Soulfly volta ao Brasil com filho de Max Cavalera na bateria

Soulfly: longe dos palcos brasileiros há 12 anos, banda traz ao País show da turnê de seu novo disco
Soulfly: longe dos palcos brasileiros há 12 anos, banda traz ao País show da turnê de seu novo disco
Banda de Max Cavalera se apresenta no País depois de hiato de mais de uma década. Disco novo está a caminho

Doze anos depois de tocar no Brasil, a banda americana Soulfly, liderada por Max Cavalera, voltará ao País para três shows. Serão os primeiros da turnê do disco “Enslaved”, o oitavo trabalho da banda em 15 anos de atividades. A banda se apresenta amanhã no Sol Music Hall, em Goiânia; sábado, no Via Marques; e domingo, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Os shows foram confirmados mesmo após a notícia de que Cavalera havia sofrido paralisia de Bell, uma paralisia do nervo facial.

“Nem sei por que demoramos tanto a voltar ao País, mas agora estou levando até um presente para os fãs”, disse Max Cavalera, de Phoenix, no Arizona, onde vive com a mulher, Gloria, e os filhos.

A surpresa atende pelo nome de Zyon, 18 anos, seu primogênito, que tocará bateria nos oito shows da banda, na turnê latino-americana que inclui ainda passagens por Chile, Argentina e México.

“Temos ensaiado até seis horas por dia. Ele tem se esmerado e está ciente da responsabilidade”, contou Max, que costuma levar a família durante as temporadas na estrada – inicialmente com o Sepultura e, nos últimos anos, com a Soulfly e a Cavalera Conspiracy, que formou com seu irmão, o baterista Iggor (ex-Sepultura).

“Quando criança, Zyon acompanhou uma turnê do Black Sabbath em um banquinho, atrás do baterista, prestando atenção em tudo”, completou o headbanger, orgulhoso.

O repertório da apresentação do Soulfly, que deve durar duas horas, faz um apanhado da carreira do grupo, que já conta com oito álbuns em sua discografia. O quarteto ainda promete revisitar clássicos do Sepultura, antiga banda de Max e seu irmão, Iggor, como “Refuse/Resist”. Há tempos que a canção foi incorporada ao repertório do Soulfly e já havia figurado no DVD “The Song Remains Insane”, de 2005.

Mas são as músicas de “Enslaved” que têm tomado mais tempo nos ensaios. “Precisamos apresentá-las perfeitas”, prometeu o vocalista e guitarrista, que virá acompanhado pelo baixista Tony Campos (Ministry, Static-X) e o guitarrista Marc Rizzo (Cavalera Conspiracy).

Vida e obra

O disco mantém a receita do grupo, que mistura thrash metal com groove, e acrescenta elementos de death metal que tornam as músicas mais pesadas e soturnas. O lançamento acontece em 13 de março.

Gravado em 2011, com produção de Zeuss e do próprio Max, "Enslaved" é praticamente um disco temático. A maior parte das letras trata de opressão; da família, do trabalho, do dinheiro e de agentes políticos contra o indivíduo.

Além das gravações - e agora da turnê -, Max Cavalera tem se ocupado de uma autobiografia, produzida a quatro mãos com o escritor Jon McIver. Intitulado de "A Boy from Brazil" ("Um Garoto do Brasil"), o livro narra a trajetória dele desde o começo da carreira, em Belo Horizonte, quando fundou o Sepultura, no fim dos anos 1980.

Acompanha Max no estabelecimento do Sepultura com uma das principais bandas de thrash metal do mundo - e, sem dúvidas, a responsável por chamar a atenção do mundo para o heavy metal produzido no País.

Max Cavalera adiantou a colaboração de algumas figuras ilustres no mundo do rock. O prefácio do livro, por exemplo, será assinado por Dave Ghrol, ex-Nirvana e líder do Foo Fighters. A empresária Sharon Osbourne, mulher de Ozzy, também dá um depoimento sobre a polêmica saída de Cavalera do Sepultura, em 1996.

À época, Max rompeu com o irmão e com o restante da banda por discordarem quanto a permanência de Gloria, esposa de Max, à frente dos negócios da banda. O grupo nunca se reconciliou e os irmãos Cavalera só voltaram a se falar em 2006, pouco antes de Iggor deixar o Sepultura.

Sem data de lançamento anunciada, o certo é que o livro deve chegar ao mercado até o Natal deste ano.