Justiça nega habeas corpus a Buzeira, preso por lavagem de dinheiro

Influenciador seguirá detido após TRF-3 considerar justificadas as suspeitas de ligação com esquema internacional do tráfico.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 11:16)
Buzeira sorrindo para a câmera, com macaco preto no ombro, em meio a veículos de alto luxo como um helicóptero e carros esportivos.
Legenda: O influenciador Buzeira está preso desde o último dia 14 de outubro.
Foto: Reprodução/X.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) rejeitou o habeas corpus solicitado pela defesa de Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira.

O influenciador está detido desde 14 de outubro, apontado como participante de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional. A decisão foi publicada na última segunda-feira (17).

Os advogados de Buzeira alegaram que a prisão preventiva seria excessiva e baseada exclusivamente em trocas de mensagens no WhatsApp. O defensor Jonas Reis sustentou que as autoridades concluíram "de forma precipitada e especulativa que tais mensagens poderiam indicar algum envolvimento indireto com organização criminosa, conclusão destituída de respaldo fático ou jurídico". A defesa também ressaltou que o influenciador jamais foi encontrado com armas ou entorpecentes e que é réu primário.

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A relatora do caso, juíza Raecler Baldresca, discordou das alegações e afirmou que a detenção "está suficientemente fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública, considerando a gravidade da conduta delituosa e as circunstâncias em que ocorreu". Ela também mencionou que Buzeira responde a outros processos na Justiça Estadual, incluindo acusações de tráfico, lavagem de dinheiro e jogo de azar.

Operação Narco Vela

A prisão de Buzeira fez parte de um desdobramento da Operação Narco Vela, que apura o envio de drogas ao exterior por meio de veleiros.

A investigação ganhou força após uma comunicação da DEA (Agência de Repressão às Drogas dos EUA, em português) sobre três toneladas de cocaína apreendidas em fevereiro de 2023, em um barco brasileiro interceptado próximo ao continente africano.

Operações posteriores também registraram apreensões em águas internacionais feitas por autoridades da Espanha e da França.

O esquema seria articulado por Rodrigo de Paula Morgado, apontado como “operador logístico-financeiro” da quadrilha. De acordo com relatório do Coaf, mais de R$ 313 milhões teriam passado por contas controladas por ele entre 2019 e 2024, além de cerca de R$ 100 milhões movimentados em criptomoedas.

As apurações indicam o uso de notas fiscais fraudulentas, contratos de “sócio oculto”, criação de holdings e compra de empresas para operar plataformas de apostas, incluindo a BRX.BET e a RICO.BET, associadas ao nome de Buzeira.