Neil Gaiman e ex-esposa são processados por abuso sexual, estupro e tráfico humano por ex-funcionária
Autor de "Sandman" e "Coraline" nega todas as acusações
O escritor Neil Gaiman está sendo processado, junto de sua ex-esposa, Amanda Palmer, sob acusação de estupro e tráfico humano por Scarlett Pavlovich, uma ex-funcionária que trabalhou como babá na residência do casal, de acordo com informações da AP News publicadas na manhã desta terça-feira (04). Scarlett entrou com ações judiciais em tribunais federais em Wisconsin, Massachusetts e Nova York, alegando que Gaiman a agrediu sexualmente várias vezes, com práticas de sadomasoquismo que envolviam estrangulamento e golpes com cinto. Scarlett alega que Amanda Palmer sabia do histórico de Gaiman quando a contratou. Ele nega todas as acusações.
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De acordo com os processos, Gaiman e Palmer teriam se aproveitado da situação de vulnerabilidade de Pavlovich que estava em situação de rua e vivia em uma praia na Nova Zelândia quando conheceu Palmer. Segundo a vítima, o casal sabia que era ela pobre e sofria de problemas de saúde mental. Na época em que foi trabalhar para eles, Gaiman e Palmer viviam em casas separadas na região de Auckland. A ex-babá foi convidada pela ex-mulher do escritor para morar na casa deles em 2020, quando ainda eram um casal. Ela fazia tarefas domésticas e cuidava do filho do casal.
Scarlett Pavlovich também acusa o escritor de incentivar uma imagem pró-feminismo. A ex-funcionária diz que começou a ter pensamentos suicidas e precisou ser hospitalizada em um hospital psiquiátrico após os abusos.
Início das agressões
Segundo ações judiciais, a primeira agressão aconteceu em fevereiro de 2022. A violência continuou, mas Scarlett Pavlovich continuou trabalhando para o casal, porque estava sem dinheiro e não tinha para onde ir. Além disso, Gaiman disse que a ajudaria em sua carreira de escritora.
Quando Pavlovich contou a Palmer sobre as agressões, a ex-cônjuge lhe contou que mais de uma dúzia de mulheres do passado já haviam lhe dito que Gaiman havia abusado sexualmente delas, de acordo com os processos.
Os ataques não pararam até Pavlovich dizer a Palmer que ela iria se matar, ainda conforme os processos.
“Gaiman se envolveu em muitos atos sexuais não consensuais com Scarlett”, diz o processo. “Esses atos foram abusivos e humilhantes… Scarlett suportou esses atos porque perderia seu emprego, moradia e apoio prometido para sua futura carreira se não o fizesse.”
Palmer sabia dos desejos sexuais de Gaiman e apresentou Pavalovich a ele sabendo que ele a agrediria, diz a ação. Scarlett alega que Gaiman e Palmer violaram proibições federais de tráfico de pessoas e busca pelo menos 7 milhões de dólares em danos.
Essa não é a primeira vez que Gaiman é acusado de praticar violência sexual contra mulheres. Em julho de 2024, com o lançamento do podcast "Master", as primeiras denúncias envolvendo o nome do escritor e roteirista se tornaram públicas. Logo depois, em janeiro, a revista Vulture publicou uma reportagem com relatos de mulheres que o acusam de realizar atos sexuais violentos e sem consentimento.
Após as denúncias, Gaiman emitiu uma declaração afirmando que nunca teve relações não consensuais. “Estou longe de ser uma pessoa perfeita, mas nunca me envolvi em atividade sexual não consensual com ninguém. Nunca”, escreveu Gaiman na rede social Tumblr.
Scarlett Pavlovich disse à New York Magazine que ela registrou um boletim de ocorrência em janeiro de 2023, acusando Gaiman de agressão sexual. No entanto, a polícia não confirmou se Gaiman já esteve sob investigação.