Wagner Moura fala de política e carreira em talk show dos EUA
Ator promoveu “O Agente Secreto” e comentou cinema brasileiro em alta.
Wagner Moura segue em evidência na divulgação internacional de “O Agente Secreto”. O ator foi um dos convidados do "Late Night with Seth Meyers", exibido na madrugada desta terça-feira (6), onde falou sobre o novo filme dirigido por Kleber Mendonça Filho, sua trajetória fora do Brasil e o momento vivido pelo cinema nacional.
Ambientado em 1977, "O Agente Secreto" acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia que retorna ao Recife tentando escapar de um passado enigmático, mas se depara com uma cidade atravessada por tensões políticas e sociais típicas do Brasil da década de 1970. Além de Moura, o elenco reúne Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Thomás Aquino e Udo Kier. A produção envolve Brasil, França, Holanda e Alemanha.
Durante a conversa, Seth Meyers relembrou as indicações recentes de Moura e brincou com o saldo da temporada de premiações: “Você ganhou um e perdeu dois. Nada mal, porque eu tinha uma única indicação e perdi. Eu daria qualquer coisa para ter a sua vida, irmão”.
O apresentador também destacou a carreira internacional do brasileiro em produções como "Narcos" e "Guerra Civil", abrindo espaço para Moura comentar o viés político de seus trabalhos. “'O Agente Secreto' resultou de uma perplexidade compartilhada entre mim e o diretor [Kleber Mendonça Filho] sobre o que estava acontecendo no Brasil do século 21, quando um presidente estava resgatando valores da ditadura”, afirmou.
Ao ser questionado sobre lembranças pessoais do período militar, já que era criança quando o regime chegou ao fim, o ator refletiu sobre as contradições do País. “A ditadura acabou em 1985, mas os ecos do regime ainda estão lá. O Brasil é muito complexo; é provavelmente o país com a Constituição mais moderna do mundo, mas, por outro lado, foi o último do Ocidente a abolir a escravidão. Colonialismo, imperialismo, violência e golpes de Estado ainda estão presentes na vida do País”, avaliou.
Meyers ainda parabenizou Moura pela indicação ao Globo de Ouro e pela recepção positiva do filme nos Estados Unidos. “Deve ser muito especial fazer esse filme tão pessoal, e ter essa recepção nos Estados Unidos”, disse o apresentador. O ator respondeu destacando o significado desse reconhecimento para os brasileiros: “Sim, é muito importante para nós brasileiros. Porque, naquele período, entre 2018 e 2022, quando o Brasil passou por um momento fascista, eles atacaram universidades, jornalistas e artistas, transformados em ‘inimigos do povo’”.
Valor da cultura nacional
Para Moura, o apoio do público reforça o valor da cultura nacional. "É lindo ver os brasileiros torcendo para um filme brasileiro, desde o ano passado, quando Ainda Estou Aqui ganhou um Oscar, e se sentindo representados por esses artistas. Estou feliz pela nossa cultura".
O ator encerrou a participação contando uma situação curiosa vivida no Festival de Cannes, quando venceu como Melhor Ator, mas não pôde estar presente. Ao receber a notícia, ele estava longe do tapete vermelho: “Eu estava com um saco plástico na minha mão, recolhendo um cocô de cachorro, e pensando: ‘Eu acabei de vencer Melhor Ator em Cannes!’”.