Bate-Papo: Alcimar relembra bastidores do Icasa no Estadual de 2005

O atacante foi um dos grandes ídolos que passaram pelo Icasa e, por muito pouco, não conseguiu ser campeão cearense. Ficou marcado pelos gols que fez em cima do Fortaleza

A hegemonia de campeões cearenses da Capital dura quase 30 anos. O Interior vive um jejum de conquistas em nosso Estadual, mas durante esse período tiveram momentos de protagonismo. Um dos maiores exemplos recentes é o Icasa, que hoje está na 2ª divisão. O clube já esteve muito próximo de ser campeão cearense, principalmente em 2005, quando chegou a ser campeão do 1º turno, mas perdeu a final para o Fortaleza que, à época, estava na Série A.

Nesse tempo, o Verdão do Cariri tinha uma grande referência: Alcimar. O condutor da campanha histórica do Icasa, que por questão de regulamento, não foi campeão. No 1º jogo da final, vitória icasiana por 3 a 1. Mas a vantagem não contava saldo de gols. No 2º jogo, o Fortaleza venceu por 1 a 0, no tempo normal, repetindo o placar na prorrogação, saindo com a taça.

"Uma das coisas que até hoje eu me pergunto: que regulamento é esse? Como um time vai disputar a final, em que ele ganha por 3 a 1, aí ele toma um gol no segundo jogo, vai para prorrogação, toma outro gol, e o Fortaleza é campeão? Eu nunca vou entender esse tipo de regulamento", relembra em tom de crítica Alcimar.

Domador de Leão

Alcimar jogava de duas formas dentro de campo: como meia-armador e atacante, desempenhando duas funções. Foi o grande destaque do Estadual, o que rendeu transferência para jogar no Coritiba, no mesmo ano, pela Série A do Brasileiro. Ele, inclusive, fez gol no Fortaleza.

O apelido de "Alcimau, domador de leão", ficou marcado pela quantidade de gols feitos contra o Tricolor. Quatro gols na final do 1º turno do Cearense, na goleada por 4 a 1, e três gols na final do campeonato. Algo marcante para uma equipe do interior que protagonizava as atenções no Estadual.

"Foi a minha melhor atuação na carreira. Mas vou contar uma história que ninguém sabe. Eu tinha feito um acordo com o diretor. Ele me prometia 200 reais por gol que eu fizesse, mas ele estava me devendo e não consegui falar com ele para me pagar. Era por volta de 10 horas da noite, na véspera do jogo, eu estava chateado e no quarto mesmo, escondido. Só quem sabia era meu parceiro de quarto. Tomei 15 'latão' de cerveja e um filé com fritas. Meu companheiro de quarto pedia para eu pegar leve. Disse que estava tranquilo e iria guardar dois gols de qualquer jeito. Não consegui levantar para tomar café e fui só para o almoço. No fim da história saíram quatro. Foi uma tarde iluminada", relembrou Alcimar.

Idolatria no Icasa

Hoje treinador do Icasa, Washington Luiz era um dos jogadores do Icasa na época de ouro. Alcimar não perdeu em nenhum momento, mais de 10 anos depois, o contato e amor pelo Verdão do Cariri e a cidade de Juazeiro do Norte.

"O clube ficou perto de subir para a 1ª divisão e hoje está na 2ª divisão estadual, é uma vergonha! Um absurdo! Espero que a nova comissão e o novo presidente possam dar um novo destino ao Icasa. Espero que volte ao lugar que merece. Hoje, eu quero ver um time onde marquei história lá em cima".

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