Entre imagens e diálogos interiores

Virna Teixeira: quando comecei a escrever, lia mais poesia. Vários autores norte-americanos, Ana Cristina César, Orides Fontela, Leminski, Caio F.
Virna Teixeira: quando comecei a escrever, lia mais poesia. Vários autores norte-americanos, Ana Cristina César, Orides Fontela, Leminski, Caio F.
Aos sete anos de idade, Virna Teixeira começou a ler poesia. Na adolescência já escrevia, mas foi por volta dos 20 anos que a escrita tornou-se mais necessária. A cearense mora em São Paulo e é neurologista, mas é também poeta e tradutora. A literatura tem lugar especial em seu tempo. "Significa fugir um pouco do trabalho cotidiano, ter uma atividade lúdica e exercer um lado mais jovial, mais Peter Pan. O dia a dia na profissão médica exige bastante, é muito cansativo", diz Virna.

Apesar de ter saído cedo de Fortaleza, a poeta não perdeu o vínculo com a cidade e nem com a poesia que é feita por aqui. Está sempre em contato com nomes como Ruy Vasconcelos, Eduardo Jorge, Carlos Augusto Lima e Érica Zíngano. "E outros com quem tenho uma correspondência mais esparsa, mas nem por isso menos interessante, inclusive com alguns autores mais jovens". A própria Fortaleza ainda está em Virna. "Existe muito da cidade em mim. É o lugar que nasci, onde cresci, onde vive minha família. Tenho muitas lembranças, elas me acompanham sempre".

Virna lê de tudo. Gosta de biografias e de livros de psicanálise. Costuma ler várias coisas ao mesmo tempo. Leituras que, de alguma forma, se correlacionem com o momento que está passando. "Acabo de me tornar mãe, e agora leio a Elisabeth Badinter.

Às vezes, fico semanas, meses, sem ler poesia. Quando comecei a escrever, lia mais poesia. Vários autores norte-americanos, Ana Cristina César, Orides Fontela, Leminski, Caio Fernando Abreu. São os nomes que me ocorrem", diz.

A arte

A originalidade da escrita, o ritmo, o conteúdo e o trabalho com a linguagem caracterizam uma boa poesia na opinião de Virna. Mas mesmo para uma escritora inquieta e viajada, o reconhecimento pela poesia tem complexidades. "Poesia vende pouco, circula pouco. Você consegue uma resenha aqui e ali, mesmo que tenha publicado bastante, mesmo que escreva um trabalho de qualidade, como dizem alguns bons poetas que conheço, com muitos anos de estrada", avalia, Virna complementando que "ser poeta, seja em São Paulo, Fortaleza ou Nova York, é sempre difícil. É um ofício de fé, não dá para esperar muito".

Virna publicou livros de poesia e de tradução. Dois deles saíram pela editora 7 Letras, mas foram custeados pela própria autora. Publicou também pela editora Lumme, do poeta e editor Francisco dos Santos, que segundo Virna "corre riscos de publicar autores contemporâneos de poesia". Também publicou pela editora UnB e pela Multifoco Rio. Hoje tem uma pequena editora de Plaquetes, a Arqueria, da qual saem tiragens pequenas, geralmente de amigos.

E dá a dica aos interessados em publicar: "acho interessante começar com um projeto mais modesto, artesanal, depois tentar uma editora mais voltada para poesia, sabendo que certamente você terá que pagar pelo seu primeiro livro. Ou então se inscrever em algum concurso que ajude você a publicar, e cruzar os dedos".

Sobre o momento ideal para apresentar a produção poética a outros leitores, Virna diz que é quando o poeta se sentir confortável e confiante com a escrita.

"Você seleciona algumas pessoas em quem você confia, ou respeita, para mostrar seu trabalho. Se o retorno é bom, você se sente encorajado para enfrentar um público maior", finaliza.

A poeta

Virna Teixeira nasceu em Fortaleza e vive em São Paulo, onde trabalha como neurologista. Tem três livros de poesia: "Visita" e "Distância", pela 7 Letras, e "Trânsitos" (Lumme Editor). Publicou quatro de tradução: "Na Estação Central", do poeta Edwin Morgan (UnB); "Ovelha negra: uma antologia de poesia escocesa do século XX" (Lumme); "Cartas de Ontem", de Richard Price (Lumme) e "Livro universal", do poeta chileno Héctor Hernandéz Montecinos (Demônio Negro). Prepara seu próximo livro de poemas, "Como suturar lembranças". Participou e organizou encontros internacionais de poesia e edita plaquetes artesanais pela Arqueria Editorial.

DALVIANE PIRES