Basquete Cearense tem futuro incerto e busca recuperação

Por conta da Covid-19, a temporada do NBB acabou prematuramente para o Carcará, que não jogará mais quando a competição voltar. Com isso, equipe tem cenário incerto e tenta medidas para se readequar e voltar mais forte

Legenda: Basquete Cearense vive indecisão após parada por causa da pandemia do novo coronavírus
Foto: Camila Lima

A pandemia do novo coronavírus afetou o mundo esportivo em cheio. O cenário ainda inconclusivo faz com que muitas equipes ainda não saibam o que esperar dos próximos meses, sobretudo quem já passava por dificuldades. Neste contexto, o Basquete Cearense, que não jogará mais na temporada, tem futuro incerto e vive uma realidade de indefinições na busca por recuperação.

Por conta da evolução da pandemia, a Liga Nacional de Basquete (LNB) decidiu, de forma unânime com os clubes participantes, que a temporada do Novo Basquete Brasil (NBB) voltará diretamente na fase de playoffs. Ou seja, a etapa preliminar será encerrada precocemente.

Com isso, o Carcará, que estava na penúltima colocação entre os 16 participantes e não possuía mais chances de classificação, não realizará os quatro jogos que restavam contra São Paulo, Brasília, Minas e Unifacisa. Assim, encerra as atividades de forma prematura e preocupante, mesmo sem ter risco de ser rebaixado - o NBB não tem descenso nesta temporada.

Os resultados foram muito aquém do esperado. Em 26 jogos, apenas cinco vitórias. Além do desempenho, a situação fora das quadras também foi complicada, e agora o clube mantém diálogo com os atletas para tentar encontrar acordos que não sejam tão prejudiciais. A maioria dos contratos se encerraria no fim de maio, o que pode ajudar numa resolução.

"Estamos avaliando o impacto e conversando individualmente com atletas e comissão técnica. São casos bem individuais em relação a tempos de contrato, modelos... Nós estamos lidando de uma forma personalizada. Obviamente que a gente quer resguardar ao máximo os direitos dos profissionais, mas contando com a compreensão e colaboração de todos. É notório que, num caso de força maior, como é esse da pandemia, toda a cadeia é afetada", destacou Thalis Braga, presidente do Basquete Cearense.

A folha salarial do elenco e da comissão técnica gira em torno de R$ 100 mil. Houve dificuldade para pagá-la e até atrasos. Thalis explicou que a situação se agravou pela ausência de um patrocinador master. Mas ele acredita que o Carcará dará a volta por cima. "O Basquete Cearense tem uma marca de resiliência, de luta, de não se entregar. A gente vai trabalhar pra conseguir reestruturar o projeto, conseguir retornar no próximo ano".

Experiência vital

Um dos jogadores mais experientes do elenco e identificados com o clube, o ala/pivô Felipe Ribeiro não esconde a vontade de fazer parte do processo de reconstrução do Carcará. "A gente teve uma temporada duríssima, mas estamos motivados pra dar a volta por cima. É um momento de incerteza. Estamos tentando manter a equipe para voltar mais forte no ano que vem. A gente já deu essa volta por cima, quando perdemos um grande patrocinador e, no ano seguinte, ficamos entre os oito melhores".

Felipe ainda ressaltou a importância do esporte para a sociedade em geral. "Neste momento de pandemia, podemos olhar para o que nos apegamos, que é a prática esportiva, a arte e a cultura. É o que às vezes acaba sendo esquecido pela população, mas tem uma importância muito grande".


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