Sensualidade árabe

Um dos grandes nomes da dança árabe no Brasil, a paulista Aysha Almée, se apresenta amanhã, em Fortaleza, na IV Mostra Cearense de Dança do Ventre. Além dela, outras bailarinas e escolas de dança mostram que as mulheres daqui entendem bem desse sinuoso ´rebolado´

Uma fascinante viagem ao mundo das mil e uma noites. Essa será a sensação de quem for conferir, sábado e domingo, no Teatro do Ibeu, a quarta edição da Mostra Cearense de Dança do Ventre. O evento - realizado pela professora Aisha Fahd - já se tornou tradicional e reúne, todos os anos, cerca de 250 bailarinas de vários estados brasileiros.

Depois da mineira Carlla Silveira, as paulista Nur e Jade El Jabel e a maranhense Solange Costa, a mostra traz outro grande nome da dança oriental: Aysha Almée. A experiência de 13 anos de carreira e de várias apresentações, inclusive, no Egito, Emirados Árabes e Grécia, fazem dela uma das maiores atrações deste ano.

Aysha Almée fará duas entradas no show de sábado e, domingo, ministrará um workshop. ´No show, entrarei a primeira vez com uma música clássica árabe, fazendo a dança do véu. Na segunda vez, farei um solo de percussão, mostrando toda a habilidade e técnica de quadril´, informa.

Pela primeira vez, Aysha mostra seu trabalho para o público cearense. ´Já fui outras vezes aí, mas será a primeira vez a trabalho. Acredito que será um sucesso porque o povo é muito acolhedor´, diz.

Contemporâneo

Versátil, ela é destaque em todas as modalidades da dança árabe, incluindo as folclóricas, a do véu, candelabro, espada, etc. Para a mostra, pretende mostrar as últimas atualizações do estilo.

´A dança do ventre, no âmbito mundial, vem se modernizando. Desde 2000, quando aconteceu o primeiro Festival Mundial no Egito, tem havido um intercâmbio muito forte. Inclusive muitas influências brasileiras. Algumas bailarinas egípcias dançam na batida da percussão do samba e, às vezes, até fazendo passo do ritmo brasileiro´.

Com a profissionalização da dança do ventre, muitas influências do balé clássico também adentraram, sejam nos deslocamentos, posturas e movimentos. ´Hoje a dança do ventre tem um brilho de palco, tem o deslocamento mais trabalhado graças ao balé. No Egito e nos Estados Unidos vemos até dança do ventre misturada com hip hop. Isso é uma tendência das bailarinas modernas´, explica.

Apesar de realizar um forte trabalho com as danças folclóricas, consideradas bem regionais, Aysha defende esse hibridismo. ´Em certo ponto a dança do ventre perdeu o regionalismo. Ela ficou como as danças folclóricas. Mas, há muito tempo que a dança do ventre perdeu isso. Tradicionalmente, a mulher árabe não usava aquela roupa de duas peças, uma criação hollywoodiana inspirada nos haréns. Quando essa manifestação chegou ao palco foi preciso colocar mais brilho, mais glamour e aí já se modificou´, informa.

Mesmo com toda a modernidade que vem chegando até mesmo nas manifestações culturais árabes, o principal ficou: passos, técnica de dança, interpretação e a sensualidade e feminilidade.

´Não tem como não manter essa sensualidade causada pelo ´rebolado dos quadris´. Já dancei nos Emirados Árabe s e a gente vê que, hoje, tem muita brasileira dançando lá. As mulheres daqui se assemelham muito ao estilo de dança árabe´, observa.

Essa mistura e intercâmbio cultural que está modificando a dança do ventre acontecerá também aqui.

Teoria e prática se juntam na Mostra, seja em cima do palco ou em salas de aula, onde várias academias de Fortaleza, grupos profissionais e amadores, duplas, professoras de dança do ventre e bailarinas de vários outros estados pretendem dividir experiências.

Mais informações:
IV Mostra Cearense de Dança do Ventre, sábado e domingo, às 20h no Teatro do Ibeu ( Rua Nogueira Acioli, 891 - Aldeota). Ingresso: R$ 12,00 (meia para todos). (87846950).

Karine Zaranza
Repórter