Matéria-1070930

Verdadeira diva do tecnobrega

O Pará nunca ficou em tanta evidência. Com um cenário efervescente, o Estado tem exportado diversos sons. Fenômeno da internet, Gaby Amarantos viu sua carreira despontar após ser apelidada de a Beyoncé do Pará

A artista até curte o título, mas a verdade é que a diva pop não norteou sua carreira, iniciada aos 15 anos. Em comum, só o fato de ter começado a cantar na Igreja (na Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, no bairro do Jurunas, periferia de Belém) e o look glamourosamente sexy e nada convencional.

"É um grande elogio, fico me achando (risos), mas não tenho ela como influência. É uma outra parada. Tenho uma pegada totalmente popular. Acabo atingindo os mais diversos públicos", assegura ela, que tem como referências musicais Billie Holiday, Ella Fitzgerald e até bandas de metal.

Apesar da impressão de ter estourado da noite para o dia - vocês sabiam que a moça participou até do show da posse da presidente Dilma Roussef (acompanhada de Fernanda Takai, Zélia Duncan Mart´nália e Elba Ramalho), Gaby Amarantos conta que vem ralando há tempos. "Tudo aconteceu muito rápido, o estouro foi de uma vez só, mas são 15 anos só como cantora profissional", afirma a artista, que cumpre a média de três shows só nos fins de semana.

Mesmo bastante requisitada para apresentações em todo o Brasil - quem não se lembra da sua consagração no último MTV Video Music Brasil em performance ao lado da banda Uó e Garotas Suecas?-, Gaby nem pensa em arredar o pé de sua terra natal. "O Pará é a minha fonte de inspiração e me faz lembrar do que eu sou. Eu já viajo muito. Quase toda semana estou em São Paulo e no Rio. Sou uma agente divulgadora da música do Pará. Agora o movimento é inverso, são as pessoas querendo vir pra cá", explica.

Reconhecimento

Com o seu show, a musa paraense conquistou o respeito até dos roqueiros. "Tem uma pegada da periferia, de tecnobrega, punk rock, metal, passeia por vários estilos. Eu quero mais é dialogar. Fazer coisas com Carlinhos Brown, a Madame Saatan, novos artistas. Só posso ficar feliz. Não vejo nenhum outro artista conseguir transitar por tantos públicos. Até os camisas pretas [os metaleiros, em questão] vêm falar comigo. Não existe mais preconceito com o meu trabalho. Passei dessa fase há muito tempo", observa.

Primeiro disco

Descoberta após participação no festival Rec Beat, que a levou ao Faustão, Gaby ganhou a simpatia não só de milhares de fãs, mas também de artistas da música brasileira. Com previsão para o início de 2012, seu primeiro disco solo, "TREME" - ainda sem gravadora -, contará com parcerias valiosas de Fernanda Takai (do Pato Fu) e Thalma de Freitas, produção de Luiz Félix Robatto e direção musical Carlos Eduardo Miranda.

Confira o clipe de Gaby Amarantos



O álbum será carregado, claro, de tecnobrega, além de muito carimbó, guitarrada, banguê, samba de cacete, lundu e reggaeton. O primeiro clipe, o bem produzido "Xirley", dirigido pela cineasta Priscila Brasil, estreou em outubro passado.

Assim como a sua conterrânea, a banda Calypso, a cantora também já sonha com apresentações internacionais. "A gente vai lançar o CD primeiro na gringa. As gravadoras no Brasil ainda temem em apostar em novos artistas. Só contrata quando estoura. Já existem conversas para fechar com um selo de fora, mas nada fechado ainda", adianta.

Metal sem rótulos

Mas nem só de tecnobrega, guitarrada e calypso vive o Pará. Já é bem conhecida a devoção do seu público pelo rock n´ roll. Vire e mexe cenário de shows internacionais de grande porte - como o Iron Maiden e Deep Purple neste ano -, o Estado é um celeiro fértil de bandas com uma pegada mais pesada.

Exemplo bem-sucedido é a Madame Saatan, a qual a coluna teve a oportunidade de conferir a apresentação, no Festival Ponto.CE. Também trocou uma ideia no backstage, apesar da entrevista só ter rolado mesmo por telefone, quando o quarteto estava na estrada.

Veja o clipe "Respira", da Madame Saatan



O que chamou a atenção no som do Madame foi a sua pluralidade, uma alquimia de referências que vão do heavy metal a elementos da cultura e até da religiosidade locais. É curioso escutar, embora de forma discreta, aqueles batuques de terreiro e até guitarrada. Mas o que é bacana mesmo é que cada música é bem diferente da outra, o que acaba atraindo outros fãs, não necessariamente seguidores do metal. A atitude - sexy e furiosa de sua vocalista - também é um charme à parte.

Se depender de Sammliz, a é ideia é transitar pelos mais diversos cenários. "Costumamos tocar muito em festivais populares, que abrangem em um mesmo evento vários estilos, artistas da MPB, do pop, rock... E a aceitação é ótima. Acredito que os estilos podem conviver tranquilamente. O importante é chegar em todos os lugares, circular no Brasil inteiro", declara ela, com aquele vozeirão de radialista (sua profissão nas horas vagas).

Formada em 2003, em Belém, a banda já tem dois álbuns lançados. O último, o elogiado "Peixe Homem", que saiu mês passado pelo selo Doutromundo Discos, contou com produção de Paulo Anhaia (responsável por trabalhos com Charlie Brown Jr, Velhas Virgens e CPM22) e masterização do engenheiro de áudio, o americano Alan Douches (Mastodon, Aerosmith, Misfits). Destaque ainda para "Respira", primeira faixa a ganhar clipe, dirigido pelo também gringo P.R. Brown, que tem no currículo vídeos com ninguém menos que Smashing Pumpkins, Slipknot, Audioslave e Prince.

Sem restrições

Com repercussão positiva na mídia especializada, a cantora opina que essa heterogeneidade característica do grupo tem contado a favor da Madame e por isso foge dos esquemas de rótulos. "Quando falam em definir, já fico cabreira. A gente prefere dizer que é uma banda de rock. A gente não quer apontar nem seguir nenhum caminho em específico. Esses outros elementos aparecem de forma sutil, não temos esse compromisso. Nossa identidade, as nossas raízes, tudo isso está impregnado na gente. É algo muito natural, então a gente vai compondo e vai sentindo", explica.

O fato de morar em São Paulo abriu portas, admite, mas não influenciou especialmente o som dos caras. "Tudo se vivencia, né? A gente vai agregando coisas novas. Mudamos radicalmente o estilo de vida e não dá pra passar ileso. A gente aprendeu a ser mais disciplinado, mas é algo que se aprende também com a experiência".

Vez por outra comparada a ícones do gênero como Amy Lee (do Evanescence) e Tarja Turunen (ex-Nightwish), talvez pelo visual e a presença de palco, Sammliz acha que é um elogio, mas que as "semelhanças" param por aí. "Elas são ótimas cantoras, mas não têm muito a ver com o nosso som. Gosto de moda, de me maquiar, de ser mulher. Os nossos fãs são bastante respeitosos, carinhosos. As pessoas chegam muito perto e não são só homens", diz.

Intercâmbio

O Festival Internacional - Sete Sóis Sete Luas promove mais uma edição no Brasil. Pela terceira vez, Aquiraz irá receber o evento nos dias 19 e 20 de novembro, com a presença dos artistas internacionais Korrontzi de "Euskadi" (País Basco) e Kamafei da Apúlia (Salento, Itália) e dos artistas locais Fabíola Líper e a dupla Ítalo e Renno. Com entrada franca, os shows acontecem no Teatro da Tapera das Artes.

London Calling!

Para quem é fã de Deep Purple, Led Zeppelin e Whitesnake, a festa "Inglaterra Chama!" Convoca os fãs, neste sábado, para uma noite de muito hard rock! O evento marca o retorno à atividade da Bluesnake, banda liderada pelo vocalista Fest Dômino (foto), que convida para o mesmo palco Zeppelin Blues e Mezzo. Ingressos: R$ 15. Na Órbita!