Carência de ídolos no futebol cearense

O último grande ídolo nascido aqui na terrinha querida foi Clodoaldo (28.12.1978). O Clodô, baixinho bom de bola. Gerou o hit "Uh, Terror, Clodoaldo é Matador". Seu futebol encantava pela leveza das peças e dos gols. Obras de arte. Poderia ter ficado milionário. Não ficou. Quem teve futebol também encantador foi Iarley. Nasceu em Quixeramobim (29.03.1974). E de lá para as glórias de dois títulos mundiais: um pelo Boca Juniors da Argentina e outro pelo Internacional de Porto Alegre. Depois desses dois notáveis talentos, o futebol cearense não mais produziu ídolos de tamanha grandeza. Clodoaldo foi mais doméstico; Iarley ganhou o mundo. Hoje, 15 de fevereiro, vejo e revejo tudo o que o atual certame estadual já mostrou. Busco um Clodô. Não encontro. Busco um Iarley. Não encontro. Carência grande. Os ídolos mais recentes que por aqui passaram não nasceram no Estado do Ceará: Everson é paulista de Pindamonhangaba, Arthur Cabral é paraibano de Campina Grande e Gustavo (Gustagol) é paulista da cidade de Registro. Fico a perguntar a razão por que o futebol cearense, que já foi celeiro de craques, hoje vive de importações.

Celeiro

O futebol cearense foi celeiro de craques. Na década de 1960, a Escolinha do Moésio Gomes, no Fortaleza, foi exemplo de trabalho na revelação de muitos atletas. Uma época profundamente profícua. Tempos depois, não sei precisar os anos, foi o técnico Lula Pereira quem mais revelou jogadores, quando nas bases do Ceará. Depois de Lula, estancou.

Público

A boa presença de público tem tudo a ver com os ídolos. Observem que quando há ídolos, os estádios recebem número bem expressivo de torcedores. Não por acaso, o futebol europeu tem estádios superlotados sempre. Os times europeus trabalham em cima das celebridades. Contratam a peso de ouro, mas têm retorno garantido. Um "Eldorado".

Dificuldades

Ceará e Fortaleza estão investindo nos CTs. Apostam na formação de atletas. Mas até agora o número de revelações não me parece condizente com o investimento feito. Segundo a minha ótica, ainda está aquém do esperado. Crédito de confiança no aperfeiçoamento desses trabalhos, visando a fazer com que o custo/benefício se justifique.

Um retrocesso é observado no futebol do município de Horizonte, que, faz poucos anos, esteve na vanguarda. Obteve vagas na Copa do Brasil e encarou grandes times brasileiros. Experimentou momentos de elevado progresso nas mãos do saudoso técnico Argeu dos Santos, dos técnicos Filinto Holanda e Roberto Carlos. Ultimamente, no entanto, a qualidade caiu.

Os três grandes times da Capital, não por pura coincidência, mas pelo resultado de maiores investimentos, ocupam os três primeiros postos da classificação do certame cearense de futebol: Ceará, 6 pontos, líder pelo saldo de gols; Fortaleza, vice, 6 pontos; Ferroviário, 3º, 3 pontos. Mas observem a chegada do Guarany, também com 3 pontos, mas perdendo no saldo de gols.

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