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Delicadeza cativante

Em seu terceiro disco, a mineira Roberta Campos encanta com uma doçura peculiar, arranjos elaborados e parcerias invejáveis

Ainda pouco conhecida, Roberta Campos é um desses achados que só reforça a tese da força e do hibridismo da nova MPB, estilo que ganhou sobrevida, felizmente, pela rotatividade de talentos, o advento da internet e o surgimento de selos independentes.

Se nos anos 90 o grande público não tinha muita saída, a não ser "aceitar" o que as grandes gravadoras determinavam o que era "sucesso", hoje o cenário é bem diferente e atrativo. Felizmente, a supremacia das cantoras de vocal grave, dramááático e desesperado divide agora a cena com a suavidade, a simplicidade, valores esses que conseguem também traduzir a eloquência e a beleza dos sentimentos e das sensações.

É nessa linha que a mineira, natural de Caetanópolis, encontrou o seu espaço e tem angariado o respeito de gente famosa como Nando Reis, que colaborou na faixa "De janeiro a janeiro", no disco "Varrendo a Lua", trabalho que lhe deu visibilidade no meio artístico.


Para gravar "Diário de Um Dia", terceiro álbum da carreira, lançado recentemente pela Deck Disc, a artista também esteve muito bem acompanhada. Foi brindada com músicas de ninguém menos que Paulinho Moska, Zélia Duncan, Leoni e Frejat... "São compositores e cantores que admiro demais e influências pra mim", diz. "Ganhei três lindos presentes para este álbum. ´Meu Nome é Saudade de Você´, linda canção de Paulinho Moska, ´Quem Nos Dera´, uma parceria dos queridos Leoni e Zélia Duncan, e ´Carne da Boca´, de Frejat em parceria com Guto Goffi e Mauro Santa Cecília! Tenho duas parcerias com Carolina Zocoli e uma parceria com Danilo Oliveira! As demais canções são somente de minha autoria", destaca.

No entanto, falar de Roberta Campos e não associar ao Clube da Esquina é quase impossível. Fã confessa do movimento mineiro, que despontou Milton Nascimento e Lô Borges como medalhões da MPB, ela diz que a culpa por ter se tornado cantora é dessa trupe. Inclusive, homenageou os veteranos, no segundo disco, com uma versão pra lá de fofa do clássico "Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor".

"Sempre ouvi muito esse pessoal. Quando despertei meu amor e interesse pela música foi através de meu tio, o Zé. Um dia, acordei e o vi cantando e tocando violão, foi um dos momentos mais especiais da minha vida, nunca vou me esquecer do meu encanto e a vontade de tocar também. Foram os discos dele que cresci ouvindo, as minhas primeiras informações musicais e ele curtia muito o Milton, Beto, Lô e toda a turma", recorda.

Muita leveza e entrega

Com críticas positivas, a delicadeza, que já se tornou sua marca registrada, salta ainda mais aos olhos/ouvidos em "Diário de Um Dia" com uma produção empenhada e elaborada. A doçura da voz e dos arranjos se equilibram com letras francas e nem sempre graciosas. O resultado, com certeza, não tem nada de enjoativo. Como já sugere o nome do CD, a cantora expõe sentimentos e experiências pessoais, desafio esse que ela tira de letra. "Foi um processo bem natural. Eu sempre componho dessa forma e é difícil fazer uma canção sem me entregar totalmente ao ato de compor. A composição, além de falar com o outro, é a forma que encontro de falar comigo mesma e descrever as coisas que sinto, quem sou e o universo em minha volta".

A inspiração vem de tudo que a rodeia. "As mudanças que acontecem e aconteceram comigo nesse período em que compunha para o disco, o crescimento como pessoa que sinto bem forte em mim e me deixa feliz porque é o que busco todos os dias como um ser humano. Os temas que me norteiam são o amor em todos os sentidos da palavra, a vida, as mudanças do meio em que vivemos, a busca pelas coisas que nos fazem sentir uma grandeza ainda maior na vida", conta.

Para compor as canções desse disco, Roberta começou a escrever ainda na turnê passada. "Sempre enviava para o Rafael Ramos, meu produtor, e assim foi tudo tomando forma e, em janeiro, entramos em estúdio, a princípio eu (violão), Dunga (baixo) e Marco Suzano (percussão). Depois, convidamos o Davi Moraes para gravar guitarras, Christiaan Oyen (slides), Humberto Barros e Fabrizio Iozi (teclados), Otávio de Moraes e o grande Lincoln Olivetti (arranjos de cordas!)".

Pé no chão

Como uma legítima mineira, Roberta faz questão de manter as raízes - a simplicidade e a discrição ela não abre mão -, mas acredita que evoluiu, profissionalmente e pessoalmente, após fixar residência em São Paulo. "Morei em Minas até os 26 anos de idade e por isso acredito que a fase mais importante, de mudanças e crescimentos quanto pessoa eu vivi lá. Sinto que nunca vou perder a gentileza, simplicidade, generosidade que aprendi a ter e ser naquele lugar e com as pessoas de lá. Hoje, sou uma pessoa diferente e isso me deixa feliz, porque é bom sentir que a gente muda com o passar dos anos. São Paulo me faz muito bem, você abre a porta e já dá de cara com muitas informações e eu gosto muito disso".

Trabalho braçal

E foi na capital paulista que a sua carreira engrenou, mas a custo de muito "trabalho braçal". Sem essa de ter sido descoberta, a multifacetada artista faz parte de uma geração que "se virou nos 30" para crescer e aparecer. Em sua estreia, acumulou funções, meteu as caras produzindo e até atuando como uma espécie de engenheira de som. Fora isso, fez bom uso da internet e das mídias sociais para divulgar a sua música. Esse esforço gerou frutos e não tardou para fechar contrato com uma gravadora.

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"Gravei meu primeiro disco, o ´Para Aquelas Perguntas Tortas´, na sala do meu apartamento, usando recursos básicos. Tive que aprender várias coisas, desde qual software usar, o que e como era mixar, masterizar um disco, arranjar as canções, fazer capa e tudo. Levei esse disco na Rádio Nova Brasil de SP, que começou a tocar uma faixa dele, e depois eles mostraram para a Deck, que se interessou pelo meu trabalho e assinamos contrato para gravar".

Embora desfrute de um certo reconhecimento na classe artística, Roberta quer mesmo atingir o grande público. Para isso, segue apostando na web. "Acredito que a batalha é diária sim, porque quero atingir mais e mais pessoas com minhas canções. Minha relação com a internet é muito grande, além de achar um veículo muito bacana para divulgar, gosto de estar próxima as pessoas e trocar ideias, impressões e informações".

Enquanto divulga "O Diário de Um Dia", Roberta faz planos de gravar um DVD e não vê a hora de retornar ao Nordeste. "Já fui a Fortaleza e a Juazeiro, da Bahia. Espero voltar também nesse ano e ter vários outros nomes de palcos que tive o prazer de subir no Nordeste. Adorei as experiências que tive", recorda.

Salvem a Rainha!

Elizabeth II terá que engolir o Sex Pistols na cerimônia

Após a confirmação do Muse como banda que ficou encarregada do tema oficial das Olímpiadas de Londres, fala-se agora que Danny Boyle (diretor de filmes como "Trainspotting" e "Quem Quer Ser Um Milionário", ficou responsável pela trilha-sonora da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, marcada para o dia 27 de julho. No set list de 86 músicas, que celebra o melhor do pop e rock inglês, a inclusão de "God Save The Queen", dos Sex Pistols, tem polemizado. Hino mordaz do movimento punk, que não poupou a Rainha Elizabeth, será tocado na frente da monarca, que acompanhará a cerimônia pessoalmente. Vai ser divertido!

Desfalque

Se a situação do Rock In Rio Madri já era tensa, por conta da crise que assola a Espanha (chegou-se a especular que o evento poderia ser cancelado), os organizadores lidam agora com a desistência de uma grande atração. Rihanna não se apresentará mais no festival após o falecimento da avó. O show seria quinta (dia 5).

Iron no Brasil em 2013?

É bem possível! E mais: especula-se que o Iron Maiden poderá vir não só uma como duas vezes! Rumores dão conta que a primeira passagem poderá ocorrer entre março e abril, como nas últimas vezes que os ingleses vieram ao País, e uma segunda parada seria em setembro no Rock In Rio. Será? O jeito é aguardar!