual

Os dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apontaram dívida do Cruzeiro em R$ 261.887.994,79, sendo R$ 253.770.074,73 referentes a tributos e R$ 8.117.920,06 em contribuições previdenciárias. Esse valor, porém, não inclui os reparcelados com o Governo Federal através do Profut.

Caso não tenha êxito em evitar a exclusão do Profut, o Cruzeiro ficará sem os benefícios do programa, sendo o principal o parcelamento especial de dívidas com a União. Além disso, as suas receitas podem passar a ser penhoradas e bloqueadas pelo governo federal. O Núcleo Dirigente Transitório usará a mudança na gestão do clube como argumento para reverter a saída do programa de financiamento das dívidas.

"O Cruzeiro passou por um momento conturbado no ano passado e a exclusão ocorre em virtude de uma má administração nesses últimos dois anos, que lesou bastante o Cruzeiro. E a partir de agora está sendo feito um trabalho interno, de levantamento de valores, inclusive para demonstrar que o clube, quando estava adimplente, fez um pagamento maior, para tentar retornar ao Profut. Vamos mostrar também que o Cruzeiro vive um outro momento, com uma nova gestão", acrescentou o superintendente jurídico.

Mandato tampão

Enquanto o problema com o Profut não se resolve, foi publicado um edital de convocação para as eleições de um mandato "tampão" no Cruzeiro.

De acordo com o GloboEsporte.Com, a votação para a escolha do novo mandatário será no dia 21 de maio. Assumirá uma chapa que irá assumir o clube até o dia 31 de dezembro deste ano, quando terminaria o mandato do presidente Wagner Pires de Sá, que renunciou ao cargo no fim do ano passado.

Atualmente, quem faz a gestão da Raposa de forma provisória é um conselho gestor, que assumiu as funções do ex-presidente Wagner Pires de Sá e dos vices Hermínio Lemos e Ronaldo Granata.

O Estatuto do Cruzeiro diz que as eleições extraordinárias serão convocados os conselheiros beneméritos, natos, e efetivos para votação.

O mesmo Estatuto determina as regras para candidaturas nesta eleição extraordinária. Para disputar a vaga de presidente do Cruzeiro, o candidato tem que conselheiro benemérito ou nato com, no mínimo, três mandatos completos e ininterruptos como conselheiro. A posse será em 1º de junho de 2020.

O Cruzeiro foi excluído do Profut devido à dívida milionária que tem. Enquanto isso, conselheiros do clube se preparam para eleger um presidente provisório até dezembro deste ano

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Dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apontam dívida do Cruzeiro de R$ 261.887.994,73


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