Livros infantis para ler nas férias e sempre

De Malala a Monteiro Lobato, lançamentos no mercado editorial reúnem temáticas que vão de diálogos interculturais a reflexões sobre família e valores

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Ilustração de Aurélia Fronty para o livro “Malala – Pelo direito das meninas à educação”

Correr, pular, brincar e, por que não, ler. Na infinita lista de atividades do período de férias, o perder-se entre letras também é opção - e das melhores - para que as crianças reflitam sobre variedade de assuntos, sem deixar de lado a diversão e o conhecimento. Desta feita, o mercado editorial aquece as prateleiras com tramas que envolvem desde convívio familiar até passeio por diferentes culturas e costumes, aproximando os pequenos e pequenas de considerações bem-vindas em qualquer fase da vida.

Mirando nessas questões, o Verso reuniu alguns dos principais lançamentos em brochura que não subestimam a inteligência dos pimpolhos: oportunizam pensamentos a respeito de relevantes pontos dos tempos contemporâneos. Feito a temática do ativismo. No livro "Malala - Pelo direito das meninas à educação", de Raphaële Frier, a história de uma das mais jovens e influentes militantes do mundo, grande aniversariante de ontem (12), é contada de forma delicada e abrangente, mapeando toda a trajetória de luta e superação da muçulmana.

A obra possui lindíssimas ilustrações de Aurélia Fronty e tem como principal mensagem a frase "Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo", proferida por Malala em 2013 durante convenção da Organização das Nações Unidas (ONU). Inspirador, não é? O título é publicado pela Editora Zahar.

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Da editora Malê, "Princesas negras" vai na contramão da representação tradicional de realezas

Por sua vez, a pauta sobre identidade ganha corpo em "Princesas negras", escrito por Edileuza Penha de Souza e Ariane Celestino Meireles, da Editora Malê. Na contramão do perfil de realeza que a maioria das crianças se depara, o exemplar mira nos cabelos crespos e na ancestralidade que as negras altezas exibem. Inteligentes, espertas, lutadoras e protagonistas, elas convidam os leitores a adentrar em seus mundos e conhecer mais sobre sua rica cultura por meio de tramas e desenhos fascinantes, que fisgam pelo capricho.

Em sintonia, quem também bate à porta para apresentar costumes e práticas próprias são as páginas do livro "Aldeias, palavras e mundos indígenas", de Valéria Macedo, com ilustrações de Mariana Massarani. A obra traz à superfície curiosidades dos hábitos de quatro povos diferentes: os Yanomami, os Krahô, os Kuikuro e os Guarani Mbya.

Por meio da apresentação de uma série de vocábulos, os miúdos ficam por dentro de informações como onde moram, como se enfeitam, de que forma são as festas e a língua de cada uma dessas populações. Quem assume o leme da publicação é a Companhia das Letras.

Emoções

Para aflorar belos e urgentes sentimentos nas crianças, vários títulos recorrem também à descoberta de universos particulares, abusando de metáforas e comparações para evocar novas perspectivas, sobretudo quando se trata dos desafios da convivência. "O monstro das cores", da editora Aletria, escrito pela arteterapeuta Anna Llenas, cumpre bem esse papel.

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Ilustração de “O monstro das cores”, da editora Aletria

A criatura do título não sabe o que se passa com ela após fazer uma bagunça com as emoções. Para desembolar tudo, terá que pôr em ordem a alegria, a raiva, o medo, a calma, entre outros. Parece feito para adultos, sim?

Do selo Companhia das Letrinhas, o destaque vai para "Da minha janela", do brasileiro Otávio Júnior que, por meio das gravuras de Vanina Starkoff, questiona à audiência quantas coisas incríveis podemos descobrir quando abrimos uma janela e prestamos atenção no mundo lá fora; o livro "Como ser babá da vovó", de Jean Reagan e Lee Wildish, que conta as aventuras de uma menina que vai passar o fim de semana na casa da avó e aprende, com ela, bonitas lições de vida; e "O menino que vendia palavras", de Ignácio de Loyola Brandão, cuja trama envolve a paixão pela Língua Portuguesa.

"A festa do dragão morto", da Melhoramentos, acende a fagulha para pensarmos a respeito do viver em sociedade. O enredo, de Santiago Nazarian, dá conta de explorar o mistério que ronda uma comunidade que não sabe quem matou a terrível fera que a atormentava. Intrigados com a questão, diferentes pessoas vão atrás do herói, mas as surpresas envolvendo esse personagem ensinam às crianças sobre valores importantíssimos para o estar junto de outros.

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Gravura de Vanina Starkoff para o livro de Otávio Júnior, "Da minha janela"

Além disso, tem também figuras ilustres passando recados essenciais. Rita Lee e seu "Amiga ursa", da editora Globinho, faz refletir sobre biologia, a importância de conservar o meio ambiente e proteger os animais. Nas páginas da publicação, os pequenos ainda podem escrever e desenhar, interagindo com a história.

Do outro lado da moeda, temos "Clarice Lispector: Para meninas e meninos", da editora Sur. Escrito por Nadia Fink para a coleção "Antiprincesas", o livro aproxima as crianças de um dos mais proeminentes nomes de nossa literatura, por meio das peculiaridades que Clarice exibia: filhos brincando a seu redor e um cachorro louco que comia cigarros.

Monteiro Lobato igualmente dá as caras em recente lançamento da Nova Fronteira. O box "As melhores aventuras do Sítio do Picapau Amarelo" vem caprichado para que pais e filhos desfrutem das tramas pra lá de engenhosas de uma das turmas mais queridas da literatura brasileira. Com ilustrações em aquarela do mineiro Lelis, conta também com uma apresentação, um glossário e uma cronologia da vida do autor.

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Duo de livros do box de Monteiro Lobato, saído pela editora Nova Fronteira

A seleção é extensa e poderia render ainda páginas e mais páginas. O principal, contudo, é saber que aqui há um mapa, rastro afetivo e leve para fazer bradar entre aqueles que mais amamos narrativas capazes de brotar mudanças, olhares e um gosto todo esmerado pela leitura.