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Mais do mesmo

Depois de "Odiosa Natureza Humana" (2011), o Matanza já está de volta com novo disco na praça. "Thunder Dope" traz o furioso e irreverente country core do grupo, mas sem maiores novidades

Matanza está de volta com o trovejante "Thunder Dope", disco com 13 faixas, duas inéditas e 11 raridades do início da carreira. Paralelamente ao CD, grupo centraliza forças no MatanzaFest

Para quem é fã do quarteto, não tem o que reclamar. O sexto disco de trabalho, lançado pela Deck, traz a velha fórmula de sucesso da banda, com a mistura de country core, rock acelerado e letras bem-humoradas (o banjo até volta dar as caras). Chegando com um intervalo breve de um ano do registro anterior, "Thunder Dope" pode até não ser essa inovação toda em termos criativos, mas os caras mostraram ser bons de serviço ao mandar brasa em 13 faixas (entre raridades do início da carreira e duas inéditas). Produzido por Rafael Ramos e Matanza, "Thunder of Dope" é uma lapada do início ao fim, na verdade, quase um susto: quando menos se espera já acabou. Com apenas 26 minutos, Jimmy London destila sua acidez e sarcasmo cantando em inglês maior parte das músicas (são sete faixas em sotaque gringo contra seis em português). Será coincidência ou mesmo um flerte com o mercado internacional?

Enfim, o velho Matanza de guerra continua divertindo com a sua boca suja, os seus papos de homem e o cenário meio western. Seja numa estrada no meio do nada ou numa mesa de bar, os cariocas entretêm contando histórias das confusões em que se metem, ressacas homéricas e das mulheres-objetos.

Como não rir da reclamação do bebum azarão da nova "Mulher Diabo", que ficou de fora do disco "Música para beber e brigar" (2003)? "Tudo isso culpa da mulher diabo/ que me persegue a noite em tudo que é lugar/mas se não fosse pelo chifre e pelo rabo/não iria me aguentar".

Outra inédita é "Pane nos quatro motores", concebida em uma viagem de avião (na qual consta inclusive o som das turbinas), é outra que nunca havia sido finalizada pelo medo do ex-baixista Donida de que a música "ocasionasse" em uma fatalidade. Tenso, hein?

Das antigonas, "Terror em Dashville" e "Gore doom jamboree" ganharam novas versões, mas mantendo o clima de bagunça do começo, do qual o grupo tanto se orgulha.

MatanzaFest

Paralelamente à gravação do CD, o Matanza esteve preparando o seu próprio festival, que teve sua estreia no domingo, em Porto Alegre, e já fechou datas em Curitiba (dia 7/12), Brasília (8/12), Rio de Janeiro (14/12), São Paulo (15/12) e Recife (19/01).

O objetivo do Matanza Fest é movimentar ainda mais a cena roqueira nacional, escalando bandas com algum tempo de estrada e com diversas contribuições ao rock brasileiro. Isso o que é engajamento!

Participaram da primeira edição, além dos anfitriões, Motorocker (PR), Claustrofobia, Ação Direta (SP), Baranga (SP), Gangrena Gasosa (RJ) e Confronto (RJ). O projeto é inspirado em formatos lançados por gente de respaldo como Metallica, Ozzy Osbourne e Sepultura, que emprestam seus nomes para promover outros grupos. 

Homenagem merecida

Lindos! Plant, Page e Jones em evento da Casa Branca Foto: Reuters

Depois das Premières de "Celebration Day", filme-show que estreou nos cinemas em outubro, o Led Zeppelin voltou a se reunir, no domingo (dia 2), no Kennedy Center Honors, evento promovido pelo governo americano que anualmente premia personalidades pelo conjunto da obra. Descontraídos e elegantes, Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones se juntaram à atriz Meryl Streep e ao apresentador David Letterman, também homenageados da noite. Não há muitos detalhes do que rolou por lá, mas o que se sabe é que Foo Fighters, Lenny Kravitz, Kid Rock e Heart fizeram tributo ao Zeppelin na festa. Se os ex-integrantes participaram, só pagando para ver no dia 26, quando irá ao ar a cerimônia na TV americana na forma de especial.

Independente

Não resta dúvida que o Metallica é uma das bandas mais autônomas do mainstream. O único passo que faltava era o grupo lançar a sua própria gravadora e isso já não é mais problema. A Blackened Recordings cuidará agora de todos os discos e clipes passados e futuros do grupo, que é atração do Rock In Rio Brasil 2013.



Indicados ao Grammy

Amanhã, acontece o anúncio dos indicados ao Grammy 2013. Para o evento, se apresentam The Who (foto), Maroon 5, Fun., Ne-Yo e Luke Bryan. A 55ª edição do Grammy será realizada no dia 10 de fevereiro de 2013.

 

Trilha sonora

O som do western

Tarantino assina a direção e participa da seleção da trilha de "Django Livre"

Jamie Foxx é a estrela de "Django Livre", que estreia no Brasil somente em 18 de janeiro Fotos: divulgação

Da mesma forma que seus filmes são aguardados com ansiedade pelo público, assim acontece também com suas trilhas sonoras, verdadeiros achados! Excêntrico, Quentin Tarantino é conhecido também por fugir do lugar comum quando o assunto é música. O cineasta resgata umas coisas pra lá de lado B, mas que sempre funcionam na proposta de seus longas. Em "Django Livre" não haveria de ser diferente.

Na tracklist do filme, que chega às lojas norte-americanas no dia 18, o destaque fica por conta do remix de "The Payback", clássico "blaxploitation", de James Brown, que contou com versos do falecido rapper Tupac Shakur. A releitura da faixa de 1973 ainda não foi disponibilizada na internet, mas quem quiser conhecer ou relembrar a música, pode ouvir na versão on line da coluna.

Na linha old school, o diretor selecionou ainda "I Got a Name", de Jim Croce. Dessas músicas remetendo às décadas de 60 e 70, Tarantino declarou que vêm diretamente da sua coleção de vinis, "repleta desses barulhos e chiados... e o som da agulha encostando no disco".

O filme traz canções inéditas, tão novas que também não foram liberadas na web. John Legend ficou a cargo de "Who Did That To You?", enquanto Rick Ross lança "100 Coffins", produzida pelo protagonista Jamie Foxx, que ainda fez participação na faixa. Já Anthony Hamilton e Elayna Boynton gravaram o dueto "Freedom".

Para a trilha incidental do western spaghetti, não teve nome melhor que o compositor italiano Ennio Morricone, responsável pela inédita "Ancora Qui". "Django Livre", que tem Leo DiCaprio no elenco, estreia no Brasil em 18 de janeiro.