Deolane Bezerra deverá retirar mega hair em prisão no Interior de SP

Procedimento é padrão na unidade, conforme apontam policiais penais

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
24 de Maio de 2026 - 10:40 (Atualizado às 10:40)
capa da noticia
Legenda: Deolane irá para penitenciária de Tupi Paulista, local com capacidade para 714 detentas.
Foto: Van Campos/Agnews.

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra presa na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, que apura um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), terá que retirar o mega hair (aplique de cabelo) para permanecer na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no Interior de São Paulo. 

A informação foi repassada ao G1 por policiais penais da unidade. 

Segundo os relatos do policiais penais, o procedimento é adotado por questões de segurança, já que o cabelo alongado poderia representar “risco de fuga”, não necessariamente da acusada. Além disso, piercings também não são permitidos na unidade.

Deolane foi transferida para o interior de São Paulo depois de passar pela penitenciária na capital, onde policiais penais denunciaram supostas regalias concedidas à influenciadora. 

Na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, segundo os policiais, a influenciadora está em uma ala destinada a presos advogados, em celas chamadas de Estado Maior, e não divide espaço com presas comuns. Ela também não mantém contato com as demais detentas da unidade.

A influenciadora estaria utilizando uniforme padrão e os mesmos itens fornecidos às outras presas, como toalhas, cobertores, lençóis, travesseiros e colchões.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que "todos os presos do estado estão sujeitos às normas do sistema prisional paulista".

Sindicato denunciou regalias

Na sexta-feira (22), o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou à SAP supostas regalias concedidas à influencer enquanto ela ficou presa por 14 horas na penitenciária da capital.

Entre os supostos privilégios denunciados pelo Sinppenal estariam:

  • Improvisação de uma cela especial para Deolane, destinada originalmente a detentas que aguardavam consultas médicas; ela ficou sozinha no local.
  • Instalação de cama de ferro com colchão, lençol e travesseiro diferentes dos usados pelas demais presas, que dormem em camas de concreto.
  • Instalação de chuveiro elétrico privativo no local onde Deolane ficou presa; as demais presas têm direito, mas fazem uso em um espaço coletivo.
  • Realização de reforma e pintura no espaço ocupado por Deolane, descritas como melhorias estruturais restritas ao alojamento dela.
  • Restrição de acesso de policiais penais ao local, o que teria comprometido a fiscalização e a segurança institucional.
  • Recepção pessoal de Deolane por um dos diretores da unidade, apontada como tratamento diferenciado sem respaldo legal ou regulamentar.

A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) informou que "existe previsão legal no Estatuto da Advocacia para que advogados presos preventivamente, ou seja, antes do trânsito em julgado da sentença, sejam recolhidos em sala de Estado-Maior ou, na ausência, em local equivalente, separado dos presos comuns."

"A Comissão de Prerrogativas da OAB SP acompanha o caso envolvendo a advogada e influenciadora Deolane Bezerra no âmbito da defesa das prerrogativas profissionais previstas em lei, e não por qualquer privilégio pessoal", diz a nota. 

Transferência e investigação

A influenciadora permaneceu detida na unidade prisional entre 15h20 de quinta-feira (21) e 5h20 desta sexta-feira (22), quando foi transferida para uma penitenciária no interior do estado.

Ela foi presa durante uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que apura um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC. De acordo com as investigações, Deolane teria ligação com movimentações financeiras atribuídas à facção criminosa.

A Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, para onde ela foi levada, é conhecida por receber detentas consideradas de maior complexidade e já enfrenta críticas por superlotação. A unidade tem capacidade para 714 presas, mas atualmente abriga 873 mulheres.