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Sensacional: Robert Plant

Coluna Sound conferiu show do ex-vocalista do Led Zeppelin com o novo projeto, o The Sensational Space Shifters

Todo mundo sabia que não era o show do Led Zeppelin, mas os brasileiros tinham plena consciência de que o mais próximo que poderiam chegar da memorável banda britânica, que durou de 1968 a 1980, era comparecendo às apresentações da turnê do vocalista Robert Plant no Brasil, com o The Sensational Space Shifters.

Robert Plant mostra, em seu novo show, a capacidade de se reinventar sem perder a força do rock Foto: Divulgação

Até porque o próprio cantor já havia avisado no lançamento de "Celebration Day", documentário que reuniu os ex-integrantes do grupo em première este mês, que não haverá mesmo uma nova reunião. O último "revival", realizado dia 10 de dezembro de 2007, em Londres, é motivo inclusive do filme em questão estrear nos cinemas em 30 de outubro. Ou seja, para ver ao vivo, era agora ou nunca!

Tudo bem, não foram shows de estádio, mas o cantor, que apresenta o projeto inédito até o dia 29, fechou sete datas em várias capitais, com direito a show extra em São Paulo.

Nada mal para um trabalho experimental tão viajandão, que resgata as raízes do blues, folk e country americanos, misturando ainda a música africana e elementos orientais com direito a apropriadas concessões ao antigo quarteto que o revelou para o mundo!

Os remanescentes do Led Zeppelin reunidos na première de "Celebration Day" Foto: Agência Reuters

Parece louco? Mas a ideia era essa mesma, segundo o artista.... "Hoje teremos grandes diferenças e grandes surpresas para nós", atestou o astro, ao longo do show. E assim a coluna Sound pôde comprovar a popularidade do veterano em sua segunda performance no Brasil, dia 20, em Belo Horizonte.

Estilo B Side

Com duração média de 1h45min, o ídolo de 64 anos empolgou do início ao fim o público mineiro, que encheu pavilhão do Expominas. Mesmo sendo um show meio "lado B" pelo fato da plateia não conhecer o trabalho do Space Shifters, Plant conseguiu atrair fãs entusiasmados de várias gerações, que iam de vovôs e papais que viveram os tempos gloriosos do Zeppelin, passando por jovens de 20 a 30 e poucos anos a até pré-adolescentes!

O cartaz do filme que registra a última apresentação da banda


Sim, foi um show estranhamente família. O protagonista em questão não tem o apelo popular de um ex-beatle ou de um astro teen da moda, mas se tratava de um cara que não se apresentava no Brasil há 16 anos (sua última aparição foi no finado Hollywood Rock!) e com carreira bem distante do "mainstream".

Depois de estreia considerada morna no Rio, no dia 18, o repertório mineiro, com 15 canções, teve mudanças, não necessariamente feitas para agradar os ledmaníacos. As alterações se refletiram com uma mexida "básica" na ordem das músicas como também na inclusão de três inéditas: "Song to the Siren", "Bron Y Aur Stomp" e "Enchanter".

Para dar espaço a novidades, saíram de cena "Another Tribe", "Road to the sun" e "Down to the sea". Foram incluídos sete sucessos do "balão dirigível inglês", entre eles "Ramble On", "Gallows Pole" e "Friends". A simplicidade deu o tom da apresentação, que se estendeu à postura ao figurino do astro (com uma surrada blusa listrada e calça escura, aparentemente já usadas em outros shows, vide You Tube).

Palco sem efeitos

Em vez de uma superprodução, seguindo o exemplo de contemporâneos que passaram esse ano pelo Brasil (a exemplo de Roger Waters e Paul McCartney), o cenário se resumia a um despretensioso pano de fundo com o desenho psicodélico do até então jovem frontman do Zeppelin, e a dois telões (sem a tecnologia LED). Um deles deu problema o tempo todo. As falhas técnicas não chegaram a comprometer a performance do cantor, mas chegou a irritar os fãs.

Desde o início, Plant e os Space Shifters cativaram os presentes, que responderam calorosamente às quatro primeiras faixas: a desconhecida "Tin Pan Valley", a versão de "44 Blues (homenagem ao americano Howlin´ Wolf )", "Friends" (sucesso do disco "Led Zeppelin III", 1970) e as standards "Spoonful" e "Somebody Knocking".

Mas foi no hit "Black Dog", que o público reagiu energicamente, apesar de nem todos reconhecerem, à primeira vista, que se tratava do clássico de 1971 com uma releitura bluseira, esquisitamente conceitual, contrapondo com o peso da original. Mesmo assim, o cantor não fez feio. "E aí, tá tudo bem?", perguntava o líder. A galera foi ao delírio. Desde o início a partida já estava ganha.

De efeitos especiais, só os sonoros mesmo! Cada música era bem diferente da outra. A competente banda, a qual Plant fez questão de apresentar os membros, era formada por virtuosos músicos e com instrumentos os mais exóticos possíveis...

Justo destaque para o gambiano Juldeh Camara, o qual faz dueto em "Song to the siren". Durante essa música, aliás, o astro foi surpreendido com uma bandeira do Brasil, jogada em seu microfone. Ele prontamente a vestiu.

Voltando ao africano, Camara não apenas solou com o ritti (espécie de violino africano de uma corda) como tocou kologo (banjo africano) e ainda cantou em sua língua nativa. Por instantes, a sensação era de estar em show de world music...

Além do africano, que brilhou em umas três faixas, o "supergrupo" também teve a adesão dos carismáticos Justin Adams (guitarra, bendir e voz), John Baggott (teclado), Liam "Skin" Tyson (guitarra e voz), Dave Smith (bateria e percussão) e Billy Fuller (guitarra e vocais).

Versões

Com mais altos do que baixos, justamente por essa liberdade autoral de Plant, a plateia voltou a se entusiasmar mesmo com os hits do Zeppelin, novamente, com versões nem sempre óbvias, porém, felizmente, não tão cabeçudas quanto foi "Black Dog".

O inconstante "Whole Lotta Love", variando entre o blues e rock, foi um bom exemplo disso. No bis, o cantor voltou dando uma trégua e não fugiu muito das versões originais. A poética "Going To California" e a porrada "Rock N´ Roll" finalizaram o set list. Esta última, que também era a mais esperada pelos fãs, foi guardada estrategicamente para fechar em grande estilo.

No fim das contas, o que se pôde constatar é que Plant está sim mais velho, enferrujado, meio fora de forma, mais contido no palco e sua voz já não atinge aos agudos tão inflamados quanto os de antigamente...

No entanto, ao contrário do que alguns têm dito, não me pareceu cansado. A nova proposta é diferente e gás ele ainda tem de sobra, assim como o espírito rock n´ roll do jovem rapaz que defendia bravamente o Led Zeppelin antes do companheiro John Bohan falecer prematuramente e cessar os sonhos dos fãs.

A verdade é que o "motor 6.0" do frontman, hoje um senhor mais discreto, continua a pleno vapor. A diferença é que essa energia tem sido canalizada para sua capacidade de se reinventar a todo o instante e não viver só da renda da penca de sucessos que coleciona na bagagem (como fazem vários "colegas" da sua idade). É, amigos, a coragem de arriscar não é para todos...

Set list

Robert Plant - T he Sensacional Space Shifters

Space Shifters

"Tin Pan Valley"

"44 Blues"

"Spoonful"

"Somebody Knocking"

"Song to the Siren"

"Bron Y Aur Stomp"

"Enchanter"

"Fixin to Die"

Led Zeppelin

"Friends"

"Black Dog"

"Gallows Pole"

"Ramble On"

"Whole lotta love"

"Going to California"

"Rock´n Roll"

Set diversificado

O DJ Jaloo esteve em Fortaleza para comandar festa

No último sábado, quem esteve em Fortaleza foi o DJ e produtor musical paraense Jaloo. Reconhecido pela MTV mundial na lista "10 Tecnobrega Artists To Savor" ("10 artistas do tecnobrega para saborear", em português), ele misturou ritmos e influências musicais durante sua apresentação na festa "Sonha, Alice".

Além de apostar no ritmo paraense que mais bomba no Brasil e no exterior, o multifacetado artista trouxe, em seu set, referências dos guetos africanos, dos morros cariocas e dos clubes europeus, além de explorar artistas experimentais, deep house, minimal techno, moombahton e indian beat. Uma coisa assim bem exótica, hein?

Sem chance

Falando em especulações sobre reunir no palco remanescentes de grandes bandas, bem que Genne Simmons, baixista do Kiss, tentou! "Em 2009, 2010, um grande produtor depositou em uma conta algumas centenas de milhões de dólares para contatar Jimmy e Robert e tentar convencê-los. Mas, Robert simplesmente não quer fazer", disse.

E mais...

Além de "Celebration Day", também chega aos cinemas "Hungarian Rhapsody: Queen Live In Budapest ´86". A estreia no Brasil será dia 6 de novembro.