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Digressões poéticas e estranhas

"Swing Lo Magellan", novo disco do americano Dirty Projectors, conquista pela sua falta de linearidade


Se já era difícil definir o estilo do Dirty Projectors, o inédito "Swing Lo Magellan" - que chega no Brasil pela Deck Disc - não facilita essa tarefa pra gente. E, certamente, esse é o objetivo do grupo. O som continua soando estranhamente belo.

"Swing Lo Magellan", sexto disco, chega ao Brasil pela Deck

A voz mutante (cheia de camadas) de David Longstreth, que consegue imprimir uma interpretação bem diferente em cada canção, reveza com coros "celestiais" femininos. Tem psicodelia, a suavidade do folk, distorções e até percussões, enfim, digressões muitas. Tudo na medida, não dá pra enjoar nem cantarolar - só se for muito fã mesmo para decorar as melodias que parecem harmoniosamente desarrumadas.




 

Uma viagem?

Parece viajante? É e não é. Os "projetores sujos" (em uma bruta tradução literal) são bastante acessíveis, conquista do ouvinte mais sofisticado ao mais conservador, este com o lirismo rural da faixa-título "Swing lo Magellan" e de "Irresponsible tune" e as doces "Just From Chevron" e "Dance For You".

Para os mais exigentes, o sexto álbum dos caras conta ainda com composições mais complexas como "Maybe That Was It" e "About To Die" e outras mais melancólicas, a exemplo de "Gun Has No Trigger". Multifacetado, assim como o humor nosso de cada dia. Como não amá-los?!?

Conceituais até o último fio de cabelo, tem corrente que associa o som dos músicos ao indie rock, pelo estilo alternativo de ser, a um lance mais experimental ou mesmo uma outra vertente defendendo o com o amplo rótulo de world music por causa da abrangência de estilos e instrumentos que o som engloba.

Algumas críticas recentes falaram em uma mistura de The Wings, do Paul McCartney, com o Talking Heads, do David Byrne... Quem está certo? Acho que todo mundo, mas ninguém em sua verdade absoluta. Se você se encantou com o "Swing Lo Magellan" e não puder comprar agora, ouça algumas músicas na versão on line da coluna Sound.

Aí, se você apaixonar de vez pelo Dirty Projectors, que já acumula, em média, 10 anos de estrada (contando a partir do primeiro registro de estúdio ("The Graceful Fallen Mango"), outra dica é presenciar ao vivo o sexteto americano que, coincidentemente, chega ao Brasil ainda este mês. O show acontece dia 30, em São Paulo, no Cine Joia.

O grupo Dirty Projectors se apresenta no Brasil este mês, no dia 30, em São Paulo Fotos: divulgação

Que onda!

Alt+J é premiado

Quer ficar por dentro de mais música experimental? Pois vale conferir também o som do Alt+J, grupo que teve o seu disco de estreia "An Awesome Wave" condecorado no Mercury Prize, um dos importantes prêmios da música britânica.

Novo queridinho da crítica especializada, o quarteto vem sendo apontado como um "novo Radiohead" da vida. A referência é ótima, embora seja uma responsa e tanto... Até para corresponder com as expectativas dos seguidores de Thom Yorke, né? Foi o que achei depois de uma breve audição, sem querer polemizar... Mas, apesar do pouco tempo de rodados, os ingleses têm dado conta do recado... O álbum não só foi eleito o melhor do ano como já entrou na disputa como favorito. Em 2011, esse título foi da PJ Harvey com "Let England Shake".

Goianos em alta

Black Drawing Chalks é destaque no exterior

Com um pé no Brasil e outro no exterior, os goianos do Black Drawing Chalks ganham cada vez mais visibilidade lá fora. Em enquete realizada pelo site da revista inglesa Classic Rock Magazine, o grupo de stoner rock levou a melhor no título "melhor música da semana". Os singles "Cut Myself In Two" e "My Favorite Way" receberam 821 votos e, com isso, ficaram em primeiro lugar, na frente até das inéditas dos Rolling Stones ("Doom And Gloom"), Aerosmith ("What Could Have Been Love"/"Street Jesus") e Green Day ("Troublemaker"). Ficou curioso para conhecer o trabalho dos caras? Dá para fazer download do terceiro disco, "No Dust Stuck On You", aqui: http://ow.ly/f1vRD

Hoje no cinema!

Mais um grande filme-show ganha transmissão na telona. Depois do Led Zeppelin, agora é o Queen que sobe ao palco com o inédito "Hungarian Rhapsody: Queen Live In Budapest". Em cartaz hoje, 21h, no UCI Iguatemi.

De volta ao topo

Após oito anos, Robbie Williams voltou a liderar as paradas britânicas. "Candy" é o primeiro single de "Take The Crown", disco que começou a ser vendido ontem.

Trilha sonora
Som da negritude em ´Suburbia´


Seu Jorge interpreta versão de "Pra Swingar", música-tema de "Suburbia" e versão do clássico de 1976

Estreia da última quinta, na Globo, "Suburbia" chama atenção não só pelo esmero na fotografia e na história, marcas registradas do diretor Luiz Fernando Carvalho.

Logo na abertura da minissérie, o animado "Pra Swingar", sucesso de 1976 do extinto Som Nosso de Cada Dia, mostra a que veio a trama, ambientada nos anos 90: trata-se de uma produção que tem a cultura afro-brasileira como grande estrela.

Clementina de Jesus interpreta "O Canto dos Escravos"

Com a voz de Seu Jorge, a nova versão de "Pra Swingar" respeitou ao máximo o balanço do funk americano da original. Ritmo esse que lembra muito a pegada do Blaxploitation, movimento cinematográfico americano surgido nos anos 70 e que contou com trilhas compostas por feras da black music como James Brown, Quincy Jones, Barry White, Marvin Gaye, entre outros.

Com clara inspiração nessa turma "old school", Ed Motta, um dos produtores responsáveis pela tracklist de "Suburbia", se preocupou em abrasileirar a seleção musical, incluindo nesse caldeirão samba e o jongo. Nessa linha, encaixam-se os saudosos Cartola (com a faixa "As rosas não falam"), Clementina de Jesus ("O Canto dos Escravos") e Lazir Sinval ("Vida ao Jongo").

Trilha da minissérie "Suburbia" vai da black music ao samba

Mas, para falar da periferia nacional, não dá para fugir também do romantismo de Roberto Carlos ("As Canções que Você Fez Para Mim"), do pagode do Zeca Pagodinho ("O Bagaço da Laranja") e do funk carioca de MC Marcinho ("Garota nota 1000").

A coletânea incidental ficou a cargo de André Mehmari. Mas, apesar de todo um cuidado na escolha das canções, a assessoria de "Suburbia" divulgou que não há planos de lançamento de um CD temático.

Uma pena já que a proposta da minissérie já foge do lugar comum, assim como a sua trilha sonora.