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Shows também emocionaram Macca:
Shows também emocionaram Macca: "Amo o Brasil. Amo o fato de ele amar música, é um país muito musical", postou em seu blog oficial
Show arrebatador

Ver de perto um dos maiores astros de todos os tempos em plena atividade e com disposição de sobra é mesmo uma experiência única e privilegiada

Aos 68 anos, 50 deles dedicados à música, Paul McCartney superou as expectativas de quase 45 mil pessoas, egressas de todo o Brasil, para a sua segunda apresentação, dia 23, no Engenhão. E se o show de domingo
(22) teve maior visibilidade na mídia, por ser a estreia da "Up and coming" tour em solo carioca, por ter seus ingressos esgotados e até transmissão ao vivo através de um site, mal contavam os fãs que a dobradinha na noite seguinte guardaria surpresas para os "retardatários".

Veja vídeos do show



As mudanças começaram já na abertura da performance, iniciada pontualmente às 21h30. A esperada "Hello, Goodbye" foi substituída por "Magical Mystery Tour". Ao longo do repertório, entraram "Coming up", "Got To Get You Into My Life", "I´m Looking Through You" e "I saw her standing there". Outra novidade ficou por conta da "invasão" de quatro fãs bem exaltadas no palco.

Se estava ou não no script (como um contato previamente agendado com a sua produção), ninguém sabe, mas a aparição súbita da primeira jovem, atirando-se em cima do inglês, causando-lhe um baita susto, lembrou um pouco a febre do iê-iê-iê. Já com as outras admiradoras foi mais tranquilo: pareciam já ter o consentimento de seu staff (ou seria do próprio ídolo?) para permanecer ao seu lado. Gentleman como é, pacientemente deu autógrafos, abraços e ainda apresentou para a plateia as felizardas. "Elas só precisavam de um abraço", diverte-se.

E foi com esse bom humor, carisma e boa vontade em agradar seus súditos, qualidades cada vez mais raras em artistas da atualidade (de carreira irregular e estilo duvidoso), que o ex-beatle comoveu ainda mais a multidão. "Esta noite vou tentar falar em português, mas vou falar mais inglês!", avisou Macca, aos risos, para depois garantir um "nós vamos hoje fazer uma festa nesse estádio". Aliás, em se tratando de línguas, mostrou-se aplicado e preocupado com armadilhas do "gringonês", que atinge personalidades internacionais (e nos aflige) com aquele sotaque carregado e as poucas e previsíveis frases de efeito como "Nós amamos o Brasil", "Oi" e "Obrigado".

Sempre que se arriscava, com uma declaração diferente, o público aclamava fervorosamente. Fofo foi ouvir, entre alguns tropeços, o seu "gimais" (demais), "ótimo" e "vocês são maravilhosos".

Elegante, o cantor chegou com um visual bem alinhado, mas logo adotou, a partir da quarta música, um estilo mais despojado. O calor atípico, uma mistura de sua performance enérgica e lotação das arenas, fez com que ele se livrasse do terno e, em pouco tempo, da gravata. A mulherada delirava só com isso. Não faltaram gritinhos de "Lindo, lindo!".

No line-up, digno de uma coletânea, Paul e sua competente banda comandaram clássicos da era-Beatles, passando pela fase Wings e repertório solo. Do projeto Fireman, só "Sing the changes" foi contemplada. Nesse meio tempo, coube uma homenagem, ainda que instrumental, a Jimi Hendrix ("Foxy Lady") e até dancinhas desajeitadas entre uma música e outra.

Após "I love her", o coro seguiu com "Black Bird", em que a banda saiu de cena e o frontman dedilhou sozinho seu violão. Ele lembrou do contexto em que a letra foi concebida, nos anos 60, um manifesto de esperança em favor da igualdade dos direitos civis. Mais na frente, da mesma linha, "Give Peace a Chance". "Todo o mundo precisa de paz", desabafou.

As homenagens se estenderam na intimista "Here today". "Essa música eu escrevi pra meu amigo, John", disse, emocionando todos. O clímax do saudosismo dos ex-companheiros do Fab Four eclodiu na belíssima "Something", "esta música é um tributo ao meu amigo George".

A balada romântica, de autoria de Harrison, começou com um banjo solitário, ganhando evolução com o retorno dos devotados Brian Ray (baixo e guitarra), Rusty Anderson (guitarra) e Abe Laboriel Jr (bateria) retomam aos seus postos. Difícil mesmo foi segurar as lágrimas.

Para animar a galera, pra lá de sensibilizada com "Something", surge o hit "Band on the run". Ainda nesse tom alto-astral, a despretensiosa "Obladi Obladá" diverte, enquanto a roqueira "Back at The U.S.S.R" faz os fãs saírem do chão.

Para incendiar literalmente a noite, fogos de artifícios explodem direto do palco na pirotécnica "Live and let die", sem dúvida um dos pontos altos da mega apresentação.

"Hey, Jude" causou comoção geral. A pedido do mestre de cerimônias, homens e mulheres entoaram (até ficaram roucos), separadamente e juntos, o famoso refrão "Na, Na, Na", sílabas que ganharam cartazes erguidos pelo público. Ainda do quarteto de Liverpool, também entusiasmaram as grudentas "All my loving", "And I love her", "Eleanor Rigby", "Let it be" e "Yesterday".

Pertinho já de acabar, no segundo bis, "Helter Skelter" eletrizou os headbangers, até então um pouco contidos, no entanto, não menos felizes. Para essa turma, disparou: "I think you wanna rock some roll". Arrematando de vez a irretocável performance, com duração em média de 2h30, "The end" emenda com "Sgt. Peppers". "Eu quero agradecer a essa fantástica banda, mas acima de tudo vocês", completou em um claro e nítido português. Após 21 anos de espera por Paul, o Rio de Janeiro ficou mais lindo e agora de alma lavada.

Apaixonados pela música de Paul

Para celebrar o retorno de Macca ao Rio, fãs de todo o Brasil prestigiaram a "Up and coming tour". Beatlemaníaca, a jornalista Luciana Andrade, que mora em Fortaleza, tem na bagagem três performances do astro e garante que "cada experiência é absolutamente plena e inesquecível". Desta vez, conseguiu até chegar perto do cantor. "Agi como uma autêntica ´fã-franjuda´ dos anos 60 e fui para a porta do Copacabana Palace. Gritei como nunca e, para minha surpresa, ele desceu o vidro do carro quando passou na minha frente e colocou o braço para fora! Sim, estive a poucos centímetros DELE!", vibra.

Thays Resende e Gustavo Félix não tiveram a mesma sorte de Luciana, mas estavam ansiosos para ver o ídolo pela primeira vez. Trilha sonora do casal, os médicos sobem ao altar, em outubro, com direito à música do ex-beatle. Romântico, né?

Antonio Lage e Vera Guimarães, fãs de longa data, levaram as filhas Letícia, de 11 anos, e Isabelle, 9, que desde pequenas escutam Paul. A preferida delas? "Drive my car".

Raí Espíndola, Jonathan Douglas e Rodrigo Mota acreditam que ver uma apresentação do artista é sempre uma oportunidade única. "Um dia, vou contar para meus filhos e netos", afirma Mota.

Confira o set list:

1) "Magical Mystery Tour"
2) "Jet"
3) "All My Loving"
4) "Coming Up"
5) "Got To Get You Into My Life"
6) "Sing The Changes"
7) "Let Me Roll It"
8) "Long And Winding Road"
9) "1985"
10) "Let'Em In"
11) "I'm Looking Through You"
12) "And I Love Her"
13) "Black Bird"
14) "Here Today"
15) "Dance Tonight"
16) "Mrs. Vandebilt"
17) "Eleanor Rigby"
18) "Something"
19) "Band On The Run"
20) "Obla Di Obla Da"
21) "Back In The U.S.S.R."
22) "I Gotta Feeling"
23) "Paperback Writer"
24) "A Day In The Life"
25) "Let It Be"
26) "Live And Let Die"
27) "Hey Jude"
28) "Day Tripper"
29) "Lady Madonna"
30) "Saw Her Standing Here"
31) "Yesterday"
32) "Helter Skelter"
33) "The end"
34) "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band"