Entenda o que é o Mito da Caverna, citado em discurso do ministro da Saúde nesta segunda-feira (6)

Pronunciamento de Luiz Henrique Mandetta fez menção à famosa alegoria criada pelo filósofo grego Platão

img1
Por meio de alegoria, Platão reflete sobre o conhecimento verdadeiro

Durante discurso na coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (6), um momento da fala do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tem chamado a atenção. Ele afirmou que havia lido, no fim da semana anterior, o "Mito da Caverna", famosa alegoria criada pelo filósofo e matemático grego Platão.

Desta feita, o Verso traz detalhes acerca do assunto, presente na obra considerada por muitos como a mais complexa de Platão, "A República".

Escrito por volta de 375 a.C – quando o intelectual estava com pouco mais de 50 anos, conforme consta no livro "A República de Platão, uma biografia", de Simon Blackburn, publicado, no Brasil, em 2006, pela Editora Zahar – o exemplar é dividido em dez livros, embora não haja motivos para se pensar que essa organização lhe tenha sido dada pelo próprio Platão. Ela é derivada mais propriamente do tamanho arbitrário de um antigo papiro que de qualquer ritmo argumentativo. 

O Mito da Caverna se encontra entre os Livros V a VII, que trata, em especial, da teoria do conhecimento e a natureza da realidade (epistemologia e metafísica) e é resultado de um diálogo travado entre Sócrates, personagem principal da obra, e Glauco, seu interlocutor. 

No livro (cujo e-book está disponível gratuitamente no site da Amazon) consta que o mito apresenta a teoria platônica sobre o conhecimento da verdade e a necessidade de que o governante da cidade tenha acesso a esse conhecimento.

Sócrates fala para Glauco imaginar a existência de uma caverna onde prisioneiros vivessem desde a infância. Com as mãos amarradas em uma parede, eles podem avistar somente as sombras que são projetadas na parede situada à frente.

As sombras são ocasionadas por uma fogueira, em cima de um tapume, situada na parte traseira da parede em que os homens estão presos. Homens passam diante a fogueira, fazem gestos e passam objetos, formando sombras que, de maneira distorcida, são todo o conhecimento que os prisioneiros tinham do mundo. Aquela parede da caverna, com sobras e ecos dos sons que as pessoas de cima produziam, era o mundo restrito dos prisioneiros.

img2
Capa de uma das versões de "A República", de Platão; site da Amazon está com e-book gratuito desta edição

Libertação

O ponto de virada se dá quando um dos prisioneiros fica liberto daquela condição. Andando pela caverna, ele percebe que havia pessoas e uma fogueira projetando as sombras que julgava ser a totalidade do mundo. Ao encontrar a saída da caverna, o ex-prisioneiro tem um susto ao se deparar com o mundo exterior. A luz do sol ofusca a visão e ele se sente deslocado, desamparado.

Pouco a pouco, sua visão acostuma-se com a luz e ele começa a perceber a infinidade do mundo que existe fora da caverna. Percebe que as sombras que julgava ser a realidade, na verdade são cópias imperfeitas de uma pequena parcela da realidade.

Tomado pela compreensão, Platão narra que ele poderia fazer duas coisas: retornar para a caverna e libertar os companheiros; ou viver sua liberdade. Uma possível consequência da primeira possibilidade seriam os ataques que sofreria dos demais, que o julgariam como louco. Mas, poderia ser uma atitude necessária, por ser a coisa mais justa a se fazer.

Em resumo, o Mito da Caverna é sobre o conhecimento verdadeiro e o governo político, embora não apenas: também toca em importantes questões do hoje, como a disseminação de fake news e as vitrines pessoais criadas pelas redes sociais, dentre outros assuntos.