Maria Bonomi na homenagem a Aldemir Martins

José Leomar
Uma das mais celebradas mostras do projeto “Homenagem a Aldemir Martins para o mundo se tornar mais bonito”, mega-tributo ao mestre cearense, é a exposição “Encontro entre artistas”, que reúne obras de 82 profissionais, brasileiros e estrangeiros, de diversas gerações e atuantes em mídias diferentes. Todos com um vínculo de proximidade com Aldemir. Dividida em dois segmentos, a mostra está instalada nas Galerias Iracema e Aldeota do Centro Cultural Oboé.

Em cartaz em Fortaleza para participar da Bienal Internacional de Gravura do Ceará, Maria Bonomi é um dos talentos que participam da mostra “Encontro entre artistas”. “Ainda não pude visitar a exposição, mas acho que a homenagem foi recebida com a pompa que merece. Penso que um tributo a Aldemir é obrigatório em qualquer lugar e a qualquer momento”, diz.

Maria Bonomi conheceu Aldemir já em São Paulo - a afinidade foi mútua. “É um companheiro que prezo muito. Sempre que posso, vou ao seu estúdio”. Na trajetória do mestre cearense, Maria Bonomi destaca a coragem e o pioneirismo de Aldemir em emprestar sua arte para estampar produtos de consumo, numa época em a arte ainda se pretendia distante do mercado. “Ele rompeu essa distância”, complementa.

Vindo de Maria Bonomi, o comentário tem ainda mais respaldo e importância. De ascendência ítalo-brasileira, Bonomi é gravadora, cenógrafa e artista multimídia de projeção mundial. Há algum tempo, concluiu tese de doutorado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA), que versa sobre a importância da arte pública, uma de suas paixões.

Entre abril e junho de 2004, por exemplo, ela coordenou residência na USP para a execução do painel “Epopéia Paulista”, gigantesca obra pública de sua autoria (73m x 3m), inaugurada em dezembro, na “Estação da Luz” (São Paulo). Trabalhando com elementos e técnicas do cordel - “ela é uma gravura, apenas substituímos a estampa pelo concreto” -, a obra reproduz a trajetória dos muitos passageiros que encontram na capital paulista um destino final para suas aspirações. “A arte pública visa aliviar, impregnar e criar referências novas no cotidiano, transformando também o olhar de quem passa. Não é uma decoração. A obra se relaciona com o lugar e as pessoas que a observam - penso na luz, no tempo que estas pessoas têm para contemplá-la, ressalta.

Além de Maria Bonomi, outros profissionais integram a mostra “Encontro entre artistas”. Entre eles, figuram os brasileiros João Câmara, Guto Lacaz, Mário Gruber, José Roberto Aguilar, Cláudio Tozzi e Gontran Guanaes Neto, entre outros. Do exterior, participam Julio Le Parc (franco-argentino), Fang (chinês) e Silvio Dworecki (polonês). Os trabalhos ficarão expostos até 26 de março. A visita é gratuita