Pop e consciente

Um dos principais expoentes da surf music e do folk, Jack Johnson é atração hoje, no Marina Park Hotel. Inspirado em "To the Sea", disco que alcançou o topo das paradas em 2010, o show do cantor havaiano contará com abertura do amigo G.Love

Músico, produtor, dono de gravadora, surfista, cineasta, ativista ambiental e ongueiro. Jack Johnson é tudo isso e, se duvidar, algo mais. Low-profile, o artista está sempre trabalhando em algum projeto sem fazer alarde.

Nascido em Honolulu, o astro de 37 anos continua morando em sua cidade natal, é casado e tem três filhos, leva uma vida sem ostentação (mesmo sendo milionário) e dificilmente será visto na badalação.

Tirando a parte das turnês, talvez a rotina doméstica do rapaz se confunda com a nossa, com tarefas corriqueiras do dia a dia, sem esse glamour todo comum aos pop stars.

Parte dessa postura zen tem a ver com a disciplina dos surfistas, que costumam acordar cedo, adotar um estilo de vida saudável e acompanhar o fluxo das marés. Por sinal, Johnson só não se tornou um profissional das ondas após acidente quase-fatal em uma competição, que o deixou 90 dias parado. Foi a partir daí, aos 17 anos, que começou a compor, inspirado por Nick Drake, The Beatles, Rolling Stones, Sex Pistols, Jimi Hendrix, Tribe Called Quest, Bob Dylan, Ben Harper, Radiohead, Otis Redding, Neil Young, Bob Marley, Tom Curren, Kurosawa e Sublime.

Esse desvio do destino acabou revelando para o mundo o americano que é hoje o maior porta-voz da surf music, estilo musical que começou como subgênero do rock há 50 anos, que teve como precursores o guitarrista Dick Dale e bandas como o Beach Boys e Ventures.

De lá pra cá, a própria surf music sofreu muitas influência, incluindo o do reggae, e se tornou um ritmo bem mais abrangente. Com o seu violão, Johnson passou a ser também relacionado ao folk. Com cinco discos de estúdio e um ao vivo (além das trilhas sonoras, totalizando quase dez CDs), tendo vendido mais de 20 milhões de cópias, o cantor despontou, em 2005, com "In Between Dreams", trabalho que deu status pop à surf music e passou a ser visto como um artista cool.

Ecologicamente correto

Mas o cantor não coleciona milhares de fãs só pela sua música. O bom moço é também engajado na causa verde. É como se fosse o Bono Vox do meio ambiente.

Como ativista, toca duas organizações: o Kokua Hawaii Foundation, que cuida da educação ambiental, e a sua Johnson Ohana Charitable Foundation, ONG que desenvolve projetos relacionados à música e à natureza.

Toda a renda arrecadada em ingressos na turnê brasileira de "To the sea" será revertida para instituições locais que ensinam arte, música e surf.

"Não preciso desse dinheiro; consigo manter minha família e minha banda com a venda de CDs", declarou em entrevista recente.

Na sua posição de astro, ele pôde se dar ao luxo de fazer algumas exigências, claro, ecologicamente corretas. Jack pediu a instalação de bebedouros (nada de garrafas Pet) na plateia de seu show, além de comida orgânica comprada de produtores locais nos camarins e veículos movidos a biodiesel. Tudo para diminuir o impacto ao meio ambiente.


MAIS INFORMAÇÕES

Show de Jack Johnson hoje, às 22h, no Marina Park (Av. Presidente Castelo Branco, 400, Praia de Iracema). Ingressos: R$ 60 (pista), R$ 250 (front stage) e R$ 270 (mesa). (85) 4006.9595


Juliana Colares
Subeditora