Ceará investe nas jogadas aéreas, mas tem dificuldade em fazer gols

Vovô está entre os times com mais escanteios e cruzamentos no Brasileirão, mas Adilson Batista muda esquema, passa a atuar sem centroavante e Alvinegro fica sem referência no setor ofensivo, que continua com problemas

Legenda: Ataque do Ceará continua decepcionando muito na Série A
Foto: Natinho Rodrigues

A derrota por 2 a 1 para o Santos, em plena Vila Belmiro, é daqueles resultados que estão dentro da normalidade no planejamento de um time que luta contra o rebaixamento. Para o Ceará, porém, o revés tem um peso a mais pelo momento negativo que o clube ultrapassa. E muito disso se deve pelo ruim desempenho do sistema ofensivo, algo que piorou após a chegada do técnico Adilson Batista, que passou a atuar sem centroavante e dificultou ainda mais que o ataque do Vovô seja efetivo.

Prova disso é que o Ceará está entre os times com mais escanteios e cruzamentos no Brasileirão. No quesito de tiros de canto, o Alvinegro está empatado com o Flamengo, com média de 6,6 escanteios por partida. Já nos cruzamentos, o Vovô está isolado na primeira colocação do ranking, com média de 20,3 levantamentos certos por jogo.

Os números são do site Sofascore, especialista em estatísticas futebolísticas, e evidenciam dois pontos preocupantes. O primeiro é que um time com alta dependência de cruzamentos mostra dificuldade de articulação através de passes curtos, pelo chão, e precisa apostar em bolas alçadas na área como melhor forma de infiltrar na defensiva adversária e se aproximar do gol.

O segundo é que a jogada poderia até ser vista como um recurso produtivo, se fosse eficaz e resultasse em gols, mas não é o que acontece com o Ceará. Nas últimas 12 partidas, o Vovô só balançou as redes adversárias em seis oportunidades. A média, portanto, é de somente um gol marcado a cada dois jogos.

A dificuldade em crer que o desempenho evoluirá é ainda maior considerando as mudanças táticas realizadas pelo técnico Adilson Batista.

Nas quatro partidas em que comandou o Alvinegro, o técnico testou várias formações táticas diferentes, passando por 4-4-2, 4-3-3, 4-5-1 e até 4-6-0, sem nenhum atacante de ofício sequer.

Em somente uma partida ele escalou de início o Vovô com um centroavante de titular, o que garante a presença de uma referência ofensiva.

A ocasião em questão foi a escalação de Felippe Cardoso na derrota por 2 a 1 para o Grêmio, em duelo válido pela 24ª rodada do Brasileirão. Porém, o desempenho não foi o esperado e ele acabou sendo substituído no 2º tempo da disputa. Nos outros jogos, Adilson optou por iniciar jogando sem um "Camisa 9" como referência, e a tendência é que a opção seja mantida também para a partida contra o Bahia, às 19h30min desta segunda-feira (21).

É provável que o treinador alvinegro volte a escalar o atacante Willian Popp, que volta a ficar à disposição após ser desfalque por conta de suspensão. Além dele, o próprio Felippe Cardoso, que não atuou contra o Santos por questão contratual, também fica novamente como alternativa, mas deve ir no banco de reservas.

Certo é que, independentemente de quem jogar, melhorar o aproveitamento nas bolas aéreas pode ser o caminho para que o Ceará vença o Bahia.

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