Umidade do ar no Ceará chega a 14% e atinge nível de alerta

Os níveis chegaram a 14% e 15% em Iguatu e Barbalha, respectivamente; o tempo seco pode favorecer doenças respiratórias, diz especialistas

Escrito por Redação ,
Legenda: Especialistas recomendam hidratar o corpo para evitar efeitos do tempo seco, principalmente com a ingestão de água.
Foto: Bruno Gomes

O Ceará atingiu estado de alerta com relação aos níveis de umidade relativa do ar nas últimas 24 horas, quando foram registradas taxas de 14% e 15% nos municípios de Iguatu e Barbalha, respectivamente, informou a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível ideal de umidade é de 60%. 

Taxas críticas também são observadas em Campos Sales (16%), Jaguaribe (16%), Tauá (17%) e Quixeramobim (18%), segundo a Funceme. Os níveis podem variar ao longo de um mesmo dia.

Doenças respiratórias

O médico otorrinolaringologista Ricardo Alencar salienta que a população cearense não está acostumada a baixas umidades e, por isso, acaba não tomando precauções para enfrentar o clima.

"Aqui a gente não tá muito acostumado. Primeiro, antes de qualquer coisa, é hidratar o corpo bebendo água. Às vezes as pessoas se preocupam em lavar o nariz, mas esquecem que o corpo primeiro precisa está hidratada. A mucosa nasal precisa estar hidratada por dentro primeiro", explica.

Segundo o especialista, o tempo seco favorece doenças respiratórias. "Quando tem umidade muito baixa o ar fica muito seco. É mais difícil de respirar, mais difícil de fazer as trocas gasosas do pulmão. O pulmão, a traqueia, o nariz ficam mais suscetíveis por conta da agressão. É importante que tenha uma boa umidade do ar pra evitar doenças pulmonares e nasais: rinites alérgicas, sinusites crônicas. Em resumo, as defesas da árvore respiratória vão ficar comprometidas", salienta.

Classificação da OMS

A OMS considera umidade do ar acima de 60% como ideal. É considerado estado de observação quando a umidade apresenta entre 31% a 40%. Quando ela fica abaixo dos 30%, classifica-se como atenção. Já entre 12% e 20%, é considerado estado de alerta. Por fim, abaixo disso, é considerado estado de emergência.

O cenário é agravado pela intensificação de uma massa de ar seco ao longo do Nordeste. Até novembro, o fenômeno deve continuar afetando principalmente áreas afastadas do mar e longe da região de serras, explica o meteorologista Davi Ferran.

“Todo o interior, áreas que não estão em serra e mais longe do mar, nessa época do ano frequentemente atingem valores baixos de umidade do ar”, frisa.

De acordo com Ferran, as taxas de umidade relativa do ar começam a cair quando cessa o período de chuvas, a partir dos meses de julho, agosto.

Recomendações do especialista para evitar impactos do ar seco:

  • Adulto - tomar de 3 a 4 litros de água
  • Criança - tomar de 10 ml a 30 ml por kg de peso
  • Evitar ar-condicionado
  • Colocar toalhas molhadas ou água em temperatura ambiente no quarto
  • Lavar o nariz
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