Análise: Ferroviário tem muitas falhas na defesa e não consegue reagir contra Paysandu

Time coral produziu muito, mas ficou exposto ao contra-ataque e viu o Papão aplicar 2 a 0 no primeiro tempo, ontem, na Arena Castelão. Sem organização, teve dificuldades para romper as linhas e não conseguiu reverter na etapa final

Legenda: O Ferroviário criou muito, mas não conseguiu reverter o placar na Arena Castelão
Foto: Kid Júnior / SVM

Um Ferroviário acelerado, nervoso e muito exposto ao contra-ataque. O time coral esteve longe dos melhores momentos contra o Paysandu, sábado (20), e foi superado por 2 a 0 pela 7ª rodada do Grupo A da Série C do Campeonato Brasileiro. O detalhe: o resultado interrompe a invencibilidade do Tubarão da Barra em casa e deixa o Papão no G-4.

É fato, na tabela, a vantagem conquistada no início da competição mantém o time de Marcelo Vilar na vice-liderança, ma agora são três partidas sem vitória. E dessa vez, os gols, ambos no 1º tempo, serviram para externar as limitações defensivas da equipe.

A entrega até existiu em campo, havia muita intensidade e, consequentemente, o volume foi criado contra o Papão. Mas o Tubarão teve tanta pressa para resolver que pareceu gostar pouco da posse excessiva que tinha. Com o adversário com linhas muito recuadas, a organização ofensiva era mal planejada, o time insistiu em lançamentos longos, duelos individuais e, ao ocupar a defesa paraense, deixou a defesa vulnerável.

As laterais foram os pontos chaves do duelo. Olávio, improvisado no lado direito, deu liberdade para Vinícius Leite infiltrar e arrematar colocado, sem chances de defesa: 1 a 0. O placar então foi fechado quando Uilliam Barros aproveitou corredor nas costas de Tiago Costa na direita, entrou na área e escorou para Nicolas apenas desviar no 2 a 0.

Na perspectiva tática, a defesa faz parte da construção ofensiva e precisa da efetividade, ou seja, uma interferência positiva no marcador, para converter a pressão em triunfo. O trio de ataque - Caíque, Siloé e William Lira - teve movimentação e construiu brechas no último terço, mas pecou na finalização.

Legenda: Nas jogadas ofensivas, o Ferrão deixou espaços para o contra-ataque
Foto: Kid Júnior / SVM

O termômetro da equipe, Wellington Rato, também esteve desconectado. Com espaço para flutuar na frente dos volantes, errou sistematicamente os passes e dificultou a criação coral. Aos 33, quando retornava para recompor, fez nova falta e terminou expulso com dois amarelos, quase decretando o placar indigesto.

O alento fica pela atuação de André Mensalão. Titular diante da Jacuipense/BA na rodada anterior, teve nova chance ao sair do banco de reservas e conseguiu construir situações de arremate. No entanto, a transpiração excedeu após 12 minutos: faltou fôlego para manter as linhas avançadas e brigar pela vitória.

A lição é de repertório. O Tubarão da Barra faz grande campanha, mas esbarra em adversários fechados. Pela colocação na tabela, a tendência é de ter o cenário repetido em confrontos futuros, o que exige maior rotação e paciência para administrar a posse de bola e furar as retrancas.

Protesto

Ao chegar na Arena Castelão, os atletas do Ferroviário exibiram uma faixa pedindo respeito ao clube após decisão da CBF de retirar os mandos corais para preservar o gramado, cuja prioridade são times da Série A. Em campo, os jogadores do Tubarão também realizam manifestação, ficando nove segundos parados.

Time coral produziu muito, mas ficou exposto ao contra-ataque e viu o Papão aplicar 2 a 0 no primeiro tempo, ontem, na Arena Castelão. Sem organização, teve dificuldades para romper as linhas e não conseguiu reverter na etapa final.

Ficha técnica

Ferroviário 0x2 Paysandu

Gols: Vinícius Leite (22 1´T) e Nicolas (34´ 1T)

Cartões amarelos: Serginho, Uchôa, Nicolas (PAY) / Vitão, Wellington Rato e Diego Lorenzi (FAC)

Cartão vermelho: Wellington Rato (FAC)

Ferroviário: Nícolas; Olávio, Vitão, Túlio e Tiago Costa (Madson); Diego Lorenzi, Magno (Julio) e Wellington Rato; Caíque (André Mensalão), Siloé (Wesley) e Willian Lira 
(Junior Batista). Técnico: Marcelo Vilar.

Paysandu: Gabriel Leite; Tony, Perema, Micael e Bruno Collaço; Uchôa, Wellington Reis (Serginho / Diego Matos), Juninho (Elielton) e Vinícius Leite; Uillian Barros (PH) e Nicolas. Técnico: Leandro Niehues.

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