Chamusca prepara mudança de formação tática do Fortaleza

Com mais tempo de trabalho, técnico ensaia variação no esquema tricolor com definição de um meia no time principal. João Paulo, Mariano Vázquez e Marlon podem ganhar espaço no decorrer da temporada

Legenda: Marcelo Chamusca estuda mudanças táticas no Fortaleza
Foto: Camila Lima

O Fortaleza tem um esquema definido, com elenco adaptado aos conceitos aplicados, mas a comissão técnica estuda uma transição para nova formação: 4-3-3 ou 4-2-3-1. A inserção principal é a do clássico "Camisa 10" no meio-campo. Com maior período de trabalho, Marcelo Chamusca prepara o plantel para ampliar o repertório tático na sequência da Série A do Brasileiro.

O desafio é ensaiar a estratégia no calendário apertado. Dos resquícios de Rogério Ceni, o time tem o 4-4-2 como arma de defesa e a variação para 4-2-4 no momento ofensivo. Na primazia da posse de bola, usa os lados para agredir o adversário através do jogo de posição entre ponta e laterais - um por dentro e outro pelo corredor do campo.

No Fortaleza de 2020, em que o modo de atuação foi escolhido e lapidado com o avançar da temporada, os volantes são responsáveis por municiar e dar ritmo ao coletivo.

O caminho trouxe a equipe até o principal momento da história recente: participação na Sul-Americana, título da Copa do Nordeste e oitavas da Copa do Brasil. Tudo é reconhecido por Chamusca, que trabalha em prol da manutenção do perfil vitorioso.

A alteração é para superar as limitações e as características menos aproveitadas do time, principalmente em contexto específico de jogo: contra adversários mais retrancados. Em coletiva após empate com Goiás, quando o Fortaleza dominou as ações, o técnico ressaltou a possibilidade.

"A gente pode e vai buscar alternância principalmente contra adversários que jogam com linha baixa e por uma bola. Uma alternância para ter mais jogadores de construção na última linha e isso requer tempo. Vamos ter agora uma semana para preparar, quase uma semana, requer tempo para criar e vamos começar a fazer a partir dessa semana porque desde que cheguei é treino, recupera e vai ao jogo", explica.

O objetivo é melhorar a organização ofensiva. Na última rodada, o time registrou mais posse de bola (69%), finalizações (15) e passes (619). O domínio até resultou em gol de Wellington Paulista, no entanto, também foi evidente a dificuldade para romper as linhas do Esmeraldino, em situação contornada pelo excesso de lançamentos (52), nem sempre produtivos.

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Mais espaço

O papel de articular pode ser exercido por diferentes peças do elenco. Seja um nome adaptado ou mesmo de origem na posição, o Fortaleza tem atletas com a referida característica e pode dar mais rodagem em caso de confirmação da mudança tática.

Na disputa por vaga, três nomes são prioritários. O recém-chegado João Paulo, por exemplo, chega com as credenciais conhecidas por Chamusca. Estreou contra o Goiás e ficou nove minutos em campo. O suficiente para acertar 100% dos passes e finalizar uma vez.

Destaque na Série B pela Ponte Preta, tem muita movimentação e poder de fogo - marcou 10 vezes na atual temporada. Pode ainda atuar mais avançado.

A concorrência principal é do argentino Mariano Vázquez. Na equipe desde 2019, teve poucas chances de apresentar continuidade. Na chegada, o maior atributo era a assistência, e assim, entrou em momentos específicos dos jogos com Ceni, mas para atuar recuado no meio-campo e colaborando com a saída de bola. No ano, são nove exibições na Série A.

O último candidato corre por fora: Marlon. Dos citados, o mais experiente (contratado em 2018) e com mais partidas pelo time (93). O atleta tinha papel central no meio-campo do Sampaio Corrêa, mas sempre foi utilizado em diferentes setores no Fortaleza. Polivalente, já foi lateral, volante, meia e atacante. E fica mais distante do posto justamente pela utilidade coletiva.

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