Ex-BBB Gyselle Soares é alvo de protestos por interpretar advogada negra Esperança Garcia

Peça foi encenada no Theatro 4 de setembro, no centro de Teresina, no Piauí

Escrito por Redação,

Zoeira
Selfie da atriz e ex-BBB Gyselle Soares
Legenda: Gyselle interpreta Esperança Garcia na peça 'Uma escrava chamada Esperança'
Foto: reprodução/Instagram

Um protesto de ativistas do movimento negro foi realizado na noite de terça-feira (12) contra a atriz e ex-BBB Gyselle Soares, em frente ao Theatro 4 de setembro, no centro de Teresina, no Piauí. O motivo foi a atuação dela como Esperança Garcia, a primeira advogada negra do Estado, na peça 'Uma escrava chamada Esperança'.

A Rede de Mulheres Negras do Piauí, Sônia Terra, comentou ao portal G1 que o problema seria o "embranquecimento" da figura de Esperança. "As crianças que vão assistir ao espetáculo vão ficar na cabeça que a Esperança Garcia é uma pessoa branca", declarou. 

Legenda: Esperança Garcia é lembrada até hoje como a primeira advogada negra do país
Foto: reprodução/Instituto Esperança Garcia

Esperança Garcia foi uma das mulheres negras escravizadas no município de Oeiras, também em território piauiense. O nome dela veio à público por conta de uma carta escrita ao governo do estado em 1770, na qual denunciava os sofrimentos que sofria na casa dos senhores.

Essa carta só foi encontrada em 1979. E, após solicitação da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do Piauí, Esperança Garcia foi reconhecida pela OAB/PI como a primeira advogada piauiense.

Atriz rebate

Entretanto, segundo Gyselle, que participou do BBB 8, as manifestações não foram motivo de abalo. Ela chegou a afirmar que, como atriz, pode fazer qualquer papel.

"As pessoas têm que comentar o que acham, a gente tem que respeitar o direito de resposta delas, e é importante para mim como atriz poder ser qualquer coisa, posso viver o que quiser, se eu quiser ser uma leoa, vou ser uma leoa", relatou após questionamentos feitos por grupos negros. 

Ainda em entrevista, Gyselle afirmou que se considera "sem cor". "Eu me considero todas as cores, sem cor, um ser humano com coração que pode sentir tudo, de todo mundo. Estamos no mundo, somos todos iguais, nossa pele não tem cor, nosso coração não tem cor, não podemos nos definir assim", continuou sobre a questão. 

Conforme o diretor da peça, Valdson Braga, os movimentos negros foram procurados antes da escolha da atriz, porém os manifestantes informam que a procura não foi registrada.

Valdson opinou, em entrevista à TV Clube, do Piauí, que a atriz não deve ser discriminada por conta de um papel. 

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