De estagiária a diretora de operações: a trajetória de Giselle Fonteles no mercado de telecom

Em entrevista à série “Dona de Si”, Giselle Fonteles, primeira diretora de operações da empresa de telecom conversou sobre carreira e empoderamento feminino

Giselle Fonteles, primeira diretora de operações de uma empresa de telecom.
Legenda: Giselle Fonteles, primeira diretora de operações de uma empresa de telecom.
Foto: Aldair Pereira

Toda grande oportunidade não vem sem um grande desafio. Após 15 anos do primeiro contrato de estágio, a administradora Giselle Fonteles, recebeu o convite, em meio a pandemia da Covid19, para se tornar a primeira mulher a assumir um cargo de Chief Operating Officer (COO) na diretoria de operações da empresa de telecom. 

Mãe, esposa e líder, Giselle mostra que é possível, sim, eliminar a crença de que é preciso abrir mão da maternidade ou da família para alcançar grandes cargos. A liderança feminina precisa estar cada vez mais presente nas organizações.  

“A gente tem que quebrar esse paradigma que as empresas acham que as mulheres só dão custo porque são mães, porque precisam sair, porque sempre vão priorizar a família em relação ao trabalho, enquanto o homem não. A gente tem que desmitificar isso”, afirma Giselle Fonteles. 

Reconhecida pelo seu esforço desde o início da sua carreira, a administradora se mostra bastante realizada com as escolhas que fez. Em sua trajetória de crescimento, passou pelo call center, supervisão, gerência, até chegar ao cargo mais alto de diretora. “A próxima meta é de acionista. A gente tem que pensar lá na frente, né?”, projeta Giselle.   

Nessa entrevista exclusiva à SISI, a executiva vai falar sobre os desafios de estar no mercado de trabalho, como concilia as outras atividades e dicas para alcançar posições de liderança. “Quando você faz aquilo que ama, tudo flui. Eu acho que todo novo desafio vem com empolgação. É aquele desejo de fazer tudo aquilo que você não conseguia fazer antes”, afirma Giselle Fonteles. 

  

Quem é a Giselle Fonteles?   

Sou mãe, filha, adoro gente, adoro natureza, sou esposa, dona de casa. Sou multitarefa como todas nós somos, né? Tenho uma menina, a Julia, de um ano e quatro meses. 

“Sou multitarefa como todas nós somos, né?” 

Se você pudesse definir seu atual cargo em uma palavra, qual seria? 

Desafio! 

Por que? 

Porque é uma oportunidade de quebrar um paradigma de que não existe mulheres nessa função. A gente sempre encontra diretora de RH, diretora de marketing, mas mulher como diretora de operação é a primeira vez. Eu não conheço nenhuma operação que tenha uma mulher à frente nesse cargo, então é um desafio maior ainda, tentar mudar a cara da empresa. Eu tive sempre muito apoio dos meus líderes e colaboradores.  

Já tive outras oportunidades de sair daqui e eu sempre digo: ‘o que me motiva não é só dinheiro, eu acho que dinheiro não é tudo na vida, você tem que trabalhar em uma empresa que seja unida com seus valores e com seus pensamentos, que valorize e desenvolva as pessoas. Hoje, a gente consegue fazer isso aqui na empresa. Tenho mulheres em praticamente todos os meus cargos de liderança. As mulheres, sim, dão conta de tudo. São mães, são filhas e são profissionais acima de tudo. A cada dia mais a gente vem diversificando de um mundo tão machista, principalmente na área de telecom.  

Giselle Fonteles, diretora de operações de uma empresa de telecom.
Legenda: Giselle Fonteles, diretora de operações de uma empresa de telecom.
Foto: Aldair Pereira

“ A cada dia mais a gente vem diversificando de um mundo tão machista, principalmente na área de telecom”, afirma Giselle. 

Você chegou a sentir medo durante sua trajetória de crescimento na empresa? 

Sim. Tive medo de não corresponder ao que me propus a fazer, medo de não ser tudo aquilo que as pessoas esperam de mim, mas ao mesmo tempo, estava muito empolgada. Eu acho que todo novo desafio vem com empolgação e é realmente aquele desejo de fazer tudo aquilo que você não conseguia fazer antes. É um sentimento de responsabilidade quando você recebe uma promoção desse tamanho, principalmente quando se trata de gente, de pessoas. Dá medo, mas não tem essa opção, a gente faz com medo mesmo. E graças a Deus, até hoje, deu tudo certo.  

Giselle Fonteles, primeira diretora de operações de uma empresa de telecom.
Legenda: Giselle Fonteles, primeira diretora de operações de uma empresa de telecom.
Foto: Aldair Pereira

 

O que significa ser mulher no alto posto de uma empresa? 

Quando assumi a supervisão pela primeira vez, minhas funcionárias tinham receio de engravidar. E isso mexia muito comigo. Elas diziam: ‘Giselle, quando a gente voltar será que vamos ter emprego? Porque no mercado de trabalho, quando uma mulher volta da gravidez, ela é demitida’. Eu sempre digo que o que vai garantir seu emprego é seu comprometimento. Sempre fui muito flexível, mesmo antes de ser mãe. Graças a Deus, até hoje, não tive nenhum problema, tanto é que eu saí de licença maternidade em novembro de 2019, tive minha filha, tive meu processo de licença maternidade, consegui trabalhar remoto, veio a pandemia e menos de um ano depois de ser mãe, eu fui promovida a diretora.   

Estou conseguindo fazer o que eu me propus com o tempo limitado que a gente tem, acho que todo mundo tem essa rotina louca durante o dia, principalmente a gente que é mulher, quando chega em casa tem o segundo e o terceiro turno. Eu não posso ficar o dia todo com a minha filha, nem passar o fim de semana todo com ela, mas todo o tempo que eu tenho eu dedico integralmente a ela. O tempo dela é dela. Mas a gente vai conciliando, vai se ‘rebolando’ para dar certo. 

Qual dica você daria para as mulheres que sonham em ter cargos de chefia? 

Gostar do que faz é o principal, é preciso se identificar, fazer aquilo que realmente gosta, caso contrário, você não pode estar em uma empresa que paga bem, se você não estiver feliz, não vai te sustentar por muito tempo, você não vai conseguir fazer o que realmente se propõe.  

 

Giselle Fonteles, primeira diretora de operações de uma empresa de telecom.
Legenda: Giselle Fonteles, primeira diretora de operações de uma empresa de telecom.
Foto: Aldair Pereira

“O fato de ser mulher pode fazer com quem as coisas demorem mais para acontecer, se comparado com os homens, mas, faça seu trabalho bem feito que um dia você será reconhecida”, enfatiza Giselle.
 

E qual é o seu maior sonho? 

Parece ser bem clichê, mas meu maior sonho é que todos consigam ter um ambiente mais favorável, principalmente no mercado de trabalho. Desejo que as pessoas sejam mais comprometidas e mais humanas. Já, como diretora da operação, espero proporcionar um novo patamar à empresa, buscando cada vez mais seu crescimento para que a gente consiga desenvolver o nosso Estado, desenvolver as pessoas, dar oportunidade de trabalho, gerar melhores condições de vida para muita gente. Sonho em levar uma internet de qualidade para todas as pessoas, tratar os clientes com diferencial, com cuidado e zelo e, quem sabe, daqui há dois anos, estar com o dobro de clientes.  

O que te motiva a continuar no mercado telecom? 

 Poder tocar uma empresa de telecomunicações no mercado como o nosso, sendo mulher, dá aquele ‘gostinho’ a mais. O que me motiva realmente é esse desafio de crescer, fazer a empresa dar lucro. A gente que trabalha no mercado telecom, tem o dia a dia muito dinâmico, a gente não tem monotonia, todo dia é uma emoção. Por isso, é preciso trabalhar de forma prazerosa com pessoas que realmente tenham alegria em vir trabalhar, se sintam acolhidas, principalmente em um mundo tão louco que a gente tem hoje.  


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