Bate-Papo: Hélio dos Anjos ressalta profissionalismo atual do Fortaleza

Treinador acumula quatro passagens pelo Tricolor do Pici, vivendo o melhor e o pior momento no clube. Hélio dos Anjos revelou, inclusive, um arrependimento: ter deixado o comando técnico do time em 2004

Legenda: Hélio dos Anjos relembrou as suas passagens pelo Fortaleza
Foto: Jorge Luiz/Paysandu

O futebol é capaz de reservar a clubes a repetição do mercado. Atletas, treinadores ou dirigentes que somam mais de uma passagem. Hélio dos Anjos tem essa ligação de "idas e vindas" no futebol cearense. Foram quatro passagens (2004, 2005, 2006 e 2013) pelo Fortaleza, entre bons e maus resultados, criando um laço com o Tricolor do Pici, principalmente no melhor momento do clube, quando disputou a 1ª divisão do futebol brasileiro, em 2005 e 2006. Recentemente, ele deixou o comando do time do Paysandu.

"Eu vejo o Fortaleza hoje e preciso parabenizar publicamente. Nada do que está acontecendo foi de graça, tudo é em cima de uma organização, pessoas sérias, trabalho convicto. Quando cheguei em 2004, as dificuldades eram imensas. O apoio era relacionado ao futebol, no caso a Santana Téxtil (empresa patrocinadora do clube à época). Quem me trouxe foi a empresa. Quando cheguei, achei as instalações muito difíceis para você trabalhar e, praticamente em 90 dias, o pessoal da Santana derrubou toda a estrutura e fez outra mais simples, para que pudéssemos ter o mínimo e trabalhar", relembra Hélio dos Anjos.

Em 2004, o treinador iniciou a campanha na Série B do Campeonato Brasileiro que levou o Leão do Pici ao acesso. Mas, no meio do processo, ele deixou o clube para assumir o Vitória, que estava na Série A.

"O Fortaleza sempre foi um clube carismático. A minha primeira relação foi assim, positiva e de bons resultados. Mas tenho arrependimento de ter saído do Fortaleza em 2004 para treinar o Vitória. Minha escolha foi para ajudar um amigo, o Paulo Carneiro, um cara que me ajudou demais e não poderia virar as costas, mesmo o Fortaleza precisando muito de mim naquele momento", pontuou.

Lúcio e Rinaldo

O trabalho na Série B do Brasileiro foi iniciado com a dupla Lúcio e Rinaldo. Mas antes da metade da competição, os dois deixaram o Fortaleza. Inclusive, em entrevista ao "Bate-Papo com os Craques, na Rádio Verdes Mares, o atacante Lúcio revelou que temia a chegada de Hélio dos Anjos no Fortaleza, já que o treinador não colocava o atleta para jogar na época de Goiás.

"Em 1995, no Goiás, era um menino, mas de muita qualidade. Em 1994, no acesso do Goiás, ele jogou demais. Quando nos reencontramos em 2004, ficou aquele mal-estar inicial. Mas é um espetacular jogador, grande ser humano. Foi um cara que me ajudou demais nessa primeira passagem pelo Fortaleza, é algo que não tem preço. Claro que você não será unanimidade entre todos os jogadores, mas ser elogiado pela sua seriedade e profissionalismo é algo maravilhoso. Ser campeão todo mundo acha bonito, mas pagar o preço para ser campeão que é o difícil", analisou o treinador.

A base do bom trabalho e das conquistas de Hélio dos Anjos pelo Fortaleza foi municiada e conduzida com auxílio da dupla Lúcio e Rinaldo no time. "Lúcio é um ídolo, Rinaldo também. Até hoje tenho contato com eles. Foram dois jogadores fantásticos na história do Fortaleza e que me ajudaram demais enquanto estive no clube. Quando eu tenho um grande grupo de jogadores, eu costumo falar o seguinte: 'eu vivo deles e para eles, o que eu vivo é do atleta'. E agora, eu dou a minha vida pra eles. É a relação mais correta e sincera que deve existir. Pode ter certeza que o Rogério vive isso no clube", destacou Hélio, referindo-se ao atual técnico do time do Fortaleza, Rogério Ceni, que já tem quatro títulos no comando do clube em questão.

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