Solo nos palcos

Há mais de três anos, o onipresente Caio Castelo tem emprestado o seu nome (e talento) para vários projetos. Sua mais nova empreitada é o "Silêncio em Movimento"

Desde que trocou os bastidores da redação pela música, o multifacetado Caio Castelo tem se tornado notícia frequentemente no circuito local por sua atuação e muitas atribuições no cenário autoral da música cearense. O jornalista/designer/multinstrumentista/compositor (entre outros títulos) chama a atenção por sua produtividade, que não se traduz apenas em quantidade, mas também em qualidade.

Trecho do disco solo do artista está disponível para audição no http://www.soundcloud.com/caiocastelo  Foto: Marília Camelo

Em pouco tempo de carreira, o artista acumula um notável currículo, em que multiplicam-se parcerias, sendo a mais conhecida a do Comparsas da Vivenda, coletivo confirmado inclusive entre as atrações da Feira da Música 2012 (veja mais sobre o evento na página 5). Sem abandonar o celebrado grupo pelo qual ganhou visibilidade como músico - além do projeto instrumental "Tilt Invisível" e do duo "Dez Mil Melodias" (com a cantora Lorena Nunes) -, Caio se prepara para um novo desafio: se lançar em um disco solo. Em fase de finalização do CD "Silêncio em Movimento" - faixas como "A banda abandona a cidade", "Destoa" e "Homem feito" estão disponíveis para audição no site soundcloud.com/caiocastelo - , o multi-instrumentista irá expor faceta inédita no novo registro que contará com show de pré-lançamento do álbum neste sábado (dia 25), no Teatro das Marias, no lugar de data anteriormente divulgada no recém-restaurado Teatro Antonieta Noronha.

Falando nisso, o espaço gerido pela Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), que serviria de palco para a estreia do cantor, gerou dor de cabeça não só para ele como para outros autores de projetos culturais, selecionados no edital de ocupação, por não fornecer a mínima estrutura de som necessária. O impasse culminou com o cancelamento, no fim de semana, da apresentação do Comparsas da Vivenda, pelos próprios integrantes, incluindo Caio, como forma de protesto. Apesar do desgaste com o episódio, o artista conseguiu remarcar nova data e lugar, em show de abertura para o colega Carlos Hardy, e se diz empolgado em estar de volta ao teatro. "Eu já estava com saudade de tocar no teatro. É um show mais intimista, a acústica é melhor e dá para trabalhar também elementos cênicos", conta ele, que em 2011 emplacou, com o Comparsas, uma turnê nesse formato em Fortaleza, Sobral e Teresina.

Acompanhado dos parceiros Carlos Hardy (baixo), Marcelo Holanda (bateria), Fernando Lélis (saxofone e flauta) e Rômulo Santiago (trombone), o músico admite estar ansioso por vários motivos. "Passei mais de um ano gravando e regravando. A expectativa vai até aí, até a coisa acontecer. Não consigo pensar muito além disso. Esse registro é um processo de amadurecimento. É a primeira vez que canto sozinho. Depois de muitas aulas de canto e da experiência adquirida no Comparsas, me sinto mais seguro, pelo menos, eu acho", diverte-se.

"O que me levou a fazer esse projeto solo foi essa necessidade de ter um trabalho só meu. É um exercício de generosidade contribuir para o coletivo, mas eu mesmo estava curioso em saber como eu me sairia sozinho", acrescenta, destacando a colaboração dos músicos convidados nesse álbum.

Quando o assunto é definir o novo som, Caio tenta fugir da pergunta e ri de nervoso, como se já esperasse ou escutasse indagações do gênero com constância. "Majoritariamente são canções que podem ser inseridas entre o rock ou o pop contemporâneo, sempre com essa preocupação do esmero com arranjos elaborados. Ao mesmo tempo, é um som fácil de digerir, em consonância com o tempo atual. Não precisa ser cabeção para ouvir (risos)", destaca.

Quais as influências que reverberam nesse trabalho? "A sonoridade tem a ver com o que ouço. Tenho escutado muita música brasileira, essa nova geração como a banda Graveola (MG) , além de Mutantes. Também curto Silverchair da fase ´Diorama´ em diante, Beatles e Fela Kuti".

Overdose de Chico

Os "chicólatras" de plantão já podem reservar o décimo terceiro para novo lançamento do artista, em parceria com a Universal Music. A caixa "De Todas as Maneiras", que conta com os 21 primeiros discos do carioca, traz ainda o álbum triplo "Umas e Outras".

Chico: caixa com 21 discos e CD triplo Foto: Waleska Santiago


Este é um CD com raridades, faixas de trilhas sonoras, compactos, participações em discos de outros artistas, registros ao vivo e projetos especiais entre 1967 e 1985. O destaque fica por conta da gravação inédita de "Jorge Maravilha". Para quem ainda quiser mais, Chico Buarque também acabou de lançar "Na Carreira", um duplo ao vivo baseado na sua última turnê pelo Brasil.

No Brasil

Queridinha do circuito indie folk-rock, Feist está de volta ao Brasil para shows nos dias 22 e 23, pelo projeto Popload Gig Residências, em São Paulo. A canadense traz na "cartola" sucessos e canções inéditas de "Metals", trabalho lançado em 2011. Novas datas em outras cidades estão sendo negociadas.

Dá para confirmar logo?!?

O Kasabian, junto com o The Drums, deve reforçar o line-up do Planeta Terra 2012. O grupo inglês é cotadíssimo para o festival, que reunirá também no dia 20 de outubro, no Jockey Club de São Paulo, Kings Of Leon, Gossip, The Maccabees, Azealia Banks, Suede e Garbage.

Mais informações

Show de Caio Castelo, neste sábado (dia 25), 21h, Teatro das Marias (Rua Senador Almino, 233 A - Praia de Iracema). Depois, apresentação de Carlos Hardy. Ingresso: R$ 5,00