Ceará deve melhorar desempenho defensivo para sonhar com Libertadores; veja números

Na atual temporada, Vovô tem média de gols sofridos maior que os dois últimos anos de Série A

Legenda: Tiago Pagnussat é um dos destaques da defesa do Ceará na temporada
Foto: Thiago Gadelha / SVM

O Ceará tem ambição na Série A do Brasileiro. Internamente, a cúpula alvinegra busca manutenção na elite no terceiro ano consecutivo do clube na 1ª divisão nacional, mas o desempenho ascende para chance até de ingressar na Taça Libertadores. Para tal, o plantel requer ajustes e atravessa maior consolidação do sistema defensivo.

Em 30 partidas na competição, o time sofreu 41 gols. A média de 1,36 tentos é pior que a registrada nas duas últimas temporadas, quando encerrou o torneio apresentando um melhor resultado do setor, apesar de brigar na parte baixa da tabela de classificação.

No último ano, por exemplo, o Vovô foi vazado o mesmo número de vezes, mas a contagem envolveu 38 rodadas - oito a mais. Em 2018, a equipe encerrou com média de um recebido por jogo.

O panorama perpassa o panorama tático adotado sob comando de Guto Ferreira. E o acréscimo da responsabilidade também soma falhas individuais registradas. Antes, vale ressaltar que a defesa tem um quinteto firme e titular: Richard, Luiz Otávio, Tiago Pagnussat, Samuel Xavier e Bruno Pacheco.

No âmbito técnico, os componentes apresentam destaque. O próprio Pagnussat é o 2º jogador que mais vence disputas defensivas no Brasileirão. O critério engloba situações como rebatidas, divididas, roubadas de bola, interceptações e duelos aéreos.

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Assim, a busca é por equilíbrio, principalmente pelo funcionamento do ataque: o 5º melhor da Série A ao lado do Santos, ambos com 41 gols marcados. Restando oito partidas para o fim do torneio, o Vovô terá pela frente: Goiás (F), Palmeiras (C), Athletico/PR (C), Corinthians (F), São Paulo (F), Fluminense (C), Coritiba (F) e Botafogo (C).

"Como sempre frisei, o Brasileiro é muito difícil, de altos e baixos. A regularidade é que faz você ir bem. Como tivemos esse revés, o importante é voltarmos logo a pontuar. É o que vamos buscar, aproveitando o nosso retrospecto fora de casa. São oito finais. Tenho fé que vamos terminar bem essa competição. Isso tudo passa pelo dia a dia de trabalho do grupo, se empenhando ao máximo", analisou o zagueiro Luiz Otávio.

Em números gerais, o time teve a defesa intacta no Brasileirão em nove momentos. Ao longo da campanha, com as demais competições, o índice sobe para 26. Logo, os efeitos são coletivos, correspondem ao painel exposto no esquema 4-2-3-1.

Segundo o Departamento de Matemática da UFMG, o Ceará tem, após a 30ª rodada, 90,8% de chance de vaga na Copa Sul-Americana. Para a Libertadores, o índice é de 1%.

Transição

O perfil tático de atuação do Ceará tem a transição como principal momento do jogo, uma das filosofias de Guto Ferreira. O conceito é recuperar a bola e acelerar para enfrentar um adversário desorganizado no sistema defensivo, conseguindo também a rápida conclusão da jogada.

O entrave reside na perda da posse, quando o Vovô aparece menos compacto. O contexto pode deixar a equipe vulnerável ou mesmo exposto às investidas rivais. A perspectiva também é notória nos momentos em que a marcação é adiantada, com pressão dos atacantes.

“Todo mundo se doando facilitou para que a bola chegasse quebrada, como a gente diz, para nós lá atrás. Espero que continue assim", explicou Luiz Otávio. O panorama, de fato, é fundamental na organização da defesa e resultou em gols ao longo da competição.

O dilema é quando essa barreira é superada. A partir do meio-campo, os ajustes são para frear o ímpeto do oponente, que por vezes apresenta superioridade numérica e pode ter vantagem no setor. Os pontos citados são para conseguir compactação e também evoluir o âmbito defensivo.

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