Cearenses aproveitam quarentena para alavancar e-Sports no Estado

Equipe MACE Gaming, fundada há dois anos, vive momento de ascensão. Ao contrário de todos os outros esportes, atletas de jogos eletrônicos aproveitam o período de isolamento social para intensificar os treinamentos

A pandemia do novo coronavírus paralisou o mundo dos esportes. Em tempos de quarentena, todas as competições e atividades foram suspensas, mas há quem consiga adotar diferentes métodos para se adaptar em meio ao isolamento social. É o caso dos fãs e praticantes dos eSports, que têm conseguido aproveitar o período de forma produtiva.

A modalidade de jogos eletrônicos, espécies de videogames, tem crescido bastante nos últimos tempos e conta com uma imensa legião de adeptos em todo o mundo, se fortalecendo ainda mais agora, que muitos jovens e crianças estão em casa. Mas se engana quem pensa que a atividade é só pra quem busca diversão. Tem muita gente que leva a brincadeira a sério.

A turma do Mace Gaming, equipe cearense de esportes eletrônicos que está em ascensão, aproveita a quarentena para aprimorar os treinamentos. Fundada em 2018, ela conta com cinco jogadores, um streamer, um coach, um social mídia e já participa de campeonatos, inclusive acumulando títulos.

Tudo é voltado ao "League of Legends", jogo online de batalhas entre os participantes que é conhecido como LoL e atualmente é o game mais jogado do mundo, com mais de 1 bilhão e 200 milhões de jogadores.

Ao contrário de praticamente toda a sociedade e outras modalidades esportivas, os jogadores de e-Sports têm sido pouco afetados por conta do isolamento social.

"Nossa rotina não mudou tanto. A gente continua treinando em casa. Temos cuidados de não sair, sempre recomendamos a higienização e tudo mais. O que afetou foi a parte dos campeonatos, que foram todos pausados, sem exceções. A gente hoje treina para, quando tudo voltar, não perder ritmo. Mas a rotina segue igual, com os treinos de cada um na sua casa, no seu computador", observa Matheus Celino, de 25 anos, que é administrador de empresas e CEO do Mace Gaming. Para alguns, o período garante até mais tempo livre.

"Até facilitou um pouco. Antes, alguns membros do time tinham outras atividades, como eu que ia para a faculdade. Agora está sendo ensino à distância. Então deu até uma facilitada nos treinos, porque todo mundo tem um pouco mais de tempo. A gente pode dar uma atenção maior visto que as outras coisas estão paradas. Todo mundo fica um pouco mais livre, e conseguimos com isso focar mais e aperfeiçoar nosso nível de jogo", destaca o jovem Júlio Bandeira, conhecido como Hawky, de somente 17 anos e estudante de ciência da computação, que é um dos integrantes do time.

Apesar de ser uma equipe ainda amadora, a Mace tem pretensões e projeções de crescimento, sobretudo pela intenção de exercer protagonismo em um cenário ainda não muito explorado em âmbito estadual. "A gente quer buscar estruturar cada vez mais a equipe e dar suporte aos nossos atletas, para que a gente possa chegar à a elite do Brasil no nosso ramo e regionalizar nosso e-Sport", diz.

E acrescenta: "queremos fazer com que o torcedor cearense tenha um time para torcer, uma referência, e que a gente possa conseguir levar o nome do nosso Estado para o Brasil todo". Matheus, lembra que o Brasil detém a 3ª maior comunidade do mundo no jogo, atrás somente de grandes centros, como China e Estados Unidos.

A próxima etapa para conseguir isto é a profissionalização. Para atingir o nível ideal, será preciso muito treinamento e muita dedicação nos torneios. Certo é que o tempo de quarentena tem sido bem aproveitado para pavimentar este caminho.


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